O Plano Tecnológico da Educação e o novo ano escolar

por jcerca em 13 de Setembro de 2009

No início do novo ano lectivo, serão milhares os alunos que irão encontrar as suas escolas mais apetrechadas, com computadores, videoprojectores, quadros interactivos e novas redes informáticas com acesso mais rápido à internet, através de fibra óptica.

Independentemente de qualquer opção partidária, é reconhecido pela opinião pública o grande investimento feito pelo Governo no melhoramento das escolas, não só no que se refere à modernização do Parque Escolar nalgumas centenas de estabelecimentos de Ensino, entre os quais está contemplada a Escola Secundária de Arouca, mas sobretudo na implementação do Plano Tecnológico da Educação que representa um investimento de cerca de 400 milhões de euros. Com tão grande investimento Portugal pretende situar-se entre os cinco países europeus mais avançados na modernização tecnológica dos estabelecimentos de ensino.

E se o passado ano lectivo, mercê do polémico e muito contestado processo de avaliação dos professores, foi algo agitado, as melhorias tecnológicas que se foram implementado nas escolas, contribuíram, de certo modo, não digo para pacificar, mas talvez para equilibrar um pouco a balança do descontentamento e de um certo desânimo, vivido em muitas das escolas portuguesas.

O PTE em números

Com o PTE que ainda está em curso, todas as escolas, no novo ano lectivo, ficarão ligadas à Internet, através de fibra óptica, pelo menos a uma velocidade de 64 megabites por segundo e o rácio de alunos por computador passará para 5,6.

Foram milhares de computadores, fixos e portáteis, distribuídos pelas escolas do 5º ao 12º ano, já não falando nos célebres Magalhães aos alunos do 1º ciclo e dos milhares de portáteis entregues ao abrigo dos programas e-escolas e e-professores.

Segundo dados do Ministérios, já foram entregues nas escolas do 5º ao 12º ano, 228 361 computadores fixos, 783 588 computadores pessoais e 87 mil portáteis para professores. Segundo a mesma fonte, há 28 697 salas de aulas do 5.º ao 12.º ano com videoprojectores e foram já instalados 7613 quadros interactivos, faltando ainda instalar mais 1.387.

Escola_nova_entradaRelativamente à escola E.B.2,3 de Arouca já está instalada a nova rede informática abrangendo toda a escola, encontrando-se neste momento na fase de testes finais.

Além da instalação de 8 pontos de distribuição de internet sem fios, a escola foi equipada com 111 computadores fixos, 18 projectores de vídeo e 5 quadros interactivos. Todo este equipamento encontra-se já instalado e pronto a ser utilizado no início do novo ano escolar. Relativamente ao PTE falta apenas a instalação do sistema de videovigilância e a entrada em funcionamento dos novos cartões magnéticos para todos os alunos.

 Do equipamento à sua utilização

É evidente que, com todo este apetrechamento tecnológico, as escolas vão ficando mais equipadas e preparadas para os desafios do ensino no século XXI, devendo tão grande investimento contribuir para melhorar as condições de trabalho, de estudo e de aprendizagem nas nossas escolas. A questão fundamental é saber qual o grau de utilização pedagógica que todo este vasto equipamento irá ter, quer por professores, quer por alunos.
Perante esta nova situação, Roberto Carneiro, , afirmou recentemente que “Os professores devem abrir-se às novas tecnologias e introduzi-las nas suas práticas pedagógicas, para evitar um hiato entre a escola e os alunos”.

E este ex-ministro da Educação justifica este seu apelo  afirmando que “as novas gerações são nativas da tecnologia, nascem já aptas, não são emigrantes como os mais velhos e não têm grande dificuldade no acesso e uso das ferramentas tecnológicas”.

Numa altura em que as novas tecnologias vieram modificar o modo de comunicar e de estar no mundo, devido ao desaparecimento da distância e do espaço, é absolutamente necessário e urgente que as velhas metodologias didácticas se adaptem a esta nova situação tecnológica, sem esquecermos o papel importante e fundamental do professor que nunca poderá ser substituído pela tecnologia.

A formação de professores

É óbvio que para a utilização de determinados equipamentos mais avançados, como é o caso dos Quadros Interactivos, se torna absolutamente necessário dar formação a quem os pretenda utilizar.

PTE_escolaÉ aqui que surge, por parte de alguns observadores críticos o receio de que uma boa parte desse equipamento, acabe por apodrecer em muitas escolas por falta de uso. Alguém mais céptico terá afirmado mesmo que os Quadros Interactivos “São uma tecnologia que vai morrer depressa por falta de uso.” E se isso se vier a verificar será extremamente grave, não só sob o ponto de vista económico, pelo desperdício que tal significaria, como também, e sobretudo, sob o ponto de vista  pedagógico, pela incoerência que tal atitude significaria e pelo não aproveitamento das potencialidades pedagógicas, motivantes e interactivas que estes equipamentos comportam.

É verdade que a tecnologia, só por si, pouco vale, se o seu motor – OS PROFESSORES- a não colocarem ao serviço dos alunos e do seu sucesso escolar.

No entanto, é sabido que também na classe docente há ainda uma relativa percentagem de professores avessos à utilização destas novas tecnologias e, como tal, nunca estarão motivados para receberem formação nesse sentido, a não ser que tal utilização pese na sua avaliação.

E poderá ser esse um dos principais factores que possa vir a  contribuir para vencer a preguiça intelectual e a alergia à inovação desse tipo de professores.

José Cerca

 Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº71  de 11 de Setembro de 2009

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1 antónio alves 13 de Setembro de 2009 às 5:11

Parabéns, Cerca, pela clarividência deste teu artigo, que tão bem reflecte o contrate que existe entre a atitude do Ministério da Educação, que quer apostar na modernização do processo ensino/aprendizagem através da utilização das TIC, e a de certos professores, que continuam reticentes à sua utilização. Como dizes, e muito bem, há que «vencer a preguiça intelectual e a alergia à inovação desse tipo de professores».

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