Se é animador o número das visitas à Casa das pedras parideiras, na Serra da Freita, inaugurada a 3 de Novembro de 2012 e que já acolheu mais de 12 mil visitantes, e por muito interessante que seja este centro de interpretação sobre um dos mais raros fenómenos geológicos, a verdade é que o Arouca Geoparque possui muitos outros geossítios de interesse e que, por vezes, correm o risco de ficarem esquecidos fora dos circuitos dos visitantes.
Vista aérea do Mosteiro de Arouca
Sendo considerado um dos maiores monumentos nacionais em granito, o Mosteiro de Arouca é, certamente, de entre os 41 geossítios, dispersos pelo vasto Geoparque de Arouca, um dos principais, senão o seu principal geossítio que alberga, dentro dos seus muros, um valioso património histórico e artístico e congrega dentro de si pedaços da história de Arouca e de Portugal, com destaque para os restos mortais da neta do nosso 1º rei, a Rainha Santa Mafalda, guardados num magnífico relicário, datado de 1793 e exposto num dos altares laterais da Igreja conventual.
O Museu de arte sacra
Embora a necessitar de uma urgente modernização, quer na disposição das suas numerosas e variadas peças, quer na iluminação e no alargamento do seu espaço, o Museu de Arte sacra de Arouca, inaugurado a 27 de novembro de 1933 e ocupando um vasto conjunto de celas do Mosteiro, pela riqueza e variedade do seu recheio artístico, não pode ficar fora dos circuitos turísticos oferecidos aos visitantes do Geoparque.
Embaixadores visitando o Museu de arte sacra de Arouca
Efetivamente, não se compreende que, quem tenha programado a recente visita de embaixadores e diplomatas da América Latina, acreditados em Lisboa, ao Geoparque não tenha previsto uma visita ao Museu de Arte Sacra, muito embora tais ilustres visitantes tenham percorrido os principais espaços conventuais, jantando, inclusive, num deles.
Felizmente que, à última da hora, essa visita acabou por acontecer, tendo deixado surpreendida e maravilhada toda a comitiva américo-latina, pela beleza deste Mosteiro e pela riqueza do espólio guardado no seu Museu de Arte Sacra.
Refira-se que esta visita teve lugar no dia 17 de maio tendo trazido a Arouca embaixadores e diplomatas de Cuba, Panamá, Paraguai, Uruguai, Colômbia, República Dominicana, Perú, Equador, México, Argentina, Ministro da Colômbia, Ministro República Dominicana, Cônsul Honorário Belize, Conselheiro Comercial do Brasil, Cônsul do Chile e Cônsul Honorário do Chile.
Embaixadores da América Latina nos Claustros do Mosteiro de Arouca
Visitas escolares
Embora a grande parte do público que visita o Mosteiro de Arouca e o seu Museu seja oriundo de estabelecimentos de ensino, ou de instituições ligadas à terceira idade, a verdade é que muitas escolas que organizam visitas ao Arouca Geopark, omitem, ou por desconhecimento, ou por falta de tempo, a visita ao Mosteiro de Arouca. Será caso para se dizer que vir a Arouca e não visitar o seu Mosteiro, será como “ir a Roma e não ver o Papa”.
Talvez haja necessidade de se implementar uma melhor articulação entre todos os agentes turísticos com ligações ao Geoparque e a entidade responsável pelas visitas ao Mosteiro e, da parte desta, promover também uma mais ampla divulgação, incluindo a internet e as redes sociais, para dar a conhecer o rico património deste imponente Monumento nacional.
Uma das turmas do Agrupamento de Escolas de Vagos
Património histórico e património natural
Quem organiza visitas ao Geoparque de Arouca deveria ter a preocupação de proporcionar aos seus visitantes uma aliança entre o rico património histórico e artístico, centralizado no Mosteiro de Arouca e o vasto património natural disperso pela Serra da Freita e pelas suas aldeias tradicionais.
Uma das últimas visitas escolares que esteve no Mosteiro de Arouca, o Agrupamento de escolas de Vagos, teve o cuidado pedagógico de proporcionar aos seus 80 alunos esta aliança entre o património histórico e o património natural.
Efetivamente, após a visita aos espaços conventuais e ao Museu de arte sacra, os alunos, acompanhados dos seus 8 professores, dirigiram-se para a Serra da Freita para usufruírem de um salutar contato com a natureza, apreciando toda a beleza paisagística que se pode desfrutar nesta e desta bela serra.
Frecha da Mijarela, uma das muitas belezas naturais da Freita
Agora que Arouca está nas rotas internacionais, através da integração do seu Geoparque na Rede Europeia de Geoparques; agora que Arouca saltou para a comunicação social, graças à proeza futebolística de subir à 1ª liga; agora que as condições para a conclusão da Variante parecem começar a ganhar forma, não obstante a grave crise económica do País, há que reunir esforços para dar a conhecer todo o vasto património histórico, natural e gastronómico que Arouca possui, atraindo a si o maior número possível de visitantes.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº259 de 31 de maio 2013
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Recebi esse simpático grupo de embaixadores na minha fábrica. Estive a fazer sala e a explicar-lhes como se fabricam frascos e peças de plástico. Espero que tenham levado boas recordações de Arouca.
A dispersão de competências é comum em tantos concelhos!
Os funcionários (as) dos Postos de Turismo, às vezes “tapa-buracos” que acodem a qualquer departamento municipal onde façam falta, deviam ser profissionalizados e com competências para coordenarem as visitas programadas.
Apesar de todos falarem em “nichos de mercado”, a procura é formada por muitos nichos, e a oferta de um destino não pode ser retalhada consoante os interesses individuais.
O Turismo, visto como o acto de fazer “tours”, consoante as diversas motivações deve ser um agente aglutinador das Tradições, Património imaterial ou construído, Cultura, Oferta Hoteleira e de Serviços, etc. tanto na recepção como na promoção.
Nota: Das melhores recordações que guardo de Arouca não posso esquecer os passeios semanais pelos subúrbios, Serra de Freita, e todos aqueles locais de ar puro.