Códice polifónico de Arouca

por jcerca em 6 de Janeiro de 2013

Estudo e transcrição em tese de mestrado

            O Códice polifónico de Arouca é um valioso documento musical que se encontra  guardado, no Museu de Arte Sacra de Arouca, ao lado de muitos outros manuscritos musicais de grande valor documental e histórico, à espera, desde há vários anos, de melhores condições de exposição ao público.

            Trata-se de um livro de música polifónica copiado originalmente entre a primeira e segunda décadas do século XVII, para ser usado pelas freiras do Mosteiro de Arouca nos ofícios litúrgicos desta comunidade cisterciense.

            De entre os vários livros musicais guardados no Museu de Arte Sacra é considerado o único do mosteiro de Arouca com reportório exclusivamente polifónico, contendo peças de destacados compositores ibéricos dos séculos XVI e XVII, ligados sobretudo a Évora, a Coimbra e ao Brasil.

            O material deste manuscrito composto por 103 fólios, distribuídos por catorze cadernos, é em papel de linho, com encadernação de carneira castanha.

Duas das páginas do Códice polifónico de Arouca

Tese de mestrado

            Descoberto em 1947 pelo monge beneditino Dom Mauro Fábregas, este livro tem merecido, desde então, a atenção de vários estudiosos da musicologia nacional e internacional, bem como outros antifonários do precioso espólio do Museu de Arte sacra, entre os quais existe um contendo a peça polifónica mais  antiga, conhecida em Portugal.

             O estudo mais recente  foi levado a cabo pela Drª  Ana Delfina Xavier de Paiva de Sá Carvalho, com ligações familiares a Arouca e que escolheu este códice polifónico para tema da sua tese de Mestrado em Ciências Musicais, Variante de Musicologia Histórica, realizada  na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas  de Lisboa.

            Depois de um largo período de estudo e transcrição de grande parte deste Códice musical polifónico teve lugar, no passado dia 20 de dezembro, na referida Faculdade da Universidade de Lisboa a defesa deste trabalho de investigação, que mereceu, por parte do júri, a classificação de 20 valores.

            Este estudo, além de permitir estabelecer a existência de uma prática musical rica, com destaque para a polifonia e para a utilização de instrumentos, pelas próprias monjas do Mosteiro de Arouca, muito contribuirá também para dar a conhecer e valorizar o valioso espólio musical, à guarda da Real Irmandade, no Museu de Arte Sacra de Arouca.

 José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº239 de 11 de janeiro de 2013

Publicado no semanário “Voz Portucalense” nº2 de 09 de janeiro de 2013

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