A TERTÚLIA DA METÁFORA

por jcerca em 1 de Novembro de 2026

Escrita criativa

Estava quase a chegar o fim do ano letivo e a professora de Língua Portuguesa decidiu organizar uma tertúlia com uma das suas turmas mais exigentes e aplicadas.
No final de uma determinada matéria dada, a prof. Vera gostava de pôr à prova os seus alunos, de modo a mostrarem, de uma maneira prática, como tinham assimilado a matéria estudada.
A matéria que tinham abordado nas últimas aulas era sobre o conceito de metáfora e, por isso, decidiu organizar aquilo a que designou como “a tertúlia da metáfora”.
Surpreendidos com a ideia da professora de Português, a primeira reação foi de espanto para uns, de desilusão para outros e de rejeição para a maioria da turma.
Com uma atitude pedagógica e animadora que sempre caraterizava a sua atuação, a prof. Vera tentou logo serenar uma certa agitação que surgiu em toda a turma, logo após a proposta da referida tertúlia.
E sempre com um espírito positivo e encorajador, começou por dar algumas ideias sobre o funcionamento dessa tertúlia e quais os objetivos práticos da mesma.
À medida que a turma se ia acalmando, a professora começou a passar por entre as carteiras com um saco e pediu que cada aluno tirasse um papelinho à sorte. Depois pediu que, dois a dois, e durante 15 minutos, escrevessem metáforas sobre cada uma dessas palavras retiradas do saco.
Possuidores agora da metodologia proposta pela professora foi com grande entusiasmo que toda a turma se lançou ao trabalho, sobretudo depois da professora ter autorizado que cada um pudesse escolher o seu par metafórico para trabalhar.
Após o tempo estipulado, iniciou-se, então, a tertúlia para que cada grupo lesse a metáfora escrita e explicasse também o seu significado.
- Então, quem quer começar por ler a metáfora inventada? – perguntou a professora .
E quase todas as mãos se ergueram, de imediato, acompanhadas de um grande burburinho, como resposta ao pedido da professora.
Para disciplinar a participação entusiástica dos alunos, a professora propôs, então, que se começasse, pela ordem alfabética das palavras distribuídas.
- Então, quem tem palavras começadas pela letra A? – perguntou a professora para iniciar a tertúlia.
E logo várias mãos se ergueram com os papeis no ar onde se podiam ler Amor, Amizade, Alegria.
- Então, sendo por ordem alfabética, começa lá tu, Rita, com uma metáfora sobre a Alegria – indicou a professora Vera.
- “A alegria é um sol que nasce no peito e expulsa o inverno da alma.” começou por ler, toda contente, a Rita que logo foi ovacionada por uma sonora salva de palmas dos colegas.
- Muito bem, Rita – encorajou a professora. Começaste muito bem! E o que pretendes dizer com essa linda metáfora?
- Esta metáfora quer dizer que a alegria tem o poder de aquecer e iluminar os momentos mais sombrios ou tristes da nossa vida. Mas a minha colega, a Raquel, também inventou uma metáfora sobre este tema.
- Força, Raquel, lê lá então a tua metáfora e explica-nos o seu significado – pediu a professora.
- “A alegria é uma melodia que faz dançar até os pensamentos mais pesados.”
- Boa, Raquel! – aplaudiu a professora que começava a ficar cada vez mais entusiasmada com a produtividade dos seus alunos”- E isso quer dizer….
- Quer dizer que o bom humor, a alegria e a felicidade conseguem aliviar o espírito e afastar as preocupações da nossa mente. – explicou a aluna.
- Ó stora, nós ainda temos mais uma metáfora. Podemos? – perguntaram em uníssono a Rita e a Raquel.
- Claro que sim! Força!
“A alegria daquela criança é um rio em constante sobressalto, que transborda pelas margens dos seus olhos.” – Isto quer dizer que, muitas vezes, a alegria é tão grande que é impossível de conter e de controlar.
- Muito bem, Rita e Raquel. Estais de parabéns pelo vosso excelente trabalho. Passemos agora a outra palavra começada por A.
- Amizade – gritaram em coro o Tiago e o Manuel, erguendo nas mãos a próxima palavra.
- Que palavra tão bonita! – observou a professora. Certamente que também criastes boas metáforas para ela!
- Sim, stora! Criámos três metáforas com esta palavra! – disseram todo ufanos o Tiago e o Manuel.
- E a primeira é…..- indicou a professora.
- “A amizade é um porto seguro. Nos dias de tempestade emocional, é o lugar onde ancoramos o barco da nossa vida sem medo de naufragar.” Com esta metáfora queremos dizer que a amizade nos dá serenidade, confiança e tranquilidade, mesmo nos momentos mais difíceis da nossa vida – explicaram os alunos.
- Muito bem, Tiago e Manuel. Vamos então à segunda metáfora?
- “A amizade é um casaco de lã no inverno que nos aquece o peito e nos protege do frio da solidão.” Com esta metáfora queremos exprimir a importância da amizade nos momentos difíceis e o conforto e aconchego que ela nos dá, sobretudo nos momentos de solidão. – explicaram os alunos.
- Mas que beleza de metáfora! – exclamou a professora, cada vez mais contente com a imaginação e criatividade dos seus alunos. Vamos então à vossa terceira metáfora.
- “A amizade é uma partitura a quatro mãos. Duas vidas diferentes que, ao tocarem juntas, conseguem criar uma harmonia perfeita.”
- Fantástico! Que delícia de metáfora com motivos musicais e tudo! – exclamou a professora Vera. Descodifiquem-nos lá então essa partitura a 4 mãos – pediu a professora.
- Esta metáfora musical quer dizer que a amizade entre duas pessoas, por mais diferentes que elas sejam, consegue ultrapassar as diferenças naturais e construir uma harmonia no relacionamento entre pessoas diferentes.
- Muito bem, Manuel e Tiago. Parabéns pela vossa imaginação tão criativa! – elogiou a professora. Passemos agora à próxima palavra…..
- Amor – gritaram logo a Maria e a Susana, levantando o respetivo papel que lhe tinha calhado.
- “O Amor é a união de duas chamas pequenas que, ao acenderem o mesmo pavio, se tornaram um farol contra a escuridão.” Esta metáfora pretende simbolizar que o Amor multiplica a força e a luz de cada um, iluminando o caminho a dois – explicaram as duas alunas que pediram para acrescentarem mais uma metáfora:
“O amor é a união de duas mãos que se entrelaçam para criar um escudo contra os dias cinzentos.” Com esta metáfora pretendemos simbolizar o amor como um porto seguro e um espaço de conforto mútuo – explicaram a Susana e a Maria, todas orgulhosas pela sua prestação.
- Muito bem!….Estou muito orgulhosa de todos vós. Vejo que perceberam muito bem o conceito de metáfora e o estão a aplicar de uma forma deveras surpreendente. Vamos passar à próxima palavra?
No fundo da sala três mãos se ergueram com as respetivas palavras: união, nostalgia e morte.
- Então, seguindo a ordem alfabética, a próxima palavra será…..
- Morte!- gritaram o Tomás e o Rui.
- Ui!… Mas será possível inventar-se uma metáfora para uma realidade tão desagradável, desconfortável e triste como o é a morte? – observou a professora.
- Nós conseguimos fazer duas metáforas com esta palavra – avançou logo o Tomás.
“A morte é uma tempestade que nos estilhaça por dentro e por fora, deixando-nos de rastos”. Com esta metáfora queremos exprimir a violência emotiva da morte de alguém que nos é querido e que nos deixa completamente abalados.
- Pois eu inventei uma metáfora muito pequenina sobre a morte, mas também muito expressiva, para significar a profunda dor que a morte causa a qualquer ser humano – avançou o Rui.
- “A morte morde o coração com uma dentada bem afiada!”
- Espetacular!- exclamou a professora Vera, manifestamente satisfeita. Quem diria que era possível criar-se belas metáforas sobre um tema tão desagradável?!…. Parabéns, Tomás e Rui. Gostei muito das vossas metáforas. Vamos então à próxima palavra que, seguindo a ordem alfabética, será….
- Nostalgia – gritaram a Vera Lúcia e a Beatriz, ao mesmo tempo que mostravam o respetivo papel que lhes calhara.
- Para mim, “A nostalgia é o eco de um riso que o tempo já apagou.” disse a Vera Lúcia esclarecendo que o eco representa a ressonância de momentos felizes que ainda ouvimos na nossa mente, mesmo sabendo que o momento original já desapareceu há muito.
- Pois, para mim – atalhou a Beatriz – “A nostalgia é o perfume de uma estação do ano que nunca mais vai voltar.”
- E isso quer dizer…..- atalhou a professora Vera.
- Esta metáfora significa que a nostalgia é uma sensação invisível mas poderosa que já vivemos em certos períodos da nossa vida, mas que já não conseguimos replicar no presente.
- Stora Vera, podemos dizer mais uma metáfora sobre este tema?
- Claro que sim! Força!
- “A nostalgia é uma âncora lançada num mar que já secou.” Essa âncora simboliza aquela sensação de estarmos presos ou agarrados a um passado que já não existe no presente e que, por vezes, nos paralisa e nos impede de navegar para a frente.
- Muito bem vistas estas metáforas sobre a nostalgia- observou a professora. Estais de parabéns, pela beleza da vossa criatividade. E vamos, finalmente, à última palavra que é….
- União!- respondeu em uníssono toda a turma depois da Marta ter levantado o último papel distribuído.
- E olhem que vamos terminar muito bem com esta palavra tão bonita e tão cheia de significado para esta turma: União! Vamos lá então terminar a nossa tertúlia metafórica. Começa lá tu, Marta!
- “A união é a argamassa invisível que transforma tijolos dispersos num castelo inabalável.”
- Uau!Mas que lindo!…. Queres explicar-nos o seu significado, Marta?
- Isto quer dizer que o valor da união não está nos indivíduos isolados, mas naquilo que os mantém unidos, colados e firmes, mesmo perante as adversidades.
- Mas que linda metáfora e que bela explicação! Parabéns!
- Obrigada, stora, mas a minha colega, a Sofia também fez uma metáfora sobre a união.
- Vamos a ela, então, Sofia!
- “A união é o abraço de dois rios que esquecem os seus nomes para se tornarem mar.”
- Mas que beleza de metáfora!- exclamou a professora Vera, verdadeiramente emocionada com o trabalho dos seus alunos – Parece mesmo a cereja em cima do bolo para terminarmos esta tão produtiva tertúlia metafórica! Agora só falta explicar-nos o significado desta última metáfora!
- Esta metáfora dos dois rios que esquecem os seus nomes para se tornarem num imenso mar – explicou a Sofia – significa a importância de sabermos esquecer o nosso ego pessoal em favor de algo maior e mais valioso que se consegue através da união, tal como já tem acontecido em muitas das atividades da nossa turma.
E foi com uma vibrante salva de palmas e com a turma toda em pé que terminou esta tertúlia da metáfora que deixou verdadeiramente orgulhosa, não só a professora Vera, como todos os alunos que nela participaram, de uma maneira muito criativa e entusiasmada.
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Arouca, 26 de junho de 2026
José Cerca

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O REGRESSO DO PRINCIPEZINHO

por jcerca em 1 de Novembro de 2026

O principezinho voltou e não foi fácil reconhecê-lo!

“Se um menino vier ter convosco, um menino que está sempre a rir, um menino com cabelos cor de ouro e que nunca responde quando se lhe faz uma pergunta, já sabem quem ele é.
Então, por favor, sejam simpáticos! Não me deixem ficar assim triste. Escrevam-me depressa a dizer que ele voltou.”

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Passados muitos anos, depois de ter lido o “Principezinho” de Antoine de Saint Éxupery, andava eu a caminhar descontraído pela Serra da Freita, todo embebido pela sua beleza contagiante, quando, de súbito, me deparo com um jovem, muito bem vestido, com “cabelos cor de ouro” e cuja extraordinária beleza me chamou logo a atenção.
Nessa tarde, a Freita apresentava-se toda revestida de um lindo e multicolorido tapete que constituía uma bela moldura para o enquadramento daquele estranho jovem.
De costas para mim, o jovem apoiava as suas mãos na proteção metálica do Miradouro do Detrelo da Malhada, localizado no ponto mais alto da Serra da Freita.
Contemplando, quase absorto, toda a linda paisagem que dali se avistava, o jovem continuava estático e solitário no Miradouro, sem se aperceber da minha presença.
Fui-me aproximando, sem ele dar por isso, de tão contemplativo que estava e, um pouco receoso, ousei perturbar o seu estado de espírito meditativo:
- Boa tarde!….
Ao ouvir a minha saudação, volta-se para trás e dou com o rosto de um belo jovem muito sorridente e emoldurado por uma abundante cabeleira dourada.
- Então aqui sozinho a admirar a natureza, a partir deste belo miradouro?
- “Também se está sozinho ao pé dos homens” – respondeu-me ele, enigmaticamente, deixando-me surpreendido e intrigado com a sua resposta.
- Lá isso é verdade! – concordei eu, mesmo sem entender bem onde aquele jovem queria chegar com tal resposta.
- Mas olhe que, por vezes, é preferível estar-se sozinho para podermos estender tranquilamente os nossos olhos através da beleza que esta linda Serra nos oferece.
- “Os olhos são cegos. Só se vê bem com o coração” – continuava a responder-me, tão enigmática como filosoficamente, esta estranha personagem. E depois de um breve momento de silêncio acrescentou, acentuando cada palavra proferida:
- “O essencial é invisível aos olhos”!…
- Não estou a entender muito bem onde o meu amigo quer chegar com as suas respostas tão sábias, mas tão enigmáticas e incompreensíveis para mim!…- respondi-lhe eu, um pouco a medo por revelar assim a minha ignorância e a minha pouca perspicácia.
- “A linguagem é uma fonte de mal-entendidos” – respondeu-me ele, enquanto continuava apoiado no miradouro e voltado para o vale que dali se contemplava.
- Gostaria de poder travar um melhor conhecimento consigo, mas está difícil de nos entendermos. Até parece que vivemos em mundos diferentes!…
- “Só se pode exigir a uma pessoa o que essa pessoa pode dar”!…- respondeu-me o jovem, sempre no seu estilo enigmático, continuando a revelar uma profundidade de pensamento, com uma certa matriz filosófica, cujo sentido me estava a escapar quase na sua totalidade.
- Embora sem entender completamente onde o meu amigo quer chegar, não posso deixar de concordar consigo.
Ao ouvir isto, o jovem volta-se de novo para mim e com um sorriso meio enigmático, mas profundamente encantador, diz-me, pausadamente, acentuando cada uma das suas palavras:
- “É mais difícil julgarmo-nos a nós próprios do que aos outros”!…
Um silêncio desceu sobre nós, talvez para nos ajudar a ambos a refletir na grande verdade que acabava de ser dita por esta estranha personagem que eu acabara de encontrar mergulhado na beleza solitária da Serra da Freita, naquela linda tarde de Primavera. Depois, com um ar muito sério e adotando uma atitude magistral acrescentou, vincando cada uma das suas palavras:
- “Se conseguires julgar-te a ti próprio és um autentico sábio”!…
Fiquei surpreendido por esta estranha figura começar a tratar-me por tu. Isto deu-me um certo à vontade e trouxe uma maior aproximação entre nós, tornando-me assim um pouco mais efusivo e menos reservado:
- Bravo!…Bravo!…Essa agora entendi totalmente e concordo, em absoluto, com tão grande verdade!…
- “As pessoas crescidas estão sempre a precisar de explicações!”
Não sei se foi uma indireta à minha presunção, acabada de manifestar, ou se foi mais uma das suas verdades, cujo sentido voltou a escapar-me. Mesmo assim, não tive relutância em manifestar, uma vez mais, a minha ignorância e a minha dificuldade em acompanhar o seu enigmático discurso. Ao que ele me respondeu:
- “As crianças têm de ser muito indulgentes para as pessoas crescidas”.
Novamente intrigado com esta resposta, fiquei na dúvida se ela não seria uma crítica direta à minha dureza e lentidão de compreensão.
A tarde caminhava para o seu fim. Lá longe, no horizonte avermelhado, o Sol começava a mergulhar no oceano, pintando um cenário de uma beleza indescritível e que era bastante frequente admirar-se daquele belo miradouro da Freita.
- Lamento imenso, mas temos que nos despedir, pois o dia está a chegar ao fim e o Sol não tarda a por-se no horizonte – disse eu, apontando para o poente onde nuvens, tingidas de vermelho, começavam a esconder os raios do Sol.
- “Se tu me cativares, a minha vida fica cheia de sol” – respondeu o jovem com um encantador sorriso tão belo e caloroso como o Sol que se acabava de por, lá longe, no horizonte, todo matizado de tonalidades vermelhas e douradas.
Foi então que, de súbito, uma espécie de raio atingiu a minha mente, trazendo luz à minha lenta compreensão. Afinal, aquele belo e simpático jovem que tinha ali à minha frente era, nem mais nem menos, que o Principezinho!…. E ao recordar-me do seu enigmático discurso que tinha tido comigo, mais essa certeza se consolidou.
Transtornado e comovido com esta surpreendente descoberta ia a falar, já com os braços abertos para o abraçar, quando ele, levantando a sua mão e com o dedo indicador erguido, me diz pausadamente:
- “Só conhecemos o que cativamos!”
Ao ouvir isto, uma enorme empatia surgiu, de repente, entre nós, ao mesmo tempo que um grande abraço acabava de selar a nossa amizade e o nosso surpreendente encontro. E, continuando com a sua linguagem enigmática, mas profunda e cheia de grande sabedoria, o Principezinho remata:
- “É bom ter tido um amigo, mesmo quando se vai partir!”
Ao ouvir a palavra “partir” sair da boca do Principezinho, uma sensação de tristeza profunda me invadiu, ao pressentir, dentro de mim, a partida inesperada daquele amigo que acabara de me “cativar”. E ao ler no meu rosto a tristeza que começava a brotar do meu coração o jovem Principezinho observa, com o dedo erguido para mim:
- “É tão triste esquecermo-nos de um amigo”!….
Ia para concordar com ele, pois desta vez não tive qualquer dificuldade em compreender a sua linguagem, mas o jovem, com uma certa tristeza e mágoa no seu rosto, conclui:
- “Nem toda a gente teve um amigo na vida!”
- Felizmente que não é esse o meu caso – ia eu a começar a responder, quando, de repente, sem saber como, o jovem Principezinho desapareceu da minha vista, deixando-me ali sozinho, mas com uma sensação de paz e de uma felicidade interior inexplicáveis. Não sei para onde terá ido este meu fascinante amigo, mas certamente que terá partido para um outro Planeta bem mais digno da sua cativante inocência, da sua extraordinária bondade e da sua profunda sabedoria.
- Adeus, meu querido Principezinho! Na verdade, “só conhecemos o que cativamos”! E tu cativaste-me para sempre!…
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José Cerca – 25.09.2026

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ECOS ENTRE AS SERRAS – Concerto em Tropeço

por jcerca em 1 de Novembro de 2026

A igreja de Tropeço foi o palco que acolheu, na noite de 31 de Outubro, a 3ª edição dos “Ecos entre as Serras” promovido pelo Circulo Cultura e Democracia.
Sendo a igreja um espaço destinado ao culto, onde a música sacra desempenha um papel importante na animação e vivência litúrgica, desta vez esse espaço abriu-se à pluralidade da música, onde o órgão e o violino estiveram presentes, enchendo a igreja de uma multiplicidade de registos sonoros que fizeram deste concerto um belo momento musical e cultural, na véspera da festividade de Todos os Santos.
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Além destes instrumentos que interpretaram diversas peças de J.S.Bach (1685-1750), quer em órgão, pelo neozelandês Jun-Bouterey-Ishido, quer em violino pela portuguesa, com raízes em Arouca, Matilde Loureiro, este concerto teve ainda a participação das Cantadeiras de Adaúfe e das Cantadeiras de Tropeço que interpretaram algumas “cantas” populares onde a beleza da harmonia vocal destas cantadeiras fechou, com chave de ouro, este belo concerto.
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E assim, numa noite, a que alguns chamam das bruxas, ou em que outros dão prioridade a festejos que pouco ou nada terão a ver com as nossas tradições e a nossa cultura, como é o caso do Halloween,em Tropeço aconteceu magia através da simbiose entre a música clássica, intemporal e eterna, como o é a música de Bach, e a música que brota da terra e das lides rurais e que foi expressa através da harmonia polifónica das “cantas” que as Cantadeiras de Adaúfe e de Tropeço trouxeram para este concerto.
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No final do concerto foi oferecido um ramo de flores aos artistas profissionais (organista e violinista) e entregue uma rosa a cada elemento dos dois grupos de cantadeiras.

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Registe-se a boa afluência do público a este Concerto, tendo sido gratificante para intervenientes e organizadores ver a igreja cheia de um público que seguiu com muito interesse este concerto. O próximo concerto dos Ecos entre Serras terá lugar no dia 15 de Novembro, domingo, pelas 16.00h no Mosteiro de Arouca, no espaço da Biblioteca D. Domingos de Pinho Brandão.
José Cerca

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ALEGRES DINÂMICOS E SERVIÇAIS

por jcerca em 11 de Maio de 2026

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Com a presença do padre João de Brito, Diretor dos Salesianos Porto, teve lugar na tarde do dia 9 de maio, na igreja do Mosteiro de Arouca, a cerimónia da imposição dos lenços aos diversos grupos ADS – Amigos de Domingos Sávio e Club Bosco, grupos estes que fazem parte do Movimento Juvenil Salesiano.
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Tais grupos funcionaram em Arouca desde 2008, acabando por se desintegrarem com o período da pandemia (2021).
Durante a cerimónia, integrada na missa vespertina da comunidade local, foi evocada a memória da Leonor, que partiu para a eternidade em 2014 com a idade de 9 anos e que, mesmo tão cedo, aprendeu a ser alegre, dinâmica e serviçal, através da sua participação nos grupos ADS, onde continua a ser muito acarinhada. Prova disso foi a visita que estes jovens fizeram à sua campa, horas antes da imposição dos lenços.
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Integrados na Família Salesiana de Arouca e com o apoio intergeracional e colaborativo dos Salesianos Cooperadores, esta cerimónia foi acompanhada com grande alegria por parte da comunidade, representando um momento de rejuvenescimento do espírito de D.Bosco em Arouca, 44 anos após o encerramento do Colégio Salesiano.
No final da Eucaristia seguiu-se um momento de confraternização e de convívio com os jovens, seus familiares e muitos Salesianos Cooperadores que manifestaram a sua alegria pelo enriquecimento que este grupo veio trazer à Família Salesiana de Arouca.

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Ciclo de música “Ecos entre as Serras”

por jcerca em 10 de Maio de 2026

Embora sem o cenário esplendoroso dos salões de Viena, emoldurados de arte barroca, Arouca teve o privilégio de poder saborear um pouco da música de dois famosos compositores que, nos finais do sec.XVIII enchiam os salões das grandes cidades austríacas, com a beleza sinfónica das suas composições.
Referimo-nos a Wolfgang Amadeo Mozart e a Ludwig van Beethoven.
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Num espaço bem mais singelo do que os de Viena, mas também ele revestido de numerosas estantes contendo o espólio bibliográfico do grande investigador e estudioso arouquense que foi o bispo D.Domingos de Pinho Brandão, o vasto público que enchia a biblioteca memorial D.Domingos de Pinho Brandão teve ocasião de saborear duas obras clássicas destes compositores, nomeadamente, o Divertimento em Ré Maior de Mozart e o Concerto para piano de Beethoven, numa adaptação para quinteto de cordas, cujos intérpretes são elementos do grupo “Sinfonietta de Braga” que tem como principal objetivo a divulgação da música clássica.
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Este concerto que teve lugar na tarde do domingo 10 de maio insere-se no Ciclo de Música “Ecos entre as Serras”, já na sua 3ª edição e promovido pelo Círculo Cultura e Democracia, com a colaboração da Real Irmandade Rainha Santa Mafalda, do Município de Arouca e do Mosteiro de Arouca, bem como o apoio da CCDR Norte.
No final do Concerto, fortemente aplaudido,os presentes foram ainda brindados com uma peça extra programa de Béla Bartók, considerado um dos maiores compositores da Hungria e cuja peça foi interpretada pelo pianista Jun Booterey-Ishido, natural da Nova Zelândia, a lecionar piano no Conservatório de Bragança.

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