REQUIEM POR NICOLAS ROGER

por jcerca em 28 de Fevereiro de 2022

orgão Arouca

Com a idade de 69 anos faleceu, no dia 22 de fevereiro, na casa onde residia, no lugar de Caçus, da freguesia de Escariz (Arouca), o Professor Nicolas Roger que, durante muitos anos, foi o organista titular do magnífico órgão do Mosteiro de Arouca.

Nascido em Paris em 1952, Nicolas Roger iniciou os estudos de Piano em 1957, em Paris, com Odile Robert. No Conservatório de Paris, estudou Harmonia e Contraponto com os Professores Jacqueline Lequien e Pierre Lantier. Obteve o 1° Prémio de Estudos Superiores de Órgão no Conservatório Nacional de Angers, sob a orientação de André Isoir.

A partir de 1985, fez parte do Júri Nacional de Exames de Órgão (em França).
A partir de fevereiro de 1998, foi Professor de Órgão e Organista Titular dos Órgãos de Tubos do Santuário de Fátima,até 2010 depois de, em França, ter sido organista titular do órgão de tubos da igreja de St.Martin-Saint Laurent e professor de órgão no Conservatório nacional de Orsay.

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Depois de ter casado em 1990 com a arouquense Maria José e de se ter apaixonado também pelo órgão do Mosteiro de Santa Maria, ficou duplamente ligado a esta terra onde passou a desempenhar, desde 2011, o cargo de organista titular do órgão do Mosteiro de Arouca, cujos segredos e recursos ele conhecia como ninguém.

Nicolas Roger chegou mesmo a acompanhar, entre 2006 e 2009, o restauro deste órgão quando ele estava a ser efetuado em Barcelona por Gerhard Grenzing que conseguiu recuperar a sua sonoridade original, uma vez que restauros anteriores haviam alterado a sua identidade sonora.

Bem conhecedor das suas caraterísticas e das suas potencialidades sonoras costumava dizer que “os arouquenses não sabem o tesouro que têm dentro deste Mosteiro”. No concerto de inauguração deste importante restauro, em maio de 2009, chegou a afirmar que “em toda a Europa não haverá muitos instrumentos com esta dimensão e qualidade sonora.”

Tendo participado em inúmeros concertos de órgão realizados no Mosteiro de Arouca, Nicolas Roger foi também entrevistado para o programa “Visita Guiada” que foi emitido na RTP2 em 19 de outubro de 2015 e onde ele explica e mostra ao pormenor todas as inúmeras potencialidades deste órgão.

Com uma vasta cultura musical, com um profundo conhecimento de todos os segredos do nosso órgão ibérico, homem de trato afável e sempre sorridente, Nicolas Roger deu um enorme contributo, não só para a preservação desta bela peça organeira, datada de 1743, como também para a dinamização musical em Arouca.

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Ele que soube extrair dos tubos do nosso órgão magníficas e surpreendentes sonoridades; ele que tantas vezes aí interpretou vários Requiem de autores diversos, será agora a vez deste órgão, por quem ele se apaixonou, de lhe tocar o seu derradeiro Requiem: o Requiem por Nicolas Roger!

Os arouquenses assim o desejam e o saudoso organista assim o merece!

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº558 de  04 de março de 2022

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