Um Acordo sem acordo pacífico
Apesar de já ter pouco mais de duas dezenas de anos, apesar de não ter sido nada pacífico, tendo criado à sua volta, tanto convictos defensores, como acérrimos opositores, a verdade é que, desde o dia 1 de Janeiro de 2009, o tão polémico acordo ortográfico começou a vigorar no Brasil, 23 anos depois de se ter iniciado a sua discussão entre os diversos países Lusófonos, que abrangem cerca de 240 milhões de cidadãos.
Desde esse dia, os brasileiros começaram a aplicar na ortografia da Língua Portuguesa algumas regras, quer quanto à acentuação, em que vários acentos desapareceram em palavras que até aí os usavam (voo, enjoo, creem, releem…), quer quanto ao desaparecimento do hífen em muitas palavras (antirreligioso, estraescolar, motosserra,…), quer ainda quanto ao desaparecimento de diversas consoantes mudas (batizar, acão, redação, Egito….). Por sua vez, o trema, que em Portugal já não se usava, desde o acordo de 1945, deixou agora também de ser utilizado no Brasil. Além disso, o nome dos meses e das estações do ano deixam de ser escritos com letra maiúscula.
Em Portugal este acordo, que vai ter 6 anos de adaptação, contra os 4 anos no Brasil, irá alterar a escrita de cerca de 2200 palavras, num universo de 110 mil, pelo que não será muito difícil pô-lo em prática, tanto mais que é um acordo que não vai alterar a sintaxe da Língua, mas apenas pretenderá unificar a escrita da Língua Portuguesa, reduzindo ao mínimo, as diferenças na grafia de um conjunto de vocábulos, usados no vasto mundo lusófono.
Se hoje, apesar das diferenças ortográficas existentes, conseguimos ler e perceber na globalidade, um texto escrito em 1500, quando os Portugueses chegaram ao Brasil, não haverá razão para tanta crítica ou oposição a este mais recente acordo. E essa comparação, passados 500 anos, só nos confirma e atesta que, na verdade, uma língua é algo vivo e sujeito a evolução não só vocabular, como semântica e até sintáctica.
Sendo um instrumento de comunicação, abrangendo para mais uma vastíssima extensão geográfica, como é o Mundo Lusófono, a Língua Portuguesa terá forçosamente de evoluir e aceitar na sua estrutura funcional as mutações de um mundo em permanente mudança.
José Cerca
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Eu congratulo os esforcos por unificar as regras ortográficas da língua que eu adoro: O meu portugues.
Sou estrangeiro e falo portugues faz dez anos, vejo com bons olhos a mudanca na hifenizacao, mas discordo com a supressao do trema, pois como estrangeiro, considero que voces caem no erro de assemelhar na escrita palavras como “seguir” com outras como “pingüim” e por isso mesmo derivar numa confusao na pronúncia. Além disso, também correm o risco de assemelhar o portugues ao espanhol, por exemplo, um hispano-falante pode crer que equino nao se pronuncia ecuíno e pretender que é ekino, veem como pode ser útil o trema.
Nao percam outros acentos como o agudo nas paraoxítonas como Sérgio, Márcia: ODIARIA QUE O PORTUGUES PERDESSE A SUA ORIGINALIDADE e SE APROXIMASSE TANTO DO ESPANHOL.