Depois de, na semana passada, terem tido aula de História local no Museu Municipal para verem o vídeo sobre a vida nas minas de Rio de Frades e apreciarem a exposição sobre a época do volfrâmio aí patente, foi agora a vez dos alunos de História da ASARC terem ocasião de verem “in loco” vestígios de um passado importante da História de Arouca, agora postos a descoberto, devido às obras na praça Brandão de Vasconcelos, integradas no projeto de regeneração da zona histórica de Arouca.
Sob a orientação do professor de História Dr.Afonso Veiga e acompanhados pelas explicações da arqueóloga Helena Marçal, da empresa “Arqueologia e Património”, os alunos, vivamente interessados, puderam ver e conhecer, no dia 14 de março, alguns dados curiosos do passado histórico de Arouca, nomeadamente o que se refere à existência da antiga igreja paroquial de S.Bartolomeu.
Desta igreja, possivelmente mandada construir no séc. XVI por D.Milícia de Mello, sabe-se que em 1883 ainda estaria de pé, mas em precárias condições. Por esse motivo terá sido desmontada, restando atualmente apenas vestígios de parte das suas fundações onde ainda é visível a entrada da porta, voltada para o edifício dos Correios e cuja orientação está de acordo com as regras canónicas observadas na construção de todos os edifícios religiosos da época.
Parte das fundações já desapareceram, pois as pedras foram reutilizadas não só na construção da torre sineira da capela da Misericórdia, como também nos muros do cemitério municipal. Parte das pedras dos alicerces desta igreja paroquial foram ainda utilizadas, como se pode verificar agora nas escavações da praça, para a construção da base do chafariz, agora provisoriamente desmontado e que já terá estado colocado a um nível bastante inferior ao que esteve antes de ser recentemente deslocado.
Refira-se que nas obras presentemente a decorrerem num dos muros do cemitério municipal foram encontradas várias pedras trabalhadas e que terão vindo dos muros da antiga igreja de S.Bartolomeu. Uma dessas pedras será mesmo das armas de D.Milicia de Melo que, pela sua importância histórica, vai ficar guardada no Mosteiro.
A nova Igreja Paroquial
Sabe-se que em 1891 o rei D.Luís, terá dado a igreja do Mosteiro à Paróquia de S.Bartolomeu de Arouca, data a partir da qual ela passou a assumir a função que ainda hoje mantém.
Facto curioso é que em 1886, quando foi criada a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, os seus fundadores solicitaram ao Rei Luís que se declarasse Juiz Perpétuo da Real Irmandade e mais tarde, num documento datado de 1892 sabe-se que “foi aceite pelo Rei o cargo de Juiz Perpétuo da Real Irmandade”.
Quanto aos vestígios de ossadas nas atuais escavações da praça, onde terá existido o primitivo cemitério, nada ainda foi encontrado. Uma justificação bastante plausível para este fato terá a ver com a sua cuidadosa retirada, na altura em que este espaço religioso foi preparado para se transformar num espaço profano, como foi o caso da praça Brandão de Vasconcelos.
Perante a questão colocada sobre o futuro dos vestígios das fundações da igreja de S.Bartolomeu, agora encontrados nestas escavações, a arqueóloga Helena Marçal referiu que vai continuar com o estudo que foi encomendado à sua empresa, estando nas mãos da arqueóloga Belém Paiva do Igespar, a decisão quanto ao seu enquadramento no projeto de regeneração em curso.
No ano Europeu do Envelhecimento ativo que está em curso, esta foi mais uma iniciativa de grande interesse cultural para um considerável grupo de pessoas que pretendem fazer da sua vida de reformados uma etapa saudável em que a curiosidade, o convívio e o desejo de saber e de partilhar conhecimentos e experiências, serão a melhor solução para um verdadeiro e salutar envelhecimento ativo.
José Cerca
Publicado no “Jornal de Arouca” nº804 de 15 de marçode 2012
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Caro Prof. Cerca,
A intervenção que está a ter lugar na zona histórica de Arouca tem também este mérito: o de revelar novos elementos e novos factos que ajudam a contar e a enriquecer a história da nossa terra, nomeadamente, das imediações do nosso belíssimo Mosteiro.
Fiquei maravilhado, quando me telefonaram a contar do achamento do brasão, alegadamente, de Dona Milícia de Melo. É um achado de enorme valor histórico!
Cumprimento também o Prof. Veiga e a ASARC pela iniciativa de ensinar e aprender in loco. É um bom exemplo para as nossas escolas. Muito tinham a ganhar os mais novos e o futuro de Arouca se as nossas escolas promovessem iniciativas idênticas para os seus alunos.
Parabéns e obrigado por mais este apontamento.