Datado de 1627 e declarado imóvel de interesse público desde 1948, o Calvário de Arouca parece encontrar-se votado ao abandono, apesar de serem numerosos os turistas que, cada vez mais, o visitam, graças ao grande crescimento de visitantes que procuram Arouca, não só por causa dos Passadiços ou do seu Geopark, mas também por outros numerosos motivos de interesse turístico.
Composto por 6 cruzes, um púlpito de forma cilíndrica e um nicho este monumento está ligado à Capela da Misericórdia de Arouca de onde sai, na Semana Santa de cada ano, uma grandiosa procissão cujo momento alto é o sermão proferido desse púlpito que exibe a data de 1643 gravada na própria pedra. Este monumento continua a manter, desde há séculos, uma enorme importância, não só religiosa, como também cultural e turística para os arouquenses. É por isso que ele mereceria um maior cuidado na sua limpeza, manutenção e apresentação.
Quem o visita fica chocado com o aspecto de abandono que este monumento revela e que as próprias imagens comprovam. Só o desleixo e a falta de sensibilidade cultural e turística justificam este abandono, tanto mais que não será assim tão difícil e dispendioso mantê-lo livre do lixo e das ervas que o invadem, apesar de se encontrar localizado sobre uma enorme penedia
A morte recente do seu centenário Sobreiro, que lhe roubou alguma da sua beleza, não pode trazer consigo o abandono deste monumento ao qual falta já uma peça numa das suas cruzes.
Além da limpeza deste espaço, seria necessário consolidar as pedras do muro envolvente, repor o braço da cruz em falta, bem como refazer toda a escadaria de acesso ao mesmo, para bem da estética e da própria segurança dos seus visitantes.
Adjacente ao Calvário existe, desde há vários anos, uma pequena mas interessante zona verde designada por “Jardim das Oliveiras”.
Constituído por um conjunto de numerosas oliveiras, diversos bancos para lazer dos seus utentes e alguma iluminação nocturna este espaço enferma do mesmo abandono e da falta de limpeza, apesar de estar directamente ligado ao Calvário, através de uma pequena escadaria de acesso.
Tratando-se de espaços que cada vez mais são frequentados por turistas seria importante que se cuidasse, de uma forma mais permanente, da sua manutenção, pois o que mais desagradará a quem nos visita será sempre o sinal de abandono do nosso próprio património.
Publicado no jornal “Discurso Directo” nº499 de 06 de setembro de 2019



