Francisco, um papa do fim do Mundo

por jcerca em 14 de Março de 2013

Eram 18.06h, hora de Lisboa, quando, finalmente, surgiu na mais famosa chaminé do mundo, o tão desejado fumo branco.

Em poucos minutos a notícia espalhou-se por todo o mundo, já de si com os olhos postos no Vaticano, desde que Bento XVI formalizara a sua resignação, no dia 28 de fevereiro.

Durante cerca de uma hora o mundo esteve suspenso à espera de saber o nome, o rosto e a nacionalidade do novo Sumo Pontífice.

Francisco I

Por volta das 19.06h o Cardeal Jean-Louis Tauran anunciava, em latim, o nome do novo papa: Jorge Mário Bergoglio, de 76 anos, arcebispo de Buenos Aires na Argentina e que adotou o nome de Francisco.

Quando o novo Papa apareceu às 19.22h na janela da varanda do Vaticano foi recebido por uma enorme aclamação da multidão que o aguardava na Praça de São Pedro, no Vaticano.

Refira-se que esta escolha surgiu no segundo dia de conclave, à quinta votação, sendo curioso que o Papa agora eleito, foi o segundo Cardeal mais votado no anterior Conclave que, elegeu Bento XVI  em Abril de 2005.

Francisco

Até ao século VI, todos os Papas usaram o seu nome de batismo. O primeiro a mudar de nome depois de São Pedro foi Mercúrio, que adotou o nome João II.

Papa franciscoI

A escolha do nome do novo Papa imprime, quase sempre, uma marca de atuação ao novo pontificado e, neste caso, a escolha de Francisco para o novo Papa remete, de imediato, para a figura de S.Francisco de Assis, figura marcante na história da Igreja e na renovação do Catolicismo no sec.XIII. Aliás, a primeira aparição de Francisco  perante a praça de S.Pedro em Roma e perante o Mundo, através dos meios de comunicação social, pode ser caraterizada por uma atitude de simplicidade, de serenidade e de humildade tão caraterísticas do “Poverello” de Assis.

Por outro lado, sendo Jesuíta, o nome de Francisco poderá também remeter para o grande missionário do Oriente que foi S. Francisco Xavier.

De qualquer modo, quer a marca da evangelização expressa no Missionário jesuíta do Oriente, quer a referência aos símbolos da harmonia cósmica, da fraternidade e da paz universal, tão ligadas ao franciscano de Assis, marcarão certamente a atuação do  Pontificado deste 266.º Papa da Igreja Católica e 1º Papa da América do Sul.

Deseuropeização da Igreja

Sendo a Igreja Católica a instituição mais universal do Mundo, a escolha de um cardeal argentino como primeiro Papa da América Latina é, certamente, mais um dos sinais dos tempos que, na opinião do Bispo do Porto, D.Manuel Clemente, assinala uma certa tendência para aquilo a que ele chamou a  “deseuropeização da Igreja” que trará também benefícios para a própria Europa atravessada por um crise, não apenas económica , mas também de valores e de identidade cultural.

A IGREJA CATÓLICA É UMA BARCA

É óbvio que não será fácil para este papa da América latina governar a Igreja a partir do Vaticano. O enorme conjunto de questões que tem atravessado, sobretudo os dois últimos papados, não lhe passarão ao lado e ele está, não só bem consciente dessas dificuldades, como também convicto da necessidade dos dons do Espírito Santo para o ajudarem a governar a barca de Pedro.

Facto inédito, em início de pontificado, foi o gesto de Francisco , antes de dar a sua primeira bênção “urbi et orbi” ao povo de Deus que o esperava na praça de S.Pedro, e ao mundo, iniciar os primeiros momentos do seu pontificado, com as orações mais universais da Igreja Católica, bem como o gesto de pedir  uma oração em silêncio para si, enquanto inclinava humildemente a cabeça na janela do Vaticano.

E a verdade é que o novo Papa vai precisar, e muito, da oração do Povo de Deus e da Luz do Espírito Santo, para o ajudar a conduzir a barca de Pedro por entre  as vagas alterosas em que ela tem navegado e face a um mundo tão conturbado e  em grandes transformações a todos os níveis.

A escolha de um Papa com o perfil, a cultura, a espiritualidade e a visão pastoral de Francisco I será certamente um sinal de esperança para a Igreja e para o Mundo.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº249 de 22 de março de 2013

 

 

 

 

 

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1 António Martins Vieira 14 de Março de 2013 às 8:40

Fiquei muito feliz em vêr este cardial sêr o eleito para o comando da barca de PEDRO,pois ao vêr na televisão,o juramento dos cardiais e que vi que estava á frente de Dº Policarpo,reparei na forma como colocou a mão sob o livro,meditei para comigo que tinha todo o carisma para Papa e assim aconteceu,Deus o proteja,por muitos anos á frente dos destinos da igreja e do povo de todo o mundo,bem Haja Papa Francisco 1º.

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