
A tomada de posse do Presidente de qualquer País mobiliza habitualmente toda a comunidade desse mesmo País. Algo de muito diferente aconteceu, porém, com a tomada de posse do 44º Presidente dos Estados Unidos da América, a ponto de lhe terem já atribuído a designação de “Presidente mundial”. Efectivamente, a tomada de posse de Barack Obama, no passado dia 20 de Janeiro, foi um acontecimento político que mobilizou a atenção de todo o Mundo, criando elevadas expectativas sobre os ombros do primeiro presidente negro dos Estados Unidos e confirmando a América num elevado patamar de liderança mundial.
Juramento sobre a Bíblia
A tomada de posse do novo Presidente americano, entre variadíssimos momentos políticos, culturais e protocolares, teve também um momento religioso marcado não só pelo juramento sobre a Bíblia, por sinal a mesma usada pelo Presidente Abraham Lincoln, em 1861, como também pelo discurso e bênção de dois pastores evangélicos.
Esta componente religiosa na cerimónia de tomada de posse de Barack Obam parece ter incomodado alguns portugueses, habituados que estão a manifestarem, sistematicamente, em nome da “liberdade”, a sua aversão a tudo o que meta o nome de Deus, ou simbologia religiosa.
Houve até mesmo quem tenha declarado em Blogs seus, ter-se sentido “enjoado” com o gesto do novo Presidente jurar sobre a Bíblia e de invocar o nome de Deus para a América.
Seria de estranhar, de facto, que o laicismo, o anticlericalismo, o ateísmo e outros termos terminados em ismo, como por exemplo, fundamentalismo, frequentemente comuns a certos pseudo-intelectuais, não lhes viesse incomodar ou perturbar a serenidade, perante o expressivo e tradicional gesto do novo Presidente da América jurar sobre a Bíblia.
Afinal o que tal “enjoo” revela é, simplesmente, a intolerância e a falta de respeito de certas pessoas, por crenças, tradições e convicções de outros povos, neste caso do povo Americano, simbolizado no seu carismático Presidente.
Eu imagino até o alarido estérico que ecoaria em Portugal, sobretudo em determinado tipo de comunicação social, caso um político qualquer, de elevada posição institucional, ousasse referir o nome de Deus num seu discurso de tomada de posse.
Pelos vistos não terá também agradado a tais iconoclastas a mensagem que o Papa enviou ao novo Presidente desejando-lhe “que os americanos possam continuar a sua herança política, religiosa, os princípios éticos e os valores espirituais necessários à cooperação para a construção de uma sociedade verdadeiramente justa e livre, marcada pelo respeito, pela dignidade, igualdade de direitos entre todos os seus membros, em especial dos pobres, dos marginalizados e dos que não têm voz”.
José Cerca
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Permita-me só comentar 2 pontos:
1º- Barack Obama era muçulmano e converteu-se (ao que sabemos) ao catolicismo (numa versão muito inusitada, liderada pelo pastor Wright, acho que é assim). Isto para dizer que ter o livro do catolicismo na mão e não ter o Corão ou um outro qualquer livro sagrado, no meu ponto de vista, é uma questão meramente protocolar, que talvez pretenda invocar a fundação dos EUA, em que o cristianismo teria grande peso e influência na sociedade daquele tempo. Hoje em dia, gabando-se os EUA de serem o país mais livre do mundo, de serem multiculturais e tolerantes, vermos o seu presidente jurar exercer fielmente os seus poderes com a mão sobre, apenas, a Bíblia, dá que pensar. Porque não substituir esta prática pela presença de representantes de todas as religiões (ou as mais significativas)? Não será questionável usar apenas o símbolo religioso dos cristãos?
2º O caríssimo prof. Cerca indigna-se, no seu direito, ao ler opiniões distantes das suas no meio mais democrático de comunicação que existe, a internet. Bom, mas apelidar os autores dessas opiniões de intolerantes e desrespeitosos não ajuda nada a defender a sua posição. Todos nos gabamos da liberdade que temos. Temos o direito de dizer e escrever o que pensamos. É um direito.
Deixo-lhe esta questão: o que acha do catálogo aplicado pelos cristãos aos muçulmanos do mundo (terroristas, fundamentalistas, etc), apenas pelos actos de alguns? Não será intolerância e falta de respeito?
Caro F.Santos
1.Em primeiro lugar só para esclarecer que a Bíblia não é propriamente “o livro do catolicismo”, mas sim do cristianismo, sendo seguida por diversas religiões cristãs, nomeadamente protestantes e ortodoxas.
Além disso, sendo o livro mais traduzido e conhecido em todo o Mundo, ele faz parte do Património mundial, além de ser, obviamente, o livro por excelência dos católicos e protestantes, considerado mesmo “O Livro dos Livros”.
Como tal, não me parecerá que seja uma questão meramente protocolar a sua presença na tomada de posse do Presidente da América, mas creio bem que irá muito além do protocolo e até mesmo da tradição. Mas aí já estaríamos a entrar no campo da fé e das convicções religiosas, aréa essa em que não tenho pretensão de entrar, por se tratar da esfera pessoal de cada pessoa.
2.Quanto ao 2º ponto, devo dizer que não me indigno com opiniões diferentes das minhas. Posso não concordar com elas, mas respeito-as. Agora parece-me que estar-se a criticar hábitos, tradições e convicções de outros povos não traduzirá lá muito respeito nem tolerância.
3.Qunto à questão que me deixa, a resposta está na própra pergunta feita. Obviamente que, tal como os epitetos de terrorista e de fundamentalista não se podem aplicar genericamente à religião muçulmana, só porque alguns, apelidados de muçulmanos, cometem actos terroristas, também não será correcto dizer-se que são os cristãos que utilizam tais atributos para com os muçulmanos.
Caro Prof Cerca
Começando pelo fim: as maiores rivalidades religiosas da história aconteceram (e acontecem) entre quem? Católicos e muçulmanos, são as duas religiões predominantes no planeta (a muçulmana com mais fiés, segundo as contas oficiais), portanto não são os hindus que apelidam os muçulmanos de terroristas. Mas não é este ponto que pretendia comentar.
Depois, de facto podemos achar que outras opiniões são intolerantes, concordo. Mas eu prefiro usá-las para melhor defender as minhas opiniões do que catalogar quem é diferente de mim. E espero o mesmo de quem difere de mim.
Por fim, e o mais importante, não questiono a importância da Bíblia na sociedade e do significado que tem. O que questionei é se não seria mais democrático e saudável a presença na cerimónia de posse do Presidente dos EUA de representantes das várias religiões. Porquê?
Se o presidente da Indonésia tomar posse com a mão no Corão, não me escandaliza, afinal 90 e tal por cento da população daquele país é muçulmana. Mas o Presidente dos EUA, país que pretende liderar em várias áreas, nomeadamente no diálogo inter-religioso, deveria ter em maior consideração os ideais ideológicos dos muitos milhões no mundo que viram a sua tomada de posse. Seria um bom primeiro passo na aceitação de Barack Obama como pessoa de diálogo e , lá está, tolerante.
Agora sim, por último , peço desculpa pela definição errada que possa ter dado da Bíblia. Ao referir livro do catolicismo, estava a pensar em mim, pois sou católico.
N a minha opinião barack obana e um otimo presidente !!!!!!!!! espero melhoras pro seu país e pro mundo!!!!
ISTO DE USAREM A BÍBLIA,NÃO É NADA DE NOVO,ATÉ NOS TRIBUNAIS USEM-NA,ATÉ OS INQUISIDORES A UTILIZAVAM NOS SEUS TRIBUNAIS SUJOS DO SANGUE DOS INOCENTES,É TUDO UMA FACHADA SEM PROVEITO,MAS DEUS NÃO DORME.