Da Educação aos casamentos gay

por jcerca em 29 de Janeiro de 2009

Uma perigosa táctica politica do PS

Quer etimologicamente, quer juridicamente, ou mesmo até religiosamente, casamento é, e será sempre, a união entre duas pessoas de sexo diferente, tal como ainda recentemente alertou o Cardeal Patriarca de Lisboa, insurgindo-se contra a utilização desta palavra, para referir a união entre pessoas do mesmo sexo.

Mesmo assim, e apesar do País estar cada vez mais cheio de problemas sociais e económicos, o Partido Socialista já assumiu o compromisso de legalizar o “casamento homossexual”, na próxima legislatura, como se tal intenção legislativa fosse uma alta prioridade para a sociedade portuguesa.

Ainda recentemente este assunto gay subiu ao Parlamento, através do Bloco de Esquerda, sendo chumbado pela maioria.

Toda a gente sabe, e não seria preciso ser Mário Soares a dizê-lo publicamente, que este não é, de modo algum, nem de perto, nem de longe, um grande problema da nossa sociedade, comparado com os gravíssimos problemas de âmbito social e económico que a afectam. Mas este assunto gay, pela maneira como está a ser abordado e pelo destaque de que está a ser objecto, pelo menos em certa comunicação social, até parece que ultrapassa os problemas do ensino, da saúde, da justiça, do desemprego e de tantos outros, para ser objecto de tratamento prioritário. E porquê?

É por demais evidente que o compromisso assumido pelo PS, no que se refere à legalização do “casamento homossexual” na próxima legislatura, não tem outro objectivo senão o de piscar o olho aos eleitores da esquerda.

Mas, consciente de que se trata de um tema demasiado fracturante na nossa sociedade, tal como o foi e continua a ser o do aborto, o PS, tentando piscar também o olho à direita, vem logo a seguir esclarecer, através do Ministro dos Assuntos parlamentares, que o compromisso assumido por José Sócrates, a favor do direito ao “casamento civil” entre pessoas do mesmo sexo, não prevê a adopção de crianças.

Enfim, uma jogada política que não passa despercebida aos olhos de ninguém.

Uma estratégia arriscada


Se, devido aos graves problemas que se têm verificado no sector da Educação e à enorme instabilidade e desânimo vivido em muitas escolas do País, nomeadamente entre os docentes, devido, entre outros motivos, ao modelo de avaliação do seu desempenho, muitos professores começaram já a fazer campanha contra o voto no PS, estamos convencidos, mesmo assim, que será o prometida legalização do “casamento homossexual” que mais votos irá desviar ao Partido Socialista, roubando-lhe mesmo a actual maioria.

Mesmo contando com o apoio de determinada comunicação social, sempre pronta a promover os temas fracturantes da nossa sociedade, em defesa dos “direitos humanos” e da “discriminação”, estamos convencidos de que, muitos eleitores, apercebendo-se já desta táctica do PS em piscar o olho à esquerda e à direita, nem precisarão de campanha eleitoral para decidirem o sentido do seu voto. Este descarado jogo político de caça ao voto será, para muitos portugueses, que não apenas os professores, um sinal inequivocamente vermelho no PS.

José Cerca

Artigo publicado no Semanário “Discurso Directo”, nº39 de 30 de janeiro de 2009

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1 F Santos 5 de Fevereiro de 2009 às 9:54

Parabéns Prof Cerca.

Excelente análise desta “revienga” do PS.

É de facto um assunto fraturante (usando o acordo ortográfico), mesmo dentro do PS. Fraturante, mas não urgente.

Realço ainda a ideia de este debate ter sido proposto pelo partido que realmente se “cola” as estes assuntos “de esquerda”(Bloco) e ter sido chumbado pelo mesmo partido que agora o quer usar como argumento eleitoral. Reflecte a cultura política portuguesa: tudo o que seja proposto pela oposição não serve, mesmo que se venha a propôr rigorosamente o mesmo no futuro. E isto é transversal a todos os partidos.

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2 jcerca 12 de Fevereiro de 2009 às 3:59

Para os católicos os casamento gay são mais uma proposta que fere os princípios da Igreja. Ao DN, João César das Neves diz que “é evidente que o Governo afronta a Igreja com isto. Sabe que o faz, mas fá-lo mais por questões estratégicas e de jogo político. Porque quer resgatar eleitorado à esquerda e disfarçar as atenções da crise”. in Diário de Notícias – 12.02-2009

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3 jcerca 21 de Fevereiro de 2009 às 15:55

Ainda sobre este polémico tema, aconselho a ler o artigo de Mário Crespo “O Horror do vazio” que tomei a liberdade de transcrever neste Blog.

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4 Ana Rato 17 de Novembro de 2009 às 17:28

Desde muito cedo fui educada segundo os principios da Igreja Católica, fazendo o percurso habitual de que , depois de baptizada, quer seguir a mesma ideologia religiosa. o meu Deus, que é igual ao Deus de todas as gentes é um Deus que me ensinou,entre muitas coisas, a amar o meu semelhante, a respeitar o meu semelhante, a respeitar as opções do meu semelhante desde que sejam opções de paz.Por algum motivo,a minha sexualidade é aquela em que eu,mulher faço parte de um casal heterossexual; mas podia ter sido de outro modo, eu poderia ser lésbica e continuar a ser uma pessoa respeitadora e como tal deveria ser respeitada. O casamento homossexual nada tem de ameaçador, desrespeitador ou aberrante. Os homossexuais trabalham, pagam os seus impostos, têm os mesmos deveres que os haterossexuais, não são cidadãos de refugo. Merecem ter direitos iguais!Todos somos filhos de Deus, pelo menos eu aprendi assim na catequese!

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