Ditadura laicista

por jcerca em 23 de Julho de 2011

Tal como aconteceu em Portugal por ocasião da visita de Bento XVI em Maio de 2010 em que uma minoria de grupelhos ateístas, amplificados por determinados meios de comunicação social, pretenderam perturbar a visita do Papa a Portugal, nomeadamente com a distribuição de preservativos nos espaços por onde ele passasse ou discursasse, também agora, a pretexto da vinda do Papa a Espanha, por ocasião da Jornada Mundial  da Juventude,  a decorrer de 16 a 21 de Agosto próximo, não faltam já movimentos, geralmente  de reduzida dimensão, mas muito ampliados por certa comunicação social, que se manifestam contra  a visita do Papa a Espanha, em Agosto, para participar nas Jornadas Mundiais da Juventude, iniciadas por João Paulo II em 1985.

Uma dessas Associações que está já a liderar a contestação a essa presença de Bento XVI em Espanha é a denominada associação espanhola “Europa Laica”. Para além de contestar o dinheiro gasto com a visita do Chefe da Igreja católica, esta associação pede às autoridades que estejam “atentas” e que “atuem” no caso de Bento XVI fazer declarações que possam ser consideradas “delito contra a saúde ou ordem pública”.

Repare-se na preocupação preventiva desta Associação que pretende condicionar os temas que o Papa possa vir a abordar nesse encontro Mundial da Juventude em Madrid, tais como sejam o tema do aborto, da contraceção e dos “casamentos” homossexuais.
Com receio de que esses temas possam ser abordados por Bento XVI, esta associação pede, antecipadamente, que sejam condenadas quaisquer declarações do Papa contra formas de convivência na sociedade espanhola e contra leis aprovadas democraticamente.

Claro que a invocação da democracia para este tipo de movimentos só conta quando se trata de causas que eles defendem, muito embora não passem, quase sempre, de temas fraturantes em qualquer sociedade e que representam sempre minorias dentro dessa mesma sociedade, mas que eles defendem como se de maiorias se tratasse.

Estas preocupações, agora manifestadas por esse referido grupo laicista espanhol, num total desrespeito pela liberdade de expressão e pela liberdade religiosa, são mesmo próprios de um sistema ditatorial em que tão bem se integram esses grupos esquerdistas, para quem o respeito pela liberdade  se confina apenas à defesa e promoção da sua ideologia.

E ao pretenderem controlar o pensamento do Papa, com medo de que as suas palavras não vão, naturalmente, de encontro às suas causas fraturantes, estes grupos laicistas, estão simplesmente a pretender impor na sociedade uma ditadura laicista, que qualquer sociedade, verdadeiramente democrática, jamais permitirá, por maiores infiltrações mediáticas que tais grupos geralmente ocupam.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº169 de 29 de julho de 2011

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