Este título não quer dizer que a serra da Freita esteja abandonada. Muito pelo contrário. São cada vez mais as pessoas que a procuram, sobretudo aos fins de semana, para ao longo dela desfrutarem muitas das suas belezas naturais, como ainda neste domingo tivemos ocasião de constatar.
Só que, infelizmente, também constatámos muitas situações que em nada dignificam este nosso património natural e que nos levam a concluir que a Freita parece continuar entregue a si própria, muito embora nela se localizem alguns dos geossítios mais emblemáticos do Geoparque Arouca. Por isso mesmo, a Freita está a precisar de uma regulamentação apropriada e de vigilantes que ajudem a preservar todos os seus recursos, quer hídricos, quer a nível da fauna e da flora, quer mesmo a nível dos equipamentos aí colocados para utilização de todos.
É desolador ver montes de lixo espalhado pelo chão, mesmo à beira da estrada e a poucas dezenas de metros de contentores, como ainda neste domingo centenas e centenas de pessoas puderam verificar.
É pena ver montes e montes de lenha seca, dispersa por todo o lado, à espera que um criminoso fósforo a incendei.
É desconfortante ver na maior parte das árvores ramos secos a ameaçarem a segurança de quem pretende usufruir da sua sombra, num dia quente de verão.
É incompreensível verificar-se que, ano após ano, uma nascente de água lá continua em plena estrada, a degradar o piso sem que alguém responsável faça a sua necessária drenagem.
É escandaloso verificar o estado de degradação das casas florestais entregues à mercê dos vândalos que lhe vão levando portas e janelas, depois de destruírem as casas de banho e arrancarem as próprias torneiras. Não tardará que, um dia lhe levem também as próprias pedras dos muros que a construíram.
Poderíamos continuar a enumerar situações que em nada concorrem para a preservação deste nosso património natural, que parece mesmo entregue a si próprio, apesar de, e talvez por isso mesmo, existirem demasiadas entidades a “cuidarem” da Freita.
Pelo que nos e dado observar podemos facilmente concluir que ela não estará nada contente por ser objeto de tais cuidados!
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº170 de 5 de agosto de 2011


{ 3 comentários… lê abaixo ouadiciona }
Triste, triste sim professor. Não vou acrescentar mais nada, porque já disse tudo. Por favor visitem Arouca, a Serra da Freita, mas deixem-na limpa, não estraguem nada, porque não quero acreditar, que sejam os arouquenses, que deixam aquele lixo, que vandalizam, o lindo património que temos.
A falta cultura (civismo e respeito pelo outro) são questões que ensombram de vergonha apenas alguns portugueses. Esses actos relatados na foto como no texto têm um nome: crime.
Uma serra que guarda marcas únicas da evolução do planeta merece mais respeito.
Desolador o que se vê na foto. Estou muito ligada a esta paisagem e sofro ao ver, a cada ano que passa, aumentar o desrespeito por este espaço. A Festa das Cruzes tem sido uma vítima destas investidas! Os vendedores ambulantes adulteram o espírito do evento!…
Cristina Marques