Eleições e insultos pessoais

por jcerca em 6 de Outubro de 2009

Acabei de ler no comunicado de um dos partidos da cena política portuguesa a denúncia de que um candidato de um outro partido adversário às eleições autárquicas de uma determinada Câmara deste País teria proferido mais de 100 insultos pessoais a um candidato adversário. E seguia-se, nesse comunicado, devidamente assinado e com o símbolo do respectivo partido, uma longa e nada edificante lista de adjectivos que, por razões óbvias, nos dispensamos de aqui publicar.

E pensava eu que, em períodos eleitorais, no nosso País, eram as tipografias que mais lucravam com as campanhas dos diversos partidos, mas estava bem enganado!… Tenho mesmo que actualizar esta minha ingénua suposição, pois pelo que vou lendo na comunicação social, quer em suporte papel, quer em digital, parece que serão os tribunais que mais vão lucrar com esta campanha eleitoral, dado o elevado número de processos judiciais remetidos às “Casas da Justiça”, fruto desta agressividade verbal, caluniosa e insultuosa a que a campanha se está a resumir, perante a indignação daqueles que são chamados a votar quer para o nosso Parlamento, quer para as Autarquias locais.

Será através do insulto, da mentira e da calúnia que se enfrentam os problemas do País?

Será com atitudes destas que todos os dias nos entram pelas televisões a dentro que os políticos querem combater a abstenção nas eleições?

E será esta a genuína democracia que o 25 de Abril trouxe a Portugal?

José Cerca

{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 joaquim toscano 6 de Outubro de 2009 às 9:05

Caro Prof, as tipografias lá vão ganhando o seu e há até gráficos que dizem que seria bom haver eleições todos os anos ( e este ano, assim repartidinhas…as rotativas não param).

Quanto ao novo panorama “…parece que serão os tribunais que mais vão lucrar com esta campanha…”, tenho cá pra mim que já não há respeito:
Nem pelas pessoas, nem pelas instituições.
Joga-se pesado, muita lama na ventoinha e ninguém se entende, arrastam-se as situações, entopem-se os circuitos, as prateleiras ficam mais pesadas, a justiça (que Justiça? Onde a Virtude e a Ponderação ) mais lenta…

Percebo ainda a convicção (subliminar?) estabelecida de que um tribunal é mais uma empresa que deve apresentar lucro. Ok, um processo tem os seus custos, o sistema tem que ser alimentado mas…
Para chegar aonde?
Para nos enredarmos na própria teia!
Serão então todos estes actores de quinta que merecem a nossa aprovação, a nossa procuração, o nosso voto?
Quanto ao 25 A da Abrilada, evoco o Chico
“Foi bonita a tua festa Pá…”
E o José Mário Branco:
“Quando a nossa festa s’estragou
e o mês de Novembro se vingou
eu olhei p’ra ti
e então entendi
foi um sonho lindo que acabou
houve aqui alguém que se enganou”
E eu que venho de longe…o que eu andei p`raqui chegar…

Este é o Outono do descontentamento?

Responder

2 Carlos Pinho 11 de Outubro de 2009 às 14:14

Amigo Joaquim Toscano
Vem de muito longe a falta de ética dos Politicos:
O Salazar e o Leitão
que só differem na fórma;
só com estes se conforma:
vêde o effeito qual será;
sinalado com deshonra;
e quem não guarda sua honra
como a vossa guardará !

Este ministro cruel
já em tudo se intromette.
olhai que cousas promette
junto co´o hollandez sinel !
N´estas almas de pichel
tudo póde e tudo manda.
Ai ! do reino,pois tal anda
o governo portuguez
que se val de um hollandez
contra os rebeldes de Hollanda

Este, pois, governo errado,
para poder conservar-se,
trata de perpetuar-se
em dous polos estribado.

(Camillo Castello Branco – Noites de insomnia, Edição original, Julho de 1874 ) Foi mantida a grafia original

Carlos

Responder

3 Carlos Pinho 11 de Outubro de 2009 às 14:24

Acrescento ao meu comentário anterior:

O Salazar em questão;era o Desembargador do paço, e o Leitão; era o Dr. Francisco Leitão

Carlos

Responder

Anterior:

Seguinte: