CEIA BARROCA

por jcerca em 15 de Julho de 2024

Uma mini recriação histórica gastronómica

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 A Ceia barroca tem sido um dos momentos altos que tem antecedido as várias edições da recriação histórica em Arouca e que costumava ser realizada nos claustros superiores do Mosteiro de Arouca.

Realizada pela 1ª vez no pátio norte do Mosteiro de Arouca, a Ceia barroca deste ano foi um momento socialmente muito divertido, culturalmente muito interessante e gastronomicamente muito agradável.

Acolhidos os comensais da nobreza na entrada nobre do Mosteiro, estes eram dirigidos para uma sala para receberem os respetivos adereços que justificavam o seu título nobiliárquico de conde, duque ou marquês.

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Durante este
agradável repasto barroco foi feita a declamação de poemas de alguns autores da época barroca da literatura portuguesa, tais como Nicolau Tolentino (1740-1811) e Correia Garção (1724-1772). E neste ano em que se comemoram os 500 anos do nascimento de Camões não faltou também o seu célebre soneto “Amor é fogo que arde sem se ver” .

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Além da poesia, quer amorosa, quer satírica, a dança barroca contribuiu também para a beleza desta mini recriação gastronómica, tendo sido mesmo ensaiados alguns passos de dança que divertiram todos os comensais da alta nobreza.

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José Cerca

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SACRO E ETERNO

por jcerca em 14 de Julho de 2024

Um concerto de música sacra

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Integrado nos “Retratos do Barroco” teve lugar na tarde do domingo, dia 14 de julho, o concerto “Sacro e Eterno, interpretado pelo grupo “Ensemble São Bernardo” e que decorreu no mais belo espaço barroco do Mosteiro de Arouca, o seu magnífico coro baixo, mais conhecido por cadeiral.

Criado e dirigido pelo maestro Nuno Margarido Lopes, o “Ensemble São Bernardo” é constituído por 8 vozes, 4 masculinas e 4 femininas e os seus cantores são todos eles formados em canto por Escolas superiores de música.

O Programa deste concerto consistiu na interpretação coral polifónica de 13 trechos de música sacra de autores diversos dos sec.XVIII, IX e XX.

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Através de uma maravilhosa harmonia polifónica enquadrada por um belíssimo cenário barroco este concerto proporcionou ao publico que enchia o cadeiral, uma viagem espiritual, através da música sacra, de diversos compositores europeus, desde o período romântico ao contemporâneo.

Com textos em latim, francês, inglês e alemão o fio condutor desta prece polifónica tinha como tema comum os tempos conturbados que o mundo atravessa e para os quais se implorava, musicalmente, uma prece à paz e à concórdia em todos os conflitos existentes no mundo de hoje.

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A beleza polifónica dos trechos interpretados e o cenário barroco em que eles ecoaram não poderia ser mais adequado para este desejo de paz que o mundo tanto anseia.

José Cerca

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ASARC EM DIGRESSÃO PELA BEIRA INTERIOR

por jcerca em 25 de Junho de 2024

Desde a sua criação, há 14 anos, o passeio anual da Academia Sénior de Arouca tem sido um dos momentos mais altos e uma das atividades mais participadas pelos seus alunos e associados, tendo sempre como principais objetivos, não só o convívio social, como também o prazer da boa gastronomia e o enriquecimento cultural dos seus participantes.

Sempre com a duração de dois dias, o passeio deste ano da Asarc escolheu a região da Beira interior, como destino turístico e meta cultural.

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 Dos descobrimentos portugueses à cultura judaica

Belmonte onde terá nascido Pedro Álvares Cabral em 1467, foi a primeira paragem que permitiu aos visitantes seniores uma imersão na história dos descobrimentos portugueses, através da visita ao Museu dos Descobrimentos, inaugurado em 2009, e no qual puderam acompanhar a viagem que Pedro Álvares Cabral fez em 1500 e que resultou na descoberta do Brasil.

Museu Belmonte

Além desta forte ligação aos descobrimentos portugueses, Belmonte é também a sede da maior comunidade judaica em Portugal e possui, além da Sinagoga Bet Eliahu, um importante Museu Judaico, inaugurado em 2005. Através da visita a esse Museu, os visitantes da Asarc puderam conhecer um pouco da história da última comunidade judaica da Península Ibérica e que foi obrigada a converter-se à religião cristã, mas que, mesmo assim, nunca abandonou as tradições e os rituais judaicos vividos em segredo no interior de suas casas.

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Além da judiaria e do castelo de Belmonte houve ainda tempo para uma visita à igreja matriz datada de 1940, mas que alberga no seu interior a imagem de Nossa Senhora da Esperança que, segundo a lenda, terá acompanhado Pedro Álvares Cabral na sua viagem marítima até ao Brasil.

Covilhã e o Museu de lanifícios

De Belmonte seguiu-se para a cidade da Covilhã para almoçar num dos restaurantes da cidade. Depois do almoço, e após um breve passeio livre pelo centro da cidade, seguiu-se uma visita guiada ao Museu de lanifícios integrado na Universidade da Beira interior. Foi mais um interessante momento cultural que permitiu dar a conhecer a história e os processos do fabrico e do tingimento dos tecidos de lã, mais utilizados em Portugal, nos finais do sec.XVIII.

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O primeiro dia deste passeio terminou na cidade do Fundão onde os turistas seniores jantaram e pernoitaram. Após o alojamento no hotel e antes do jantar, tempo ainda para se percorrer o centro da cidade e visitar a igreja matriz do Fundão onde Amália Rodrigues foi batizada em 6 de julho de 1921.

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 Aldeias históricas de Portugal

 A Beira interior contém um conjunto significativo de aldeias históricas de Portugal que são motivo de atração turística, quer pela monumentalidade das suas muralhas, quer pela quantidade de ruínas arqueológicas que guardam segredos e escondem vivências de um passado longínquo.

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Depois de terem visitado Belmonte no 1º dia, os alunos da Asarc percorreram o espaço medieval de Idanha-A-Velha fundada pelos romanos no sec.I a.c e ocupada, ao longo dos séculos, por inúmeros povos, cujas vestígios se mantêm através de numerosas escavações arqueológicas e de diversos edifícios, como o lagar das varas e sobretudo, através da igreja de Santa Maria, antiga Sé Catedral que terá sido, em tempos idos, uma antiga mesquita.

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Após o almoço no hotel Fonte Santa, em Monfortinho, visita à aldeia de Sortelha, uma das 12 aldeias de Portugal mais bem preservadas e possuidora de uma beleza histórica, cultural e paisagística enormes.

Com o seu imponente castelo do sec.XIII e a sua torre de menagem, Sortelha oferece aos seus visitantes um ambiente medieval único, dominado pelo “reino do silêncio” e vigiado pelas Serra da Estrela e serra da Malcata.

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Com uma rica e diversificada componente cultural e turística, acompanhada de uma deliciosa gastronomia, o passeio anual da Asarc deste ano foi um excelente momento de convívio que exprime bem a qualidade de vida que a Asarc pretende proporcionar a todos os seus alunos e associados.

 José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº605  de 7 de  julho de 2024

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ENCONTRO SALESIANO EM AROUCA

por jcerca em 28 de Abril de 2024

 Com um programa muito cheio, e rigorosamente cumprido, realizou-se no dia 27 de abril um encontro da Família Salesiana que congregou 60 membros (SSCC e ADMA) vindos do Porto, Mogofores, Balazar e Arouca.

A recepção dos participantes teve lugar no parque municipal, à volta do busto de D.Bosco aí presente desde 2007 e que atesta, não só a passagem da Obra Salesiana por Arouca, bem como a permanência do espírito de D.Bosco, 42 anos após o encerramento do ex-Colégio Salesiano que funcionou em espaços do Mosteiro de Arouca entre 1960 a 1982.

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Estando em Arouca para participar numa tertúlia sobre o “futuro dos grupos de jovens” organizada pelo grupo de jovens da Paróquia de Santa Eulália de Arouca, na comemoração dos seus 40 anos de existência, Bruno Leite da Pastoral Juvenil Salesiana e responsável pelas “Conversas no pátio”, associou-se ao encontro e falou um pouco deste seu projeto.

Momento formativo e cultural.

Após o cântico “Pai e mestre dos jovens”, os participantes deslocaram-se para a igreja do Mosteiro de Arouca para a oração da manhã, preparada pelo grupo de Mogofores, e que teve lugar diante do altar da “Virgem de D.Bosco” que, desde 2022, tem exposta à devoção dos seus fiéis a imagem de Maria Auxiliadora que fazia parte do altar da antiga “capela dos Salesianos” que funcionou no antigo refeitório da comunidade cisterciense até 1982.

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Seguidamente teve lugar, numa das salas do Mosteiro de Arouca, um momento de reflexão sobre a devoção a Maria Auxiliadora pelo Pe. Gabriel que acompanhou o grupo do Porto. Depois de falar sobre a história do título de Maria Auxiliadora, ao longo dos séculos, o palestrante considerou D.Bosco como um dos maiores devotos e propagadores da devoção a Maria Auxiliadora, a sua “Mestra” que “tudo fez” ao longo da sua intensa vida dedicada à educação e evangelização dos jovens. Antes, porém, e na impossibilidade de estar presente neste encontro, foi lida uma linda mensagem do Delegado nacional da Família Salesiana, Pe, Artur Pereira, dirigida a todos os participantes.

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Seguidamente teve lugar  uma visita aos espaços conventuais, alguns dos quais foram utilizados pelos alunos do ex-Colégio Salesiano. Esta visita que foi acompanhada e enriquecida com os comentários de um guia do Mosteiro de Arouca, terminou numa visita ao Museu de Arte Sacra, onde os visitantes puderam apreciar a riqueza e a variedade do seu numeroso espólio aí exposto desde 1933.

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Momento gastronómico e de convívio

Depois da enriquecedora visita guiada ao Mosteiro de Arouca, teve lugar o necessário momento gastronómico e de convívio que constou de um almoço servido na cantina da Escola EB1 de Arouca, amavelmente cedida para este encontro.

A seguir ao almoço, um momento cultural e de partilha com a participação de todos os grupos envolvidos neste encontro e que decorreu nas instalações da Academia Sénior de Arouca, cedidas graciosamente pela sua Direção.

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Um dos números surpresa foi a atuação de Simão Oliveira, vencedor nacional do “The Voice Kids” 2021 e que interpretou uma canção sobre o “sonho dos 9 anos” e que será apresentada na Peregrinação Nacional Salesiana a Fátima, acompanhada de uma coreografia por jovens do Centro Juvenil Salesiano de Arouca. Este momento terminou com a entrega de uma pequena lembrança, feita pelo grupo de Mogofores, a todos os presentes.

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No programa deste encontro constava ainda uma prova de doçaria conventual e que teve lugar na esplanada da casa “Doces conventuais” que amavelmente permitiu que os visitantes tivessem conhecimento e provassem uma boa parte dos doces com origem no Mosteiro de Arouca.

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O intenso programa deste encontro encerrou com a celebração da Eucaristia na capela da Senhora do Carmo, seguindo-se, no final, a foto de grupo que teve como cenário o famoso “Calvário de Arouca”, datado de 1643 e declarado imóvel de interesse público desde 1948.

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José Cerca

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VISITA NOTURNA AO MOSTEIRO DE AROUCA

por jcerca em 19 de Abril de 2024

Para assinalar o Dia Internacional dos monumentos e sítios, que ocorreu no dia 18 de abril, a gestão tripartida do Mosteiro de Arouca organizou uma visita noturna aos espaços conventuais, incluindo uma passagem pelo Museu de arte sacra para os cerca de 60 visitantes, previamente inscritos, poderem conhecer e apreciar o seu rico espólio.

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O percurso da visita teve inicio frente à parede de granito que resta do primitivo Mosteiro de Arouca, do sec X, e que está patente na nova entrada para o Mosteiro. Seguidamente os visitantes fizeram uma pequena paragem num dos vários locutórios para visualizarem um pequeno vídeo, em desenhos animados, sobre a vida de Mafalda Sanchez.

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A visita continuou em direção aos Claustros com uma paragem na entrada nobre do Mosteiro onde foi dada breve explicação sobre a função da roda dos enjeitados ou dos expostos e cujo funcionamento permitia o anonimato e a privacidade de qualquer pessoa que aí colocasse, fosse o que fosse, destinado às freiras do Mosteiro cisterciense. Ainda na entrada nobre uma referência à presença das estátuas de S.Bento e S.Bernardo que foram os patronos dessa comunidade religiosa e cuja mudança de regra para a Ordem de Cister ocorreu em 1226 durante o governo de Mafalda Sanchez.

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Os claustros

Como espaço central na arquitetura monástica e elo de ligação às diversas dependências conventuais o Claustro, devidamente iluminado com tochas, proporcionou aos visitantes a fruição da sua beleza e do seu silêncio, apenas acompanhado do cantar da água a cair no seu fontanário central.

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Depois de elucidados sobre a função deste importante e belo espaço, a visita avançou para a cozinha onde foi feita uma breve referência à doçaria conventual que aí teve origem e que, de certo modo, já exprimia, então, algum exagero gastronómico na alimentação regrada das freiras.

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Da ampla cozinha passou-se à sala do capítulo, onde foi feita, não só a explicação das diversas funções que aí decorriam, por parte da comunidade religiosa, como também foi chamada a atenção para os belos azulejos setecentistas que revestem as suas paredes com motivos paisagísticos tão belos como intrigantes.

A paragem no coro baixo ou cadeiral foi o ponto alto desta visita noturna, não só pela riqueza da arte barroca aí presente, como também pela beleza dos retábulos que o envolvem, alguns das quais evocando momentos da vida da rainha santa Mafalda.

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Com os seus 104 assentos em madeira do Brasil, os visitantes tiveram ocasião de perceberem a função das “misericórdias” presentes em cada um dos assentos e de conhecerem a particularidade de nenhuma delas ser igual nos motivos que as identificam.

O imponente órgão ibérico datado de 1743, embora silencioso, contribuiu para a beleza desta visita e motivou a que o guia recordasse a grande e valiosa coleção de antifonários existentes no Mosteiro de Arouca, estando muitos deles já digitalizados e disponíveis, nesse suporte, para consulta dos interessados.

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Esta interessante e rica visita noturna terminou com uma digressão dos visitantes pelas diversas salas do Museu de arte sacra, instalado nos dormitórios conventuais desde 1933 e preenchido com um rico e variado espólio artístico a merecer uma nova disposição e uma melhor exposição, processo esse que já está em andamento.

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Aproximar o público do seu património para melhor o conhecer, apreciar e preservar são iniciativas a incentivar e a enaltecer como esta com que se quis assinalar o Dia Internacional dos monumentos e sítios deste ano.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº603  de 3 de  maio de 2024

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