Última fase
O Mosteiro de Arouca foi “o verdadeiro centro nevrálgico” de todo projeto de regeneração urbana da zona histórica de Arouca. Foi certamente ele que condicionou todas as obras até agora já realizadas e será nele que se vai centrar a última fase deste projeto.
Se na primeira parte foi a Câmara Municipal de Arouca a principal entidade na realização, quer do projeto, quer das obras, será agora a Direção Regional de Cultura do Norte, em articulação com a Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, a principal responsável pela execução desta última fase.
Embora as obras de intervenção no Mosteiro de Arouca já devessem ter começado, Discurso Directo soube, junto da Direção Regional de Cultura do Norte que o projeto já está pronto e já foi pedido ao Sr. Secretário de Estado da Cultura a abertura de procedimento para realização do concurso público necessário para execução da obra. Segundo a mesma fonte de informação, a DRCN conta abrir concurso no início do próximo ano, tendo como valor base 683 mil euros e cujo prazo de execução será de sete meses.
Segundo informações recebidas da Câmara, esta realizou na passada 4ªfeira uma reunião no Porto, com a Direção Regional de Cultura e a CCDRN, tendo ficado acordado que o concurso será lançado em Janeiro, a adjudicação até Março e as obras concluídas até Outubro.
Essas obras de intervenção servirão para criar uma estrutura de acolhimento aos visitantes do Mosteiro e do Museu de Arte Sacra e que será feita no espaço que, durante muitos anos, foi ocupado pela Associação do Centro Juvenil Salesiano.
Além da preparação desse espaço para acolhimento dos visitantes, outros espaços serão também recuperados, nomeadamente os parlatórios virados para o terreiro de Santa Mafalda. Será ainda efetuada uma intervenção para a melhoria das condições de visita, com a criação de acessibilidades para pessoas com mobilidade reduzida. Bem como a construção de sanitários.
A real Irmandade da Rainha Santa Mafalda
A entidade mais interessada na concretização destas obras é, certamente, a Real Irmandade responsável, não só pela gestão de grande parte dos espaços conventuais, como também pela guarda e preservação do valioso espólio do Museu de Arte Sacra.
Nesse sentido tem feito várias diligências junto da DRCN de modo a inteirar-se sobre o andamento do projeto até porque esta instituição tem em mãos um outro projeto em fase final de elaboração e que tem a ver com a instalação da Biblioteca D.Domingos de Pinho Brandão, no espaço outrora ocupado, durante quase duas décadas, pelos ex-Colégio Salesiano, quer como salão de estudo, quer, mais tarde, como Salão de Espetáculos.
Efetivamente, embora este projeto seja independente das obras de regeneração e da responsabilidade total da Real Irmandade, ele deverá ser articulado com as futuras obras de regeneração, uma vez que a montagem do elevador nelas prevista, poderá servir também o acesso a essa futura Biblioteca que albergará todo o vasto espólio doado a esta Instituição pelo bispo e investigador arouquense D.Domingos de Pinho Brandão.
Embora o Mosteiro de Arouca, após o fracasso da instalação de uma Pousada Turística, continue com grandes espaços completamente vazios, a verdade é que estes dois projetos irão contribuir para um melhor aproveitamento de importantes áreas conventuais, postas assim ao serviço do turismo e da cultura.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº235 de 14 de dezembro de 2012
