FALECEU O Pe .ZÉ MARIA EX-DIRETOR DO COLÉGIO SALESIANO

por jcerca em 28 de Outubro de 2020

Foi o 3º diretor do Colégio Salesiano entre 1969 a 1973. Dos Salesianos que passaram por Arouca entre 1960 a 1982 foi, certamente, um dos que maiores recordações e saudades deixou na população arouquense, pela sua alegria, pela sua simplicidade, pelo seu despreendimento, pela sua capacidade comunicativa e pelas suas sedutoras homilias nas celebrações eucarísticas abertas à população na antiga “capela dos Salesianos”. Estamos a falar, obviamente, do Pe. Zé Maria.

Na tarde do dia 26 de outubro de 2020 viria a falecer na sequência de uma queda que deu na casa de banho da Residência para idosos em Manique. Tinha 90 anos feitos em março e apesar de, por vezes, revelar já algum esquecimento, estava fisicamente de boa saúde.

Pe. Zé Maria

Arouca sempre manteve com o Pe. Zé Maria uma relação de grande amizade e de boa colaboração com as suas atividades missionárias em Moçambique, onde passou os últimos 30 anos da sua vida Durante muitos anos, Arouca, através do Centro Juvenil Salesiano e dos Salesianos Cooperadores e demais amigos da Obra Salesiana fizeram-lhe chegar vários donativos que muitos arouquenses entregavam “para o Pe. Zé Maria”, mas que sabíamos que iam diretamente para os seus “meninos” do mato. Chegou, inclusive, a ser enviada uma bicicleta para as suas digressões missionárias através do mato para visitar e animar as suas “catedrais de colmo”, como ele gostava de chamar aos espaços onde celebrava a missa e fazia a catequese dos nativos.

Com Arouca no coração

Todas as vezes que regressava a Portugal, ao longo dos seus 30 anos como missionário em Moçambique, o Pe. Zé Maria sempre fez questão de passar por Arouca para saudar os muitos amigos que aqui deixou e também para agradecer essa amizade e todo o apoio que Arouca, generosamente, lhe sabia prestar para as suas atividades missionárias.

Com o seu espírito jovem e alegre e com a sua grande capacidade comunicativa, vários eram os momentos que este missionário aproveitava sempre para saudar, agradecer e também para falar da sua atividade missionária em Moçambique. Chegava mesmo a aproveitar a imprensa local para fazer chegar a sua mensagem de missionário à população arouquense.

Entrevista na RRA

Na sua última visita que fez a Arouca, em Agosto de 2010, escrevemos o texto “O missionário passou por aqui” que agora publicamos como homenagem de gratidão e de saudade a um homem que passou por esta vida fazendo o bem e enriquecendo com o seu testemunho de vida todos aqueles que com ele se cruzaram ao longo da vida.

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O MISSIONÁRIO PASSOU POR AQUI!…

De mãos vazias, mas de coração cheio de amizade e com um sorriso nos lábios – um sorriso aberto e cativante que lhe vem do fundo da alma – o Missionário passou por aqui, distribuindo a todos os que encontrava, o seu gesto de amigo, o seu sorriso sincero e espontâneo, o seu olhar sereno de bondade e de simpatia, a sua palavra reconfortante e animadora e o seu abraço fraterno, como se todos fossem irmãos e amigos de longa data.

De muitos já não recordava o nome, mas reconhecia a fisionomia.

Com vários deles recordou episódios do passado, ou evocou factos dos velhos tempos, que se mantêm religiosamente arquivados na memória de muitos.

Conviveu com os mais pequenos e com os mais velhos, com doentes e com gente saudável.

Falou com amigos dos “bons velhos tempos” e com conhecidos de última hora.

Visitou idosos, já agarrados às suas muletas; reconfortou doentes em camas de dor e entrou em casa de paralíticos, impossibilitados de caminhar.

Para as centenas de pessoas que acorreram a ouvi-lo, falou da sua promissora igreja jovem de Moçambique, com eles cantou em “ronga” e para eles testemunhou a sua alegria e o seu entusiasmo em trabalhar com essa gente necessitada de pão e sequiosa de Deus.Pe.ZM_Manuel_Cavadinha

A sua breve passagem por aqui, naquele fim de semana, foi como um bálsamo reconfortante para todos os que com ele contactaram e para os quais deixou palavras de fé, de esperança, de bondade e de confiança no mesmo Deus a quem entregou a sua existência ao longo dos seus 86 anos de vida, 30 dos quais em Moçambique.

O seu testemunho de homem de Deus, simples, alegre e desprendido de tudo, em todos deixou sementes de bondade e em muitos terá despertado estímulos de imitação.

Pe.ZeMaria_Mocambique

Para este Missionário que não passou em vão por aqui, um grande “KANIMBAMBO” de agradecimento pelo rasto de bondade que cá deixou, pelo testemunho de fé e de vida que nos transmitiu e pelas sementes de estímulo, de amizade e de simpatia que largou no coração de muitos.

Descanse e paz, Pe. Zé Maria!

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº526 de  30 de outubro de 2020

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