I JORNADAS DE CIÊNCIA DE AROUCA

por jcerca em 20 de Dezembro de 2015

O encontro de pequenos e grandes cientistas

Numa organização conjunta do Agrupamento de Escolas de Arouca e do Círculo “Mais Democracia”, com o apoio da Câmara Municipal de Arouca e do I3S do Porto (Instituto de Investigação e Inovação em Saúde) teve lugar nos dias 18 e 19 de dezembro a realização das primeiras Jornadas de Ciência de Arouca.

Esta iniciativa permitiu o encontro de várias gerações de cientistas que iniciaram o seu gosto pela ciência e a sua caminhada de investigação na Escola Secundária de Arouca e que hoje continuam o seu trabalho de investigadores, nas mais diversas áreas, em instituições universitárias, não só nacionais, como também internacionais.

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Investigadores arouquenses no mundo

De entre os muitos jovens arouquenses que optaram pela investigação nos mais diversos campos da ciência, 14 deles, ao longo de dois painéis, apresentaram ao público, que enchia o auditório da Loja de Turismo Interativo, os seus projectos de investigação, bem como o percurso académico que fizeram, não só dentro como fora do País.

Nestes dois painéis sobre “investigadores arouquenses no mundo” e que foram moderados por dois investigadores do I3S,Manuel Sobrinho Simões e Raquel Seruca, foram apresentados projectos, não apenas no âmbito da biologia e da microbiologia, como também da biologia vegetal, da biologia molecular de plantas, da biodiversidade e da geoconservação.

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Num segundo painel, a que se juntou como moderador João Sanches, os projectos apresentados situavam-se numa outra área da ciência, nomeadamente da física e da química. Projetos sobre a teoria da relatividade geral, sobre as propriedades quânticas da matéria, sobre as redes ópticas e sobre o contributo da informática no tratamento de doenças neurológicas, foram algumas das apresentações que constituíram este segundo painel.

Nestes diversos projectos apresentados estão implicadas várias universidades portuguesas tais como a Universidade do Minho, a Universidade do Porto, Universidade Católica, a Universidade de Aveiro, Instituto Superior Técnico da Universidade de Lisboa e outras.

No final dos painéis que mostraram a grande qualidade dos intervenientes e dos seus projetos, bem como a riqueza da sua partilha de conhecimentos, teve lugar um interessante momento de debate que foi muito participado e no qual foram colocadas questões muito pertinentes.

Embora muito intensa, a tarde deste 1º dia das Jornadas de Ciência de Arouca terminou com uma conferência proferida pelo cientista Alexandre Quintanilha que abordou o tema “Ciência, ambiente e sustentabilidade”, fazendo uma interessante reflexão sobre os desenvolvimentos da humanidade, nos últimos 70 anos.

Oficina da Ciência

Um dos momentos altos destas Jornadas de Ciência de Arouca foi a inauguração da Oficina da Ciência, pelo Eng. Ilídio Pinho, presidente da Fundação que criou em 2002, com o objetivo de “promover a ciência e a inovação” e de apoiar a “formação científica das novas gerações” através do Prémio “Ciência na Escola”. Esta oficina tem um laboratório com o nome de Ilídio Pinho em homenagem ao incentivo que a sua Fundação tem dado à investigação científica dos alunos deste Agrupamento.

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“Tenho dado Arouca como exemplo de uma escola onde se cria uma cultura dos empresários do conhecimento. Não basta investigar, é preciso criar”, disse Ilídio Pinho na inauguração desta Oficina de Ciência.

O dia terminou com um jantar no refeitório da Escola Secundária e que foi musicalmente animado com a participação de diversos alunos músicos.

No programa estava ainda prevista uma sessão de astronomia que só não se realizou devido ao adiantado da hora a que o jantar terminou.

Futuros cientistas da Escola Secundária

A manhã do segundo dia destas Jornadas de Ciência foi quase toda ela ocupada com a apresentação de projectos científicos desenvolvidos por alunos da Escola Secundária nos dois últimos anos.

Moderado por outro cientista arouquense, Jorge Gonçalves, professor Catedrático da Faculdade de Farmácia da Universidade do Porto, por este painel passaram 9 jovens cientistas da ESA que surpreenderam todo o auditório com a sua capacidade comunicativa da mensagem científica, face à falha de energia que impediu a projecção de imagens durante a sua apresentação.

Durante a sua comunicação, quase na penumbra, foram referidas por vários dos jovens cientistas as vantagens da Oficina da Ciência que funciona na ESA desde 2004  e que muito contribuiu, não só para lhes despertar a curiosidade científica, como também lhes forneceu importantes requisitos científicos para o ingresso na Universidade.

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No debate que se seguiu várias referências foram feitas sobre o estímulo científico que existe na escola e sobre os professores que têm estado por detrás do percurso científico destes jovens cientistas, sendo quase todos unânimes em referir o nome do professor Filipe Ressurreição.

Refira-se que antes deste brilhante painel teve lugar um outro subordinado ao tema “Da literatura à ciência”, moderado por outra ilustre arouquense, Maria de Lurdes Correia Fernandes, professora catedrática da Faculdade de Letras da Universidade do Porto.
Duas excelentes comunicações constituíram este painel. Uma sobre  “A voz dos silenciados” proferida pelo escritor norte americano, Richard Zimler, professor de jornalismo a viver no Porto com dupla nacionalidade . A outra comunicação “Das Artes à Ciência” foi proferida por Júlio Borlido Santos, biólogo e comunicador de Ciência.

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Workshops

Com o anfiteatro da Loja Interativa de Turismo sempre bem concorrido, ao longo destas Jornadas de Ciência de Arouca e não apenas por cientistas, professores e alunos, mas também por público em geral que quiseram conhecer o que os jovens cientistas arouquenses estão a investigar nas diversas áreas do conhecimento, estas Jornadas terminaram com a realização de diversos Workshops científicos montados no terreiro da Rainha Santa Mafalda e subordinados ao tema “Entender a ciência”.

Com o objectivo de estimular a curiosidade e fomentar a experimentação lúdico-pedagógica estes workshops mostraram ao vivo noções de robótica, conceitos de estabilidade e aerodinâmica, observação microscópica, jogos sobre o poder das ondas cerebrais e muitas outras actividades de cariz científico.

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Considerando que uma grande parte dos participantes neste evento era constituído por docentes do Agrupamento de Escolas de Arouca, o Centro de Formação de Professores AVCOA quis também associar-se  a estas Jornadas prontificando-se a certificar a presença de todos aqueles docentes que nelas participaram.

Perante o sucesso desta iniciativa e face aos diversos prémios com que os alunos do Agrupamento de escolas de Arouca têm sido distinguidos,  a sua Diretora, Adília Cruz, reafirmou  a vontade em continuar “a promover o conhecimento científico, no estímulo à criatividade, à curiosidade e à descoberta, na revelação de novos talentos que se vêm juntar a tantos que aqui temos hoje”.

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Refira-se, finalmente, a elaboração de um dossier, com excelente qualidade gráfica, contendo o percurso académico e científico de todos os intervenientes nestas I Jornadas de Ciência em Arouca, bem como uma relação dos prémios e participações internacionais de numerosos alunos deste Agrupamento de Escolas, desde 2004 a 2015.

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Publicado no semanário “Discurso Directo” nº386  de 31 de dezembro de 2015

José Cerca

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