LIMPAR PORTUGAL

por jcerca em 23 de Março de 2010

Um teste ao voluntariado, um desafio ao civismo

Não será muito frequente ver-se uma tão grande onda de voluntariado contagiar o País inteiro à volta de um Projecto comum: Limpar Portugal.

Partindo de uma experiência ocorrida na Estónia em 2008, esta ideia começou a ganhar forma em Portugal, desde Julho de 2009 e teve o seu epílogo no passado dia 20 de Março, mesmo enfrentando a adversidade climatérica que a meteorologia reservou para esse dia em todo o País.

Nesse dia pelo País inteiro, e em Arouca também, foram muitos os voluntários que se uniram, concelho a concelho, freguesia a freguesia, e decidiram limpar milhares de lixeiras dispersas pelas nossas florestas ou colocadas na berma das nossas estradas e caminhos.

Esperando boleia na berma da estrada

A multiplicação do lixo

Foi quase unânime junto dos numerosos voluntários que aderiram a este Projecto a surpresa pela quantidade e diversidade de lixo que se ia descobrindo em cada lixeira que se tencionava limpar.

Tal experiência já tinha sido vivida na limpeza piloto que se fizera, antecipadamente, numa das muitas lixeiras de Arouca.

Mas se a surpresa era frequente, a indignação e a revolta de muitos voluntários não o era menos face à quantidade e à diversidade de lixos encontrados nessas lixeiras. Já não falando nos inertes da construção civil, presentes em grande parte das lixeiras e só possíveis de remover, posteriormente, com maquinaria apropriada, o vidro, o plástico e o metal eram o tipo de lixo encontrado com maior frequência e em maior quantidade. Mas roupas, fraldas, pilhas, baterias, medicamentos, colchões também eram abundantes nalgumas delas. Frigoríficos, fogões, sofás, sanitas, televisões, computadores, pneus, bancos e peças de automóveis era outro tanto material que jazia em muitas das lixeiras dispersas pelo Concelho de Arouca onde foram referenciadas cerca de 130.

 Resíduos industriais

 Mas se era comum em quase todas as lixeiras o lixo constituído pelos referidos produtos domésticos, a verdade é que algumas delas eram também constituídas, quase exclusivamente, por resíduos industriais, quer de calçado, quer de estofos ou peças de automóveis.

Um desses casos, constituído por dezenas de fardos de resíduos de estofos de automóveis, recentemente depositados nas imediações da Senhora da Lage, obrigou a um grande esforço de remoção, só possível graças ao recurso do guincho de um tractor para rebocar todo o numeroso material despejado por uma ribanceira a baixo.

Rebocando um acto de agressão ambiental.

Limpar Portugal dos Pequeninos

É óbvio que um projecto como este deveria forçosamente envolver as escolas, sobretudo no aspecto de sensibilização para a preservação do ambiente. E foi isso que aconteceu também um pouco por todo o País.

Em Arouca foram várias dezenas de crianças e jovens das escolas, de clubes ambientais ou de movimentos juvenis, como os Escuteiros e o Movimento Juvenil Salesiano que participaram nesta campanha nacional, não limpando propriamente lixeiras, mas recolhendo o lixo disperso por todo o planalto da Serra da Freita.

Rebocado do fundo da Mijarela

O tempo não terá ajudado nada a essa tarefa devido à chuva, ao vento e ao nevoeiro, pelo que logo surgiu a ideia de se repetir mais tarde idêntica operação de limpeza, a ter lugar, possivelmente, no próximo 5 de Junho, Dia Mundial do Ambiente.

NÃO sujar Portugal

Depois desta operação a nível nacional e que terá recolhido milhares de toneladas de lixo -  em Arouca calcula-se que se tenha atingido cerca de 70 toneladas -  será oportuno e muito pedagógico trocar o PLP pelo NSP: NÃO sujar Portugal.

Se tal preocupação se traduzir num maior respeito pelo ambiente por parte dos cidadãos e, sobretudo, por parte daqueles que  mais frequentemente agrediam o ambiente, pensamos que já terá valido bem a pena “Limpar Portugal”, nem que fosse apenas num dos 365 dias do ano.

José Cerca

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1 Armando Pinho 23 de Março de 2010 às 18:12

O texto acima já diz tudo, de minha parte não tenho comentário, e sim obrigado a todos que participarão deste evento , que deixou nossa Arouca mais linda.

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2 A.Teixeira Coelho 24 de Março de 2010 às 6:36

Ainda bem que foi identificado o autor do despejo criminoso. Que sirva de exemplo dissuasor. Tiro o meu chapéu ao prof. Cerca! ATCoelho

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