PARQUE DE CAMPISMO NA ESPIUNCA PRECISA-SE!

por jcerca em 19 de Agosto de 2020

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Tinham acabado de sair dos Passadiços no lugar da Espiunca. E enquanto não chegavam os restantes elementos do grupo, que durante uma semana acamparam no parque de campismo do Merujal, decidiram dar uma volta pela praia fluvial da Espiunca.

A praia tinha pouca gente naquele dia, pois a temperatura baixara o que até acabou por favorecer a caminhada dos 8 km pelos passadiços desde o Areinho até à Espiunca.

- Procurámos, procurámos na net e só encontrámos em Arouca o parque de campismo do Merujal – informaram-nos, um pouco decepcionados, o Pedro e a Sofia, aparentando ambos os seus 24, 25 anos de idade.

- O parque é muito bom para podermos explorar as belezas da Freita, mas fica muito longe dos Passadiços! Muito mesmo!

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Estavam lá acampados desde o dia 15 de agosto. Já tinham explorado a Serra da Freita, desde a queda de água da Mizarela, até às pedras parideiras; desde o marco geodésico do S.Pedro, o Velho, até ao miradouro do Detrelo da Malhada, o ponto mais alto da Freita.

- A Freita é fantástica! O parque de campismo é muito bom, mas falta-lhe a água tão procurada pelos campistas no tempo de verão. A que existe na praia fluvial de Albergaria da Serra mal dá para molhar os pés e pouco mais – afirmou o Pedro, sorrindo. O que nos valeu foram os poços ao fundo da Mizarela. Mas para chegar lá!….

Como o tempo estava fresco naquele dia e até com algumas ameaças de chuva, apesar de ser Agosto, decidiram dedicá-lo aos Passadiços do Paiva.

Amantes da natureza, vieram de Lisboa, seduzidos pela publicidade que têm lido por toda a internet sobre Arouca e o seu Geopark, sobre os Passadiços e a sua maior ponte suspensa do mundo, à espera ainda de ser inaugurada lá para outubro.

A situação de pandemia que se vive por todo o mundo foi determinante para fazerem férias do tipo “vá para fora cá dentro”. E assim foi. Prepararam o material de campismo e saíram para fora de Lisboa e para dentro do vasto território de Arouca. E não estão arrependidos pela opção tomada e pelo destino escolhido – garantiu-nos o Pedro e a Sofia.

- O parque de campismo do Merujal é bom, mas falta-lhe a água – repetiu ele. Água como esta aqui, no rio Paiva! Que maravilha! Olhe, venha comigo que lhe quero mostrar uma coisa!

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E lá fomos nós ao longo do rio Paiva, caminhando pela sombra das árvores e acompanhados pelo som da água a cantar por entre pedras e rochedos.

- Olhe isto aqui! Que belo espaço para se instalar um parque de campismo!

O espaço que surgiu na direção do seu dedo indicador já eu o conhecia desde há muitos anos, quando procurava o sossego da Espiunca, aos fins de semana, em companhia dos filhos e de amigos. Era um grande campo de milho e de feijões emoldurado, então, por ramadas de videiras americanas.

O milho deixou de crescer aí, há já alguns anos, e no seu lugar surgiu um frondoso bosque, mesmo ali na margem esquerda do Paiva. Todo esse vasto espaço estava agora delimitado, em todo o seu perímetro, por uma rede vermelha, possivelmente, para impedir a entrada de estranhos, à procura da abundante sombra que ele oferecia.

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- Isto, sim, isto é que dava aqui um excelente parque de campismo, com todas as condições necessárias – afirmou o Pedro, todo entusiasmado, como se a realidade estivesse mesmo ali à mão de semear.

E na verdade, essas condições estavam ali bem à vista de todos nós. A abundante sombra daquele bosque e a tranquila e fresca água do Paiva, formando, mesmo à frente desse imaginário parque de campismo, uma autentica piscina natural para nadar e mergulhar. Além disso, e mesmo ao lado, dois grandes parques de estacionamento, com instalações sanitárias para apoio aos Passadiços. Depois, além de um pequeno bar, mesmo à beira do rio, um restaurante moderno, prestes a abrir, mesmo ao lado dos parques de estacionamento.

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- Ai se este terreno fosse meu!….. Com tantas e tão boas condições não hesitaria um minuto para instalar nele um parque de campismo para apoio dos Passadiços. E olhe que não lhe faltariam utentes, isso lhe garanto eu!

E apontando para a torre da igreja da Espiunca, que dali se avistava, acrescentou com um largo sorriso:

- E olhe que nem a igreja faltaria a este parque de campismo!

Concordámos em absoluto com este jovem casal lisboeta. Esse hipotético parque de campismo seria não só uma necessidade absoluta para os Passadiços e para a sua nova ponte suspensa, bem como um novo e merecido equipamento para esta simpática freguesia da Espiunca. Aqui fica o desafio.

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº522 de  04 de setembro de 2020

{ 1 comentário… lê abaixo ou adiciona }

1 Victor Cruz 29 de Outubro de 2020 às 6:55

Que Deus o ouça Prof Cerca

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