Duas homenagens numa mesma comemoração
Há 50 anos, precisamente no dia 4 de agosto de 1963, Arouca viveu um dia memorável com a ordenação presbiteral de 4 arouquenses.
Dois deles, o Pe. Américo Vilar e Pe. António Peres, a trabalharem em Arouca, foram no passado Domingo, objeto de uma homenagem pública, integrada na comemoração das suas Bodas de ouro sacerdotais.
“In Nomine Domini” (Em Nome do Senhor)
A primeira homenagem foi promovida pela comunidade paroquial do Burgo ao Pe. Vilar, onde tem desenvolvido um notável trabalho pastoral, social e cultural, como pároco desde 1992.
E são inúmeros os motivos para esta justa e merecida homenagem a um arouquense que tem dedicado toda a sua vida, não só à Igreja da Diocese do Porto, como também à comunidade arouquense, nos seus mais diversos âmbitos, ao longo destes 50 anos de sacerdócio.
O momento alto desta homenagem foi a celebração da Eucaristia em ação de graças pelos 50 anos do seu sacerdócio, celebrada no amplo adro da Igreja paroquial do Burgo, à sombra dos seus frondosos plátanos.
Tendo escolhido como lema do seu sacerdócio a frase “In nomine Domini” referiu o homenageado, na sua homilia que, ao longo do seu sacerdócio, “tudo fiz em nome de Deus, para Deus e para os homens”. E foi assim “Em nome de Deus” que o Pe. Américo Vilar quis centrar todas as múltiplas valências pastorais, sociais e culturais em que a sua atividade sacerdotal se tem desdobrado ao longo deste meio século de sacerdócio, a maior parte dele passado em terras de Arouca.
Sou um homem e um padre feliz
E talvez esteja no seguimento deste lema escolhido para o seu sacerdócio, como bússola norteadora da sua múltipla atividade, a razão da sua realização pessoal que o levou a afirmar na referida homilia: “sou um homem e um padre feliz!” ao servir Cristo, a Igreja, os irmãos e irmãs que Deus tem colocado na sua vida ao longo deste seu percurso sacerdotal. Por isso mesmo, no seu testemunho de vida que constituiu a sua homilia afirmaria que “nunca me senti nem só, nem infeliz, apesar das dificuldades que foram surgindo ao longo da minha vida”.
Estar próximo das pessoas e criar laços de amizade com pessoas e instituições foi, como referiu, uma maneira de estar na vida que fez dele um homem e um padre feliz e que Deus tem recompensado infinitamente.
Ação de graças
Toda esta bem cuidada Eucaristia foi um momento de ação de graças pelo dom do sacerdócio na pessoa do Pe. Vilar.
Além de algumas lembranças que diversos elementos e instituições daquela comunidade paroquial lhe quiserem ofertar, em gesto de gratidão, foi ainda lida, no momento de ação de graças, uma mensagem de D.João Lavrador, na qual este bispo auxiliar do Porto, associando-se a esta festa dos 50 anos da sua ordenação sacerdotal, “festa de alegria e ação de graças” felicita o homenageado “pelo dom da fidelidade sacerdotal” e testemunha-lhe o seu “apreço pela sua dedicação à vida da Igreja ao longo destes 50 anos”.
Na sua mensagem D.João Lavrador, implora do Senhor “as suas bênçãos para si e para o seu ministério sacerdotal”.
No final da celebração da eucaristia o Pe. Vilar recebeu os cumprimentos de todos os participantes a quem foi entregue uma pagela igual ao santinho da sua Missa Nova. Refira-se que tantos os paramentos como o cálice usados nesta celebração eucarística foram os mesmos usados há 50 anos na sua Missa Nova.
Após a celebração seguiu-se um almoço convívio num dos restaurantes da Vila de Arouca que reuniu cerca de 500 pessoas e onde foram proferidos vários discursos e entregues diversas prendas por algumas instituições a que o homenageado se encontra ligado, quer por amizade, quer por trabalho.
Uma das prendas oferecidas ao Pe. Vilar pela Junta de Freguesia de Arouca
“Senhor, Tu nos chamaste”
Na tarde, de domingo, em idêntico ambiente campal, amenizado pela sombra de velhos plátanos, teve lugar outra homenagem organizada pela comunidade paroquial de Santa Eulália, sob proposta do seu pároco, Pe. João Pedro Bizarro, a estes dois sacerdotes naturais desta freguesia de Arouca.
Os homenageados em companhia do pároco, Pe. José Augusto de Pinho no dia da Missa Nova
A Celebração eucarística foi presidida pelo Pe. António Peres que durante vários anos foi também pároco dessa comunidade paroquial.
Além do Pe. Borges, pároco de S.João da Madeira, onde o Pe. Vilar iniciou a sua atividade sacerdotal, logo após a sua ordenação sacerdotal, quiseram associar-se a esta celebração três outros sacerdotes naturais desta Freguesia de Santa Eulália: o Pe. José Augusto Costa (Claretiano), o Pe. Manuel de Almeida Sousa Vilar (sobrinho de um dos homenageados) e o Pe. Adriano Brito Duarte dos Santos.
Os 5 sacerdotes, todos naturais da Paróquia de Santa Eulália
Ao dirigir uma breves palavras de acolhimento a todos as pessoas que quiseram associar-se a esta homenagem a dois sacerdotes naturais desta comunidade paroquial o seu pároco referiu que “a importância dos homens depende não daquilo que têm, nas daquilo que são” e salientou que estes dois homens “souberam fazer da suas vidas uma entrega a Deus e aos irmãos, servindo assim a Igreja e a comunidade.”
Foi por isso que a Comunidade paroquial de Santa Eulália, muito justamente quis organizar esta singela homenagem a dois sacerdotes aqui nascidos e que há 50 anos escreveram uma das páginas mais belas do seu passado, ao receberam a sua ordenação sacerdotal na Sé do Porto.
Aprendi muito com os pobres
Numa atitude de sincera humildade e de despojamento quis o Pe. Peres evocar os seus primeiros tempos de atividade sacerdotal vividos na paróquia de Miragaia/Massarelos e que o terão profundamente marcado em contato com gente simples e pobre daquela zona ribeirinha do Porto, a ponto de confessar que “aprendi muito com os pobres”.
Referiu também como elementos fundamentais no seu percurso vocacional, não só a influência do Pe. José Augusto de Pinho, pároco na altura da sua Missa Nova, como também a influência da sua família, nomeadamente a de sua mãe, de seus professores e educadores e de todas as pessoas que, ao longo da sua caminhada, o foram rodeando, estimulando e apoiando com exemplos de vida e testemunhos de Fé.
Face ao muito que gostaria de partilhar naquele momento, e ao reduzido tempo de que dispunha para o fazer, o Pe. Peres concluiu dizendo que “a alegria do padre não está só no bem que faz, mas também no bem que recebe”.
E, tal como o fez o Papa Francisco no primeiro dia do seu pontificado, rematou pedindo: “rezem por mim que eu rezo também por vós!”.
50 depois com o atual pároco, Pe. João Pedro Bizarro
Após a celebração da Eucaristia ambos os sacerdotes receberam os cumprimentos de todos os presentes, tendo-lhes sido distribuídas as reproduções dos santinhos das Missas novas de cada um dos homenageados.
Seguiu-se, em ambiente muito familiar e de alegria, um lanche partilhado entre o numeroso público que quis assim, de um amaneira muito singela mas sentida, associar-se à celebração das Bodas de Ouro sacerdotais destes dois filhos naturais de uma das maiores a Freguesias do Concelho de Arouca, a Freguesia de Santa Eulália que já deu à Igreja vários sacerdotes.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº269 de 9 de agosto 2013







