RECRIAÇÃO HISTÓRICA – Um encerramento apoteótico

por jcerca em 22 de Julho de 2019

Encerradas as portas do Mosteiro às 19.00h de domingo,21 de julho, a animação popular continuou cá fora, quer no Terreiro, quer nas ruas desta Vila que, durante 3 intensos dias, acolheu milhares de visitantes, atraídos por mais uma edição da Recriação Histórica que pretendeu, uma vez mais, dar a conhecer a “História de um Mosteiro”.

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Mas foi, sobretudo, na antiga “Praça de Baixo”, entre o Mosteiro e a antiga Câmara Municipal que o público se concentrou, neste final de Domingo, para assistir a mais um divertido despique entre Bandas Musicais, despique esse que, frequentemente, era perturbado por cenas de altercação entre populares e as forças de segurança, ou até mesmo pelos gritos dos presos que, através das fortes grades prisionais, assistiam também a este despique musical.

O Hino de Arouca

Já emoldurada  de numeroso público, a “Praça de Baixo” (agora transformada em anfiteatro), foi-se enchendo, ao som das bandas, com as centenas de figurantes que deram vida à Recriação Histórica de 2019.

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Vivamente aplaudidos, numa sonora ovação de agradecimento público, pelo contributo que estes 254 figurantes trouxeram, não só à animação das ruas da Vila de Arouca e a toda a sua zona histórica, mas sobretudo ao interior do seu Mosteiro, este momento teve o seu ponto alto com a entoação do Hino de Arouca cantado, vibrantemente, por todos, ao som das Bandas Musicais que, deixando de parte o seu aguerrido despique, se uniram nesta homenagem à sua Rainha Santa e ao Mosteiro que alberga ainda os seus restos mortais.

Entradas pagas. E porque não?

Com uma enorme carga histórica que remonta aos primórdios da nossa existência como Nação (Mafalda Sanches é a neta do 1º rei de Portugal) esta Recriação Histórica, embora centrada nas vivências do sec. XVIII, é talvez o único evento do País que consegue retratar, de uma maneira interessante e o mais fidedigna possível, a vida monástica num Mosteiro, abrindo de par em par, todos as numerosos espaços conventuais utilizados, outrora, por uma numerosa comunidade cisterciense que habitou e deu vida ao Mosteiro de Arouca, até à sua extinção em 1834, prolongando-se, no entanto, o seu funcionamento até à morte da última freira em 1886.

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É, pois, um privilégio raro  aquele que o Município e demais entidades envolvidas na gestão deste monumento nacional, oferece, nestes dias da Recriação Histórica, a todos os numerosos visitantes que a ele acorrem.

Iniciado já a alguns anos pelo Município de Arouca, este evento tem vindo a aperfeiçoar-se, não só recriando novos momentos, de edição para edição, como também abrindo novos espaços, como foi o caso, na edição deste ano, da “Casa dos padres”(actual Biblioteca Municipal), ou ainda da Capela da Misericórdia.

Se se paga, em qualquer lugar deste País, para se visitar muitíssimo menos do que aquilo que esta Recriação faculta aos numerosos visitantes que a ela acorrem, não seria descabido que, em  futuras edições, se estipulasse uma pequena entrada simbólica para acesso a este evento.

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É certo que, nas futuras edições, alguns dos espaços até agora visitáveis, deixarão de o ser devido à sua afectação ao projecto de hotelaria e de alojamento e cujas obras de adaptação estarão para breve. Essa contingência, que até nos parece altamente benéfica para a preservação deste imóvel, não significa, contudo, que esse pequeno contributo dos visitantes para o acesso ao evento não tivesse toda a sua pertinência e a sua quota-parte de justiça, até porque é bastante elevado o esforço orçamental que tal evento exige aos cofres do Município, muito embora, a grande parte dos figurantes seja constituída pela “prata da casa”, nada desprezível.

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Depois de cantado o Hino de Arouca seguiu-se o desfile desde a “Praça de Baixo” até à escadaria monumental que se ergue aos lados e por cima das portas do antigo Celeiro do Mosteiro.

Emoldurada por todos os numerosos figurantes, aos quais se juntaram também os cerca de 200 executantes musicais que, ao longo destes três dias, animaram as ruas da Vila, a beleza  desta grande foto de grupo exprimiu também  a riqueza artística de um evento a que tão alargado número de arouquenses deu vida.

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A encerrar esta edição de 2019 a moldura musical, uma vez mais, do Hino de uma terra que “alberga o corpo de uma rainha que jamais a quis deixar de tanto amor que lhe tinha”.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de  26 de julho de 2019

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