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Dia da Mãe:uma breve homenagem

Domingo, 4 de Maio, 2008

Aquilo que todos nós já tivemos, muitos de nós ainda têm e alguns já deixaram de ter é aquele ser a quem chamamos MÃE e que na voz poética de Almeida Garrett é a mais bela obra de Deus”.

Um outro poeta, Simões Dias, afirma-nos que

A gente não sabe
Avaliar quanto vale
Um afecto de Mãe
Num coração maternal.

E Augusto Gil, numa comparação expressiva afirma-nos:

Mãe que ao seu menino beija
Os labiozinhos em flor
Comunga, como na igreja,
Recebe Nosso Senhor.

É ainda Júlio Brandão quem nos diz esta verdade popular:

Há duas coisas no mundo
Que não se podem contar:
Beijos que as mães dão aos filhos,
Areias que tem o mar.

Cantada por poetas e objecto de tema para escritores e artistas, a MÃE é aquele ser insusbtituível em qualquer família.
Para todas elas, em jeito de homenagem, este belíssimo poema de Guerra Junqueiro em que ele, quase no final da sua vida, evoca, com grande saudade, a doce memória que lhe ficou de sua MÃE:

Minha mãe

Minha mãe, minha mãe! Ai que saudade imensa
do tempo em que ajoelhava, orando ao pé de ti.
Caia mansa a noite; e andorinhas aos pares
Cruzavam-se, voando em torno dos seus lares,
suspensos do beiral da casa onde eu nasci.

Era a hora em que já sobre o feno das eiras
dormia quieto e manso o impávido lebreu.
Vinham-nos da montanha as canções das ceifeiras,
e a lua branca, além, por entre as oliveiras,
como a alma dum justo, ia em triunfo ao Céu.

E, mãos postas, ao pé do altar do teu regaço
vendo a lua subir, muda, alumiando o espaço
eu balbuciava minha infantil oração,
pedindo ao Deus que está no azul do firmamento
que mandasse um alívio a cada sofrimento,
que mandasse uma estrela a cada escuridão.

Guerra Junqueiro