Atentado ambiental na Serra da Freita

por jcerca em 23 de Março de 2010

 Encontrados os responsáveis
 
 De entre a limpeza das muitas lixeiras que, por todo o Concelho de Arouca, mobilizou centenas de voluntários e enormes recursos materiais, a operação que terá assumido maior mediatismo e maior aparato foi, certamente, a remoção, através de um forte guincho, das dezenas de fardos de resíduos industriais despejados nas imediações da Senhora da Lage e a que, ainda  recentemente, aqui denunciámos.
 
 

Voluntários removendo dezenas de fardos de resíduos industriais

Denúncia à SEPNA

Mal se descobriu este atentado, em plena Serra da Freita, a Naturveredas, empresa que explora o Parque de Campismo do Merujal, próximo da Senhora da Lage, terá feito, imediatamente, a denúncia deste crime junto do Serviço de Protecção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) sem que nada se tivesse descoberto até ao dia da sua remoção, o que só vem provar a burocracia e a inércia de muitos serviços criados no nosso País, mais preocupados com o seu umbigo, do que empenhados em desempenharem as funções para que foram criados.

Efectivamente, foi preciso que a Vereadora do ambiente da Câmara Municipal de Arouca, Eng.Isabel Vasconcelos, após ter recolhido alguns indícios, no dia 20 de Março, no decorrer da operação de limpeza do Projecto “Limpar Portugal” se tivesse posto em campo para, em poucas horas, ter chegado aos responsáveis por tão grave atentado ambiental.

Embora com grandes responsabilidades e inúmeros afazeres no sector ambiental, não se compreende que tenha sido necessário a vereadora do pelouro do ambiente precisar de efectuar as suas próprias diligências, quando existem serviços, pagos por todos nós, para o fazer.

E se é de louvar a rapidez e o sucesso das suas investigações, também não podemos deixar de condenar, duramente, a inércia e a burocracia de quem deveria ter assumido, imediatamente, as diligências para se apurarem os responsáveis deste chocante atentado contra a Natureza.

Os negócios escuros do lixo e da sucata

Segundo informações recolhidas junto da Eng.Isabel Vasconcelos, os responsáveis pelo volumosa descarga destes resíduos industriais, terão sido, não os produtores dos mesmos, mas sim uma empresa de transportes que terá recebido 3.500€  por parte da empresa que solicitou  o seu encaminhamento para o local destinado a tal tipo de lixo. Encontrando-se em estado de insolvência, esta empresa, terá contratado, por sua vez, uma outra empresa de transportes que acabaria por se libertar, ilegalmente, desses resíduos, largando-os, não só no Concelho de Arouca, mas, ao que se suspeita, noutros locais de concelhos vizinhos.

Retirados do abismo onde foram ilegalmente lançados

A responsável de uma dessas empresas já foi chamada à Câmara Municipal de Arouca, onde terá assumido o compromisso de, até esta 6ªfeira, levantar todo o lixo, que dezenas de voluntários retiraram do precipício em que foram lançados e que ficaram depositados junto do Parque de Campismo do Merujal.

Seguindo instruções da própria vereadora do Ambiente, a coordenação concelhia do PLP, terá concordado mesmo em não mandar tal lixo para aterro, na esperança de se poder vir a chegar aos responsáveis pela deposição ilegal dos mesmos, como de facto veio a acontecer pouco depois, graças ao empenho da própria vereadora do ambiente da Câmara Municipal de Arouca.

Tolerância zero

 Quando denunciámos publicamente este atentado, na semana passado, escrevemos que “para casos como este exige-se tolerância zero e que se apliquem as coimas previstas na lei, sem qualquer contemplação.”

Embora as diligências ainda estejam a decorrer, esperamos que seja esta a decisão final para tão grave atentado contra o ambiente: TOLERÂNCIA ZERO.

José Cerca

Publicado no Jornal"Discurso Directo" nº99 de 26 de Março 2010
Publicado no "Jornal de Arouca" nº761 de  31  de Março 2010

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