Volta e meia o assunto das faltas ao trabalho no funcionalismo público ganha exposição pública, saltando para a ribalta dos meios de comunicação social.
Ainda recentemente este tema foi objecto de notícia nacional e de grande celeuma política, quando cerca de 30 deputados do PSD faltaram à votação no Parlamento, inviabilizando, assim, a aprovação de um projecto do CDS-PP que visava a suspensão do modelo de avaliação do desempenho dos professores.
Objecto de inúmeras críticas, muitas delas vindas mesmo do interior do próprio partido mais faltoso, causou surpresa e uma merecida indignação, na opinião pública, a tentativa de justificação das faltas dadas pelos nossos deputados, que o ex-Presidente da Assembleia da República, Dr.Almeida Santos quis arranjar afirmando que «Não se paga aos deputados o suficiente para que sejam todos apenas profissionais. Quanto às justificações para as faltas, é verdade que a sexta-feira é, em si própria uma justificação, porque é véspera de fim-de-semana. Eu compreendo isso. Talvez esteja errado que as votações sejam à sexta-feira. Não julguemos também que ser deputado é uma escravatura, porque não é, nem pode ser. É preciso é arranjar horas para a votação que não sejam as horas em que normalmente seja mais difícil e mais penoso estar na Assembleia da República».
Simplesmente revoltantes e ofensivos para quem, de facto, trabalha, são estes argumentos invocados pelo ex-Presidente da nossa Assembleia da República. E depois, com escândalos destes, não queiram os nossos políticos que os cidadãos se alheiem da política, pelo menos na altura das eleições!….
Mas o assunto das faltas voltou de novo à baila, esta semana, quando foi divulgado o total de faltas dados pelos nossos sacrificados deputados na Assembleia da República, nesta legislatura.
De acordo com os dados disponíveis no site do Parlamento, os deputados já faltaram 5445 vezes nesta legislatura, que se iniciou em Maio de 2005, sendo o PSD o grupo parlamentar que mais ausências registou, totalizando quase 50% dessas faltas, o que equivale a 2655 faltas.
Do total de faltas dados pelos deputados do nosso Parlamento a sua maioria, foram justificadas com “trabalho político”, figura tão abrangente que engloba todas as justificações possíveis e imaginárias, como, por exemplo, assistir a um jogo de futebol. Registe-se que apenas 73 faltas dadas pelos deputados foram injustificadas, sendo 35 para o PSD e 30 para o PS.
Mas o assunto das faltas não é exclusivo dos deputados. Também esta semana, as faltas dos médicos foram tema de notícia, quando o presidente do Hospital de São João, no Porto, como medida de diminuir a taxa de absentismo dos médicos da Função Pública e aumentar os índices de produtividade, decidiu passar a publicar as listas das ausências ao serviço dadas pelos médicos daquele Hospital.
Tal como seria de esperar perante uma medida destas, era certo e sabido que Sindicatos e Ordem dos Médicos se iriam opor , o que prova, mais uma vez, que não é o interesse dos doentes e da saúde pública que defendem, mas sim o corporativismo de uma classe que, tal como todas as outras, integra dedicados profissionais, como também gananciosos e negligentes médicos mais preocupados com as suas clínicas privadas.
Pena é que tal medida, protagonizada pelo Presidente do Hospital de S.João, no Porto, não seja aplicada em todos os estabelecimentos de Saúde pública.
Talvez alguma coisa mudasse para bem dos seus sacrificados utentes.
José Cerca
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Caro Sr. Dr. José Cerca,
Apenas para informar que o nosso Presidente da Assembleia da República eleito já há 4 anos, é o Sr. Dr. Jaime Gama, e não o Sr. Dr. Almeida Santos, que nem Deputado é.
Quanto às faltas, justificações e outras interpretações, convêm não generalizar. Gosta-se tanto de apontar o dedo aos deputados faltosos sem indicar nomes, porque não condena quem falta e elogia quem não falta? Que por acaso até o caso de um vizinho seu? Incomoda é?
Cumprimentos.
Caro Dr.Alberto Souto
Antes de mais nada agradeço-lhe o reparo que fez ao meu lamentável lapso na troca do nome do actual Presidente da Assembleia da República, pelo do seu antecessor.
Quantos às faltas, quer na classe política, quer na dos professores, médicos, advogados ou outra qualquer, é óbvio que há sempre funcionários cumpridores das suas obrigações, ao lado de outros menos cumpridores, ou até escandalosamente faltosos.
É natural que num apontamento como este que escrevi sobre o assunto das faltas não seria correcto, nem sequer importante, referir nomes, sejam eles quais fossem, até porque não são casos individualizados que estão em causa, mas sim o mau exemplo que os deputados, por culpa de alguns (que não a maioria) dão do funcionamento dessa Órgão. E não me venha dizer, que 5445 faltas não é simplesmente escandaloso, tanto mais tratando-se de faltas ao serviço numa instituição que deveria primar pelo bom exemplo perante a Nação e os seus eleitores.
Que rentabilidade teria uma qualquer empresa em que os seus trabalhadores tivessem uma semelhante taxa de absentismo?
Quanto ao meu “vizinho” e porque o conheço bem, tenho a certeza de que ele, tal como muitos outros deputados, não se sentirá atingido nas minhas críticas, pois “quem não deve, não teme” e, como bem diz o nosso povo, “só enfia a carapuça a quem ela lhe servir”. Além do mais, esse meu “vizinho” e amigo foi dos poucos deputados que teve a coragem de denunciar algumas das demasiadas benesses que V.Ex.cias usufruem num País em que a maioria dos trabalhadores continua a ser arduamente fustigada pela crise.
José Cerca
Bom dia,
O comentário do Dr. Alberto Souto, se é deputado, revela realmente o que os deputados, ou muitos deles, acham… veja-se que ele queria que quem não falta fosse elogiado. Porquê? Desde quando fazer a nossa obrigação merece elogio?
Não tarde nada temos os deputados a pedir um subsidio de assiduidade.
Haja decoro!
Sr. Dr. José Cerca, compreendo o seu ponto de vista apesar de não concordar com ele. E é fácil explicar porque. O senhor escreve em 5445 faltas. Sabe o que está a dizer? Não, não sabe. Limita-se a ler esse numero gordo em algum jornal e depois cria uma teoria à volta do mesmo. Desafio-o a explicar essas 5445 faltas.
Por fim, o dr. josé “muda” o nome de Almeida Santos no seu Texto, para Jaime Gama, mas continua errado e enganado. As afirmações são de facto do Sr. Almeida Santos. Eu apenas referi que ele já não era Presidente. O que o Sr. Dr. deveria ter colocado era um “ex” atras de presidente e não simplesmente mudar o nome.
O Dr. Jaime Gama nunca proferiu essas palavras.
É tão simples escrever asneiras não é?
Meu caro Dr.Alberto Souto
Aqui não há teorias nem meias teorias. Há faltas ao serviço público e nada mais. E elas até estão devidamente localizadas no respectivo período a que se reportam, cuidado que tive em referir,pois só por si “esse número gordo” pouco diria. Agora que toda a gente reconhece serem demasiadas faltas para o período a que elas se referem, é um facto.
É óbvio que não me compete “explicar essas 5445 faltas” como me desafia. As faltas não se explicam, justificam-se o mais honestamente possível, embora todos saibamos que na justificação matriz de “serviço político” cabe tudo,mentiras inclusive.
Quanto à autoria da afirmação que pretende justificar as faltas dos deputados na referida sessão de votação sempre a atribuí ao Dr.Almeida Santos, tal como consta na fonte de que me socorri, daí pedir desculpas ao Dr.Jaime Gama, pelo lapso a que, involuntariamente, me induziu o Dr.Souto.
Felicito-o, no entanto, por “compreender” o meu ponto de vista, embora não concorde com ele.
Mas isso é a prática diária da nossa democracia. E ainda bem que assim é. A diferença de opinião não tem que implicar concordância, nem muito menos, deverá criar atritos no relacionamento entre as pessoas. O que será o caso, segundo espero.