275 ANOS A ENCANTAR COM A SUA SONORIDADE

por jcerca em 22 de Outubro de 2018

Com uma série de três concertos programados para comemorar os 275 anos de vida do órgão ibérico do Mosteiro de Arouca, teve lugar no dia 20 de outubro o segundo desses concertos, com o organista titular da Igreja da lapa, Tiago Ferreira, a dar vida ao rei dos instrumentos musicais.

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O primeiro desses concertos teve lugar no passado dia 7 de julho  com a atuação do grupo musical “Ventos do Atlântico”. O próximo concerto ocorrerá no dia 24 de novembro com a atuação, além do órgão, de outros instrumentos barrocos de cordas e flautas.

  O Órgão Monumental

Exibindo a data de 1743 na sua fachada barroca, o órgão de tubos do Mosteiro de Arouca foi fabricado por Manuel Bento Gomes Ferreira, natural de Valhadolid, residente, então, em Lisboa e autor também do órgão da Capela da Universidade de Coimbra. Ao que se sabe, a sua construção iniciou-se em Lisboa em 1739, tendo sido implantado no Coro alto em 1743, na zona localizada  entre o coro das freiras e a igreja do mosteiro, o que tem feito dele, ao longo dos anos, um instrumento não só para a liturgia, como também para a execução de concertos diversos.

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Possuindo 1352 vozes, alimentadas por 24 registos, alguns deles imitando a trombeta de batalha, trombeta real, baixos imitando o mar agitado, registo de bombo, registo de vozes de canários, registo de vozes de ecos, flauta, clarinetes, flautins, trompas, etc.  este órgão ibérico é  considerado pelos especialistas um dos instrumentos mais importantes da escola de organaria ibérica em todo o mundo.

Tendo sido já objeto de obras de restauro há mais de duas décadas, a última intervenção foi feita em 2009, em Barcelona, durante um ano e esteve a cargo da empresa Gerhard Grenzing, considerada  líder na recuperação de órgãos. Graças a um cuidadoso trabalho foi possível recuperar-se a sonoridade original deste órgão, uma vez que restauros anteriores lhe haviam adulterado a sua identidade sonora.

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Apesar dessas vicissitudes, ao longo dos tempos, este órgão 275 anos depois de instalado no Mosteiro de Arouca, continua a encantar os ouvintes com as potencialidades da sua extraordinária sonoridade.

No passado sábado dia 20 de outubro, no segundo dos concertos programados para esta efeméride, o público que aí acorrer pode, uma vez mais, comprovar isso.

O Concerto

Promovido pela Real Irmandade da rainha santa Mafalda, com o apoio da Câmara Municipal de Arouca, este segundo concerto teve lugar no dia 21 de outubro, tendo como protagonistas o órgão ibérico e o organista Tiago Ferreira da Igreja da Lapa e maestro do coro da Sé do Porto. Foram  interpretadas obras de compositores do sec.XVII, tais como  Manuel Rodrigues Coelho, Frei Diego da Conceição, Pablo Bruna, Pedro de Arauxo e Johann Sebastian Bach.

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O reportório que fez parte deste concerto foi seleccionado pelo organista, tendo em conta as características sonoras deste órgão, o que permitiu ao público apreciar a beleza acústica de toda a sua sonoridade, como ainda escutar alguns dos registos mais raros deste órgão.

Dado que o teclado deste órgão, localizado no coro alto do Mosteiro, não permite a sua visibilidade, por parte do público, a extraordinária sonoridade deste concerto foi completada e enriquecida com a projecção, em tela gigante, do organista que explorou todos os recursos acústicos deste magnífico órgão ibérico. Esse suporte visual permitiu, assim, que o público pudesse também acompanhar não só o teclado e os registos desta rara peça organeira como também seguir a expressão corporal do seu organista. Na opinião de vários ouvintes este terá sido um dos melhores concertos ocorridos neste rico espaço barroco do Mosteiro de Arouca, como o é o seu emblemático cadeiral.

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O concerto terminou com uma improvisação do organista sobre o Hino da Rainha santa Mafalda com que todos os anos se encerram os festejos da padroeira de Arouca.

José Cerca

 

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