Com a presença da Presidente da Câmara, Drª Margarida Belém e do Juiz da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, Dr. Carlos Brito, abriu, ao fim da tarde do dia 12 de julho, o evento “Retratos do Barroco” com a exposição de 4 dos 26 antifonários que fazem parte do acervo histórico do Mosteiro de Arouca, à guarda da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, na sala do Arquivo Histórico do Museu de Arte Sacra de Arouca.
A quantidade de documentos, nomeadamente de manuscritos litúrgicos e musicais guardados nesse arquivo histórico comprova o papel importante que a música teve na vida litúrgica da comunidade religiosa deste grande mosteiro cisterciense, importância essa comprovada ainda, com o belo exemplar do órgão ibérico, instalado em 1743 no coro alto do Mosteiro de Arouca.
Foi por isso que Margarida Belém referiu, no momento da abertura da exposição, que era um privilégio podermos visualizar a riqueza destes antifonários e admirar a beleza das suas iluminuras, agradecendo à Real Irmandade essa possibilidade que nos deu.
Por sua vez, Carlos Brito referiu algumas características dos dois antifonários abertos, todos com texto manuscrito e em latim, sobre folhas feitas com pele de animais (ovelhas, carneiros, cabra e cordeiros) datados, um de 1746 e o outro de 1667, chamando a atenção para o colorido das iluminuras das capitulares. São livros de grande porte atingindo as dimensões máximas de 700x540mm e que eram colocados nas grandes estantes ainda existentes no cadeiral das freiras, para a reza dos diversos ofícios ao longo do dia.
Quanto aos outros dois antifonários fechados, Carlos Brito chamou a atenção para a respectiva encadernação com pasta de madeira revestida a couro e para o pormenor das aplicações metálicas em bronze na capa de cada antifonário.
Esta exposição deu início ao evento “Retratos do barroco” que se prolongará até ao dia 17 de julho com um conjunto diversificado de actividades, entre as quais podemos destacar a I bienal de Organistas no Mosteiro de Arouca, o jantar barroco nos claustros superiores do Mosteiro, uma Mostra de doçaria conventual e de licores, bem como a realização de vários Workshops.
Todo este conjunto de actividades culminará com mais uma edição da Recriação histórica que decorrerá entre 19 a 21 de julho e que nos levará ao tempo em que as monjas habitavam o Mosteiro.
José Cerca
Publicado no jornal “Discurso Directo” nº497 de 26 de julho de 2019



