“O Prof. Arnaldo de Pinho tornou-se uma referência de verdadeira inteligência e sabedoria para a cultura atual”
(D. João Lavrador, bispo auxiliar do Porto)
Promovida pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda de Arouca, realizou-se no passado domingo, dia 14 de outubro, uma homenagem pública ao Prof.Dr.Arnaldo de Pinho, Juiz daquela instituição desde 1988.
Além de Juiz desta centenária Instituição, tendo substituído no cargo a D.Domingos de Pinho Brandão, o Dr. Arnaldo é também Presidente do Cabido da Sé do Porto e professor Catedrático da Faculdade de Teologia da Universidade Católica, recentemente jubilado.
Foram, pois, numerosas e oriundas de diversos quadrantes, as pessoas que quiseram associar-se a esta homenagem a um homem ligado ao pensamento, à cultura e à religião.
Homem da Igreja
O primeiro momento desta homenagem teve lugar na igreja do Mosteiro de Arouca, com uma Celebração solene da Eucaristia presidida pelo Bispo auxiliar do Porto, D.João Lavrador. Esta celebração foi animada pelo Grupo Coral de Urrô, acompanhado ao órgão de tubos pelo seu organista titular, Nicolas Roger e transmitida pela Rádio Regional de Arouca.
Na sua homilia, D.João Lavrador, ao referir-se ao homenageado, como homem e professor sensível à condição do ser humano e sobretudo, no que diz respeito à sua relação com a cultura atual, afirmou que “a sua capacidade para ler os sinais da sociedade contemporânea, o modo como sabe distinguir o essencial do supérfluo, e, a partir daí, empreender um diálogo com todas as pessoas, revela verdadeiramente o espírito de um humanismo cristão, tão necessário para colocar a Igreja ao serviço da pessoa e da sociedade”
Como homem da Igreja que reconhece que a comunidade cristã é chamada a oferecer ao mundo o Evangelho em atitude de diálogo franco e aberto, D. João Lavrador afirmou que o Professor Arnaldo de Pinho “amou a sabedoria e cresceu na inteligência, sem nunca deixar de encantar pela proximidade e abertura para qualquer pessoa, qualquer que fosse a sua condição”.
Sessão solene
Após o almoço, que reuniu à volta da mesa cerca de 160 pessoas, teve inicio a sessão solene no amplo refeitório do Mosteiro de Arouca. Além do homenageado, faziam parte da mesa o Dr. Jorge Cunha, na qualidade de Diretor da Faculdade de Teologia da Universidade Católica do Porto, a Arq. Paula Silva, Diretora Regional da Cultura do Norte, o Presidente da Câmara, Eng. Artur Neves, e o prof. José Quaresma, Vice-Juiz da Real Irmandade.
Na sua breve intervenção o Presidente da Câmara cruzou a vertente agrícola e bucólica com a vertente intelectual do homenageado que “nunca deixou de ter Arouca presente em si” tendo sempre acompanhado de uma forma “discreta, sábia e ponderada o desenvolvimento desta terra”. E concluiu que “Arouca continua a precisar de homens da têmpera do Dr. Arnaldo”.
Por sua vez, o Dr. Jorge Cunha, focou a sua intervenção mais na obra do que na pessoa do homenageado, centrando-se na análise do 1º volume sobre a obra teológica de Arnaldo Pinho, considerando que o seu percurso teológico, de grande atualidade e robustez de pensamento, inaugurou um novo modo de fazer Teologia em Portugal. Um Teologia que parte da vivência e não da teoria; uma Teologia que é sabedoria para a vida; uma Teologia que dá importância pública ao saber teológico com real importância para o mundo atual; uma Teologia que, além de ser um guia da pastoral da Igreja, aposta no diálogo com a cultura e a vida real das pessoas; uma Teologia, enfim, orientada para a promoção das pessoas, a partir do conhecimento de Jesus Cristo.
Depois desta síntese esquemática do pensamento teológico de Arnaldo de Pinho, foi a vez do Prof. Dr. Manuel Joaquim Moreira da Rocha, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto e coordenador desta homenagem, proferir uma palestra sobre “O Homem do Pensamento. Começando por fazer uma breve retrospetiva da criação da Real Irmandade em 1886 e dos objetivos que presidiram à sua criação, Moreira da Rocha referiu-se à importância do Mosteiro de Arouca “prenhe de cultura, arte e religião” que queremos preservar como um “verdadeiro legado para as gerações vindouras”. Um Mosteiro que, graças a muitos intervenientes, continua “em diálogo com o tempo presente”, sendo simultaneamente, “um polo irradiador de cultura”. E um desses intervenientes tem sido também o Dr. Arnaldo de Pinho, como Juiz da Real Irmandade desde 1988.
Arte e cultura
Durante a sessão de homenagem várias foram as entidades que fizeram questão de oferecer ao homenageado algumas peças de arte. Além da Câmara, que ofereceu uma peça de porcelana com pintura à mão referente ao Mosteiro de Arouca, também a Fundação José Rodrigues, através de José Vieira, em nome do escultor, quis fazer a entrega de um “Cristo” em bronze ao homenageado que, por sua vez, o ofereceu ao Museu de Arte Sacra de Arouca.
Por sua vez, a Real Irmandade fez a oferta de um retrato do homenageado da autoria do pintor José Maia que, numa breve apresentação, explicou as características principais dessa obra e cujo destinatário fez questão de oferecer para a galeria dos Juízes da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.
Antes das palavras de agradecimento do homenageado teve lugar a declamação de um poema pelo poeta Fernando Echevarría dedicado ao Dr. Arnaldo de Pinho e ainda um momento de violino por Sara Ferreira, da Fundação do Conservatório de Gaia.
Seguiu-se uma sessão de autógrafos do 1º de 5 volumes das “Obras escolhidas de Arnaldo de Pinho” numa edição da Universidade Católica.
Esta sessão de homenagem terminou com um Concerto público no cadeiral do Mosteiro de Arouca composto pela atuação do Orfeão de Arouca, acompanhado ao órgão ibérico por Nicolas Roger e pelo Grupo de Metais da Banda Musical de Arouca, sob a direção de Ivo Brandão.
E foi assim com um excelente concerto musical, executado num magnífico espaço em que a arte, a cultura e a religião se encontram íntima e harmoniosamente interligadas que se encerrou a homenagem ao “homem do pensamento”, (Manuel Joaquim Rocha), ao orador, pedagogo, teólogo e humanista (José Maia) que é Arnaldo de Pinho, 7º Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, desde que foi criada em 1886 para que se impedisse o saque do espólio do extinto convento e simultaneamente se cuidar, anualmente, do culto à Rainha Santa Mafalda.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº227 de 19 de outubro de 2012






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Caro Professor José Cerca,
Gostei muito desta sua reportagem, que pôe em evidência o curriculum do ilustre Arouquense Arnaldo Pinho. Arouca, não sendo muito pródiga em homens que sobressaem fora da autarquia e que mantêm a sua ligação à sua terra natal, precisa de reportagens como esta e de obreiros que “trabalhem afincadamente pela camisola” e que, mesmo não tendo nascido em Arouca, a adotaram como sua terra e a ela dedicam grande parte do seu tempo disponível.
Tive o prazer de o conhecer hoje, pessoalmente. Como Arouquense, embora deslocalizado há mais de 47 anos, permita-me que lhe agradeça o seu interesse pela “nossa” terra tão carenciada de valores que a projetem além dos seus limites geográficos convencionais.
Os meus cumprimentos.