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Arquivo de 4 de Maio, 2008

Uma “infoética” nos meios de comunicação social

Domingo, 4 de Maio, 2008

Consciente do grande poder e da enorme responsabilidade que os meios de comunicação social desempenham no mundo de hoje e conhecendo as suas grandes potencialidades no campo da informação, da formação e da comunicação, desde há muito que a Igreja lhes vem dedicando uma especial atenção.

A prova disso está no Dia Mundial das Comunicações Sociais, instituído pela Igreja Católica, desde há 42 anos e que este ano ocorreu no dia 4 de Maio, dia em que se celebrou, no mundo cristão, a Ascensão de Cristo.

Na sua mensagem para este 42º Dia Mundial das Comunicações Sociais, Bento XVI lança o desafio para a necessidade da criação de uma “INFOética” por parte de todos aqueles que trabalham nos diversos meios de comunicação social (MCS).

Se os rápidos desenvolvimentos no campo científico, com as suas profundas implicações na vida do homem, criaram a necessidade de se estabelecer uma BIOética, também a omnipresença dos MCS em todos os sectores da sociedade levaram o Papa a propor a criação de uma “INFOética” para este imenso, poderoso e indispensável sector da sociedade de hoje que são os MCS.

É que, tal como Bento XVI alerta na sua mensagem para este ano, os meios de comunicação social podem, por vezes desvirtuar a sua função essencial que é comunicar e informar, quando “em certos casos os media são utilizados, não para um correcto serviço de informação, mas para criar os próprios acontecimentos”.

Considerando as potencialidades extraordinárias dos MCS, no que se refere à circulação das notícias, ao conhecimento dos factos, à difusão do saber e à livre circulação do pensamento, bem como à sua influência extraordinária na vida das pessoas e da sociedade, a mensagem de Bento XVI manifesta ainda a sua preocupação para um outro perigo que é servir-se do poder dos MCS para manipular, ou influir negativamente sobre as consciências, condicionando a liberdade de opção ou de decisão.

Um terceiro perigo que pode surgir na utilização dos MCS e que bem justifica a necessidade de se estabelecer uma INFOética junto dos responsáveis e operadores do sector, é a defesa exacerbada que muitos deles fazem do “materialismo económico e do relativismo ético” a que o Papa apelida de “verdadeiras chagas do nosso tempo”.

Embora acentuando os imensos aspectos positivos e as suas inúmeras potencialidades no desenvolvimento global da sociedade, este documento do Papa para o 42º Dia Mundiais das Comunicações não deixa de ignorar os reais perigos que lhes estão subjacentes e propõe, por isso mesmo, a institucionalização de uma INFOética para este fundamental sector da sociedade moderna.

Pensamos que este documento, será um bom contributo que a Igreja apresenta no sentido de fazer dos MCS instrumentos não apenas ao serviço da difusão da informação, mas também ao serviço da construção de uma sociedade mais justa e solidária.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº 719 de 30 Maio 2008


Dia da Mãe:uma breve homenagem

Domingo, 4 de Maio, 2008

Aquilo que todos nós já tivemos, muitos de nós ainda têm e alguns já deixaram de ter é aquele ser a quem chamamos MÃE e que na voz poética de Almeida Garrett é a mais bela obra de Deus”.

Um outro poeta, Simões Dias, afirma-nos que

A gente não sabe
Avaliar quanto vale
Um afecto de Mãe
Num coração maternal.

E Augusto Gil, numa comparação expressiva afirma-nos:

Mãe que ao seu menino beija
Os labiozinhos em flor
Comunga, como na igreja,
Recebe Nosso Senhor.

É ainda Júlio Brandão quem nos diz esta verdade popular:

Há duas coisas no mundo
Que não se podem contar:
Beijos que as mães dão aos filhos,
Areias que tem o mar.

Cantada por poetas e objecto de tema para escritores e artistas, a MÃE é aquele ser insusbtituível em qualquer família.
Para todas elas, em jeito de homenagem, este belíssimo poema de Guerra Junqueiro em que ele, quase no final da sua vida, evoca, com grande saudade, a doce memória que lhe ficou de sua MÃE:

Minha mãe

Minha mãe, minha mãe! Ai que saudade imensa
do tempo em que ajoelhava, orando ao pé de ti.
Caia mansa a noite; e andorinhas aos pares
Cruzavam-se, voando em torno dos seus lares,
suspensos do beiral da casa onde eu nasci.

Era a hora em que já sobre o feno das eiras
dormia quieto e manso o impávido lebreu.
Vinham-nos da montanha as canções das ceifeiras,
e a lua branca, além, por entre as oliveiras,
como a alma dum justo, ia em triunfo ao Céu.

E, mãos postas, ao pé do altar do teu regaço
vendo a lua subir, muda, alumiando o espaço
eu balbuciava minha infantil oração,
pedindo ao Deus que está no azul do firmamento
que mandasse um alívio a cada sofrimento,
que mandasse uma estrela a cada escuridão.

Guerra Junqueiro