ENCONTRO DE COROS NÁDIA OLIVEIRA

por jcerca em 5 de Junho de 2023

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Decorreu no dia 3 de junho, na igreja do Mosteiro de Arouca a 14ª edição do Encontro de Coros organizado pelo Orfeão de Arouca que abriu o concerto com a interpretação de duas peças, sob a direção do seu maestro Ivo Brandão e com o acompanhamento ao piano por Miguel Brandão.

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Seguidamente, atuou o centenário Orfeão de Águeda, fundado em 1916 e dirigido pelo professor Paulo José Neto e que interpretou três temas dos Beatles.

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Este encontro de coros foi ainda enriquecido com a atuação do grupo ProVocal Ensemble, dirigido por César Freitas. Trata-se de um grupo, bastante jovem, nascido ainda em tempo de pandemia, não só em PROl da voz, mas também para PROvocar sentimentos e sensações no publico que os ouve. E, de facto, as peças interpretadas pela sonoridade e harmonia das suas vozes, PROvocaram uma agradável sensação de arte e beleza musicais que a voz humana, devidamente educada, consegue oferecer.

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Refira-se que este grupo fez a sua primeira apresentação ao público, em 2021, ainda em período de pandemia, na escola Secundária de Arouca.

O encontro de coros terminou com a interpretação da “Missa Brevis” a cargo dos coros do Orfeão de Arouca e de Águeda, regidos por Ivo Brandão e acompanhados pela orquestra de sopros da Banda Musical de Arouca.

Refira-se que esta peça é uma missa para coro e orquestra de sopros que foi composta em 2002 em França (Alsácia), por ocasião das celebrações dos mil anos do Papa Leão IX.

Os coros e a orquestra de sopros interpretaram, em latim, as seis partes desta missa: o Kyrie, o Gloria, o Credo, o Sanctus, o Benedictus e o Agnus Dei.

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Terminado o Concerto procedeu-se à entrega de lembranças aos grupos participantes. Como fundador do Orfeão de Arouca coube ao prof. Ramiro Fernandes a entrega do troféu comemorativo deste 14º encontro a todos os grupos participantes, à família de Nádia Oliveira e demais entidades que colaboraram na realização deste encontro de coros.

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A encerrar o encontro, a Presidente da Câmara Municipal de Arouca, Margarida Belém congratulou-se com a realização deste evento num espaço envolvido por uma notável riqueza artística, revestida de excelentes condições acústicas e salientou a riqueza e diversidade dos grupos intervenientes no encontro.

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº589 de 09 de  junho de 2023

José Cerca

Fotos – Carlos Pinho

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O INTELIGENTE AVÔ MANUEL

por jcerca em 4 de Junho de 2023

Um hino à simplicidade, um elogio à partilha intergeracional

Disse o poeta libanês, Khalil Gibran que “a simplicidade é o último degrau da sabedoria”. E a simplicidade é, de facto, a capa envolvente, do princípio ao fim, de “O inteligente avô Manuel” de Dilma Quaresma. E essa simplicidade começou já na génese editorial deste pequeno conto que, se não fosse a ousadia e o atrevimento de uma amiga da autora, a enviá-lo para uma editora, talvez ele continuasse fechado numa gaveta ou preso dentro de uma pen de onde, possivelmente, jamais sairia.

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João Guimarães, amigo de longa data da autora e que prefaciou e apresentou este conto destaca nesta sua apresentação a virtude da simplicidade, em vias de extinção na nossa sociedade. Mas, esclarece ele, se a sua forma de estar na vida é simples, o conteúdo da autora não o é. E não o é devido à sua “vasta experiência profissional”, à diversidade de interesses que congrega e à sua sólida formação humano-cristã em diversas áreas do saber, enriquecida pela herança familiar e pelos contributos que foi recebendo das comunidades com as quais interagiu através de um mútuo enriquecimento.

A publicação deste pequeno conto é, pois, uma maneira de partilhar, através da simplicidade, a riqueza da sua experiência e a profundidade e variedade da sua bagagem cultural. É isso, ao fim e ao cabo, a essência do “Inteligente avô Manuel”: uma partilha entre o autor e o leitor, através do canal da simplicidade que é “o último degrau da sabedoria”.

A apresentação

Com a sala da Biblioteca municipal completamente cheia, a sessão de apresentação deste conto de Dilma Quaresma foi aberta com dois temas musicais de autores portugueses, interpretados pela voz de Magda Brandão.

Seguidamente, Cláudia Oliveira, vereadora da Câmara Municipal de Arouca, ao referir-se à obra em apresentação, afirmou que ela é “um hino à intergeracionalidade e um ensinamento da primeira à última página”.

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A apresentação do livro esteve a cargo de João Guimarães, amigo da autora, que considerou este conto como um convite a uma viagem ao passado de cada leitor, e ao mesmo tempo, um desafio a que todos nós sejamos como o avô Manuel, transmitindo e partilhando a nossa experiência e os nossos conhecimentos a quem deles precisar.

Depois da representante das edições Metamorfose, Lúcia Gonçalves e das palavras de agradecimento da autora, a apresentação terminou com uma sessão de autógrafos, acompanhada de um pequeno lanche composto de produtos locais, oferecidos a todos os presentes pelos serviços da Biblioteca Municipal.

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O livro

A relação intergeracional entre netos e avós é a situação permanente em que este conto se inicia e se desenvolve, durante toda a narrativa, num ambiente bucólico e num clima de grande afetividade e calor humano.

Avô Manuel

E nessa relação intergeracional está sempre subjacente uma preocupação educativa na transmissão de valores, quer sejam relativos à importância da leitura no desenvolvimento de cada um, quer sejam na motivação para o acompanhamento das notícias da atualidade, quer sejam ainda na sensibilização ao ambiente e à preservação da natureza. Estes são alguns dos temas que conduzem este diálogo intergeracional entre o avô Manuel e os seus netos, tudo conduzido num ambiente de ar livre e de contacto com a natureza.

Pequeno, simples e de fácil leitura, este conto é mais um contributo para a transmissão de valores veiculados pela leitura junto dos leitores e que cada vez mais se torna premente o seu reforço na sociedade em que vivemos.

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº589 de 09 de  junho de 2023

José Cerca

Fotos – Carlos Pinho

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ENCERRAMENTO DO MÊS DE MAIO

por jcerca em 1 de Junho de 2023

Nossa Senhora de Fátima

A reza do terço, durante todo o mês de Maio, é uma devoção popular já muito antiga e são numerosas as comunidades cristãs, não só em Arouca, como pelo País fora, em que tal devoção se mantém viva. Foi o que aconteceu, entre muitas outras, também na paróquia de Arouca.

No dia 31 de maio, dia em que a Igreja Católica celebra, liturgicamente, a visitação de Maria a sua prima Isabel, episódio esse que inspirou o tema das Jornadas Mundiais da Juventude, a comunidade paroquial de Arouca encerrou este mês mariano com uma procissão de velas em que um significativo número de devotos participou, mesmo não tendo sido assíduos, muitos deles, a essa prática religiosa que decorreu, durante todo o mês, nalguns espaços religiosos desta comunidade.

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A procissão de velas, com o andor de Nossa Senhora de Fátima enfeitado, iniciou-se na capela da Senhora do Carmo, no Calvário, com destino à igreja do Mosteiro de Arouca, passando pelas capelas de S.Pedro e de Santo António onde as pessoas se iam incorporando nessa caminhada e onde diversas crianças, lançavam pétalas sobre o andor.

Na sua passagem por algumas ruas da Vila de Arouca, enquanto se rezava a cantava, algumas casas associaram-se a essa procissão colocando velas acesas nas janelas.

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A poucos meses das Jornadas Mundiais da Juventude, que decorrerão em Lisboa na primeira semana de Agosto, era suposto haver uma maior presença juvenil neste evento mariano, dado que as próprias Jornadas Mundiais da Juventude desde sempre tiveram uma grande referência a Nossa Senhora.

Na igreja

Refira-se que as JMJ foram criadas em 1984 pelo Papa S.João Paulo II, também ele grande devoto de Nossa Senhora e muito ligado ao Santuário de Fátima que visitou por três vezes, em 1982, 1991 e 2000.

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº589 de 09 de  junho de 2023

José Cerca

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No dia 29 de abril teve lugar, no cadeiral do Mosteiro de Arouca, um concerto de apresentação do novo organista titular do seu órgão ibérico, datado de 1743, o Dr. Paulo Bernardino.

Com um vasto currículo ligado à música sacra, Paulo Bernardino é também organista titular da Sé Catedral de Coimbra, desde março de 2002, bem como o organista titular da Capela da Universidade de Coimbra, a partir de outubro de 2007. Presentemente, desempenha também a função de maestro e diretor artístico do Grupo Coral de Urrô (Arouca) desde outubro de 2015.

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Possuidor também de uma licenciatura em Engenharia Eletrotécnica pela Universidade de Coimbra (1988), aliada a uma vasta experiência no campo da organaria acrescida de uma profunda formação musical, Paulo Bernardino é possuidor de todos os requisitos para o desempenho desta nova função que lhe foi atribuída pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda em Janeiro de 2023, quando foi nomeado organista titular em substituição do prof. Nicolas Roger, falecido a 22 de fevereiro de 2022.

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Neste seu concerto de apresentação como organista titular do magnífico órgão do Mosteiro de Arouca, Paulo Bernardino considerou ser um privilégio ocupar tal cargo, não só pela riqueza desta bela peça organeira e pela sua longa história, como também pelo facto de suceder no cargo a um dos mais ilustres organistas, o prof. Nicolas Roger.

O programa elaborado pelo próprio organista, foi composto pela execução musical de 7 peças para órgão, sendo 5 delas de autores portugueses dos sec. XVI, XVII e XVIII, nomeadamente, Manuel Rodrigues Coelho, António Carreira e Carlos Seixas.

Sendo o Mosteiro de Arouca dedicado a Santa Maria, o programa incluiu também duas peças marianas, o “Ave Maria Stella” e o “Magnificat” de Manuel Rodrigues Coelho (sec.XVI) que tiveram a participação de elementos do Grupo coral de Urrô, num diálogo vocal com a sonoridade do órgão.

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Refira-se que, pela primeira vez, o público presente pode acompanhar, mais de perto, a execução do organista, através da projeção em plasma, no coro baixo, de toda a sua atuação, quer no teclado, quer na mudança dos diversos registos.

Construído pelo organeiro Manuel Bento Gomes entre 1739-1741, este órgão tem 1352 vozes e é alimentadas por 24 registos. Trata-se de um órgão ibérico muito apreciado pelos especialistas, que o consideram um dos mais importantes exemplares da organaria deste tipo no mundo, o que deve orgulhar todos os arouquenses amantes da música e da cultura.

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Publicado no jornal “Discurso Directo” nº587 de 12 de  maio de 2023

José Cerca

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O DESENTERRAR DAS MERENDAS NO PARQUE DO GAIO

por jcerca em 27 de Abril de 2023

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O “Desenterrar das merendas” é uma tradição rural associada à atividade agrícola e que era realizada com a chegada da primavera. Como os dias de lavoura ficavam mais longos, com a chegada da nova estação, era habitual os patrões darem a merenda aos trabalhadores agrícolas que andavam nos trabalhos do campo. Daí a tradição do “Desenterrar das Merendas” com a chegada da Primavera. Essa tradição era um pretexto para as pessoas conviverem ao livre à volta de abundantes farnéis onde não faltava o salpicão, o presunto, a broa, as azeitonas e outros manjares sempre acompanhados de uma bela pinga.

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Para reviver esta tradição a Academia Sénior realizou, na tarde do dia 27 de abril, no Parque do Gaio, um piquenique-convívio com os seus alunos e associados que se juntaram à volta de abundantes farnéis, partilhados à sombra das árvores, que aí são abundantes. Além da degustação de variados acepipes, o canto e as anedotas vieram trazer a este convívio um ambiente de saudável alegria e de boa disposição, revivendo assim mais uma das muitas tradições populares em vias de extinção.

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Com uma vasta área florestal e uma bela vista para a vila de Arouca, bem como um balouço em forma de coração e algumas mesas, o Parque do Gaio foi um espaço bem escolhido para o “desenterrar das merendas” pelos alunos seniores da Asarc.

O enterro das merendas

Relacionado com esta tradição, celebra-se, em algumas terras, a partir de 8 de setembro, a tradição do “enterro das merendas”. E isto porque, a partir dessa data, com o aproximar-se do outono/inverno as tarefas agrícolas abrandavam e os dias tornavam-se mais curtos, pelo que se dispensava a merenda que os lavradores davam aos seus trabalhadores agrícolas, a meio da manhã e a meio da tarde.

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Nalgumas localidades rurais esta tradição é assinalada, sobretudo pela juventude, que convivia ao ar livre, à volta de uma boa merenda que era acompanhada de uma caixa de cartão contendo uma boneca de trapos e que enterravam nos campos para simbolizar o fim das merendas.

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Vê-se, portanto, que estas tradições estão interligadas e acompanham o ciclo das estações do ano que, por sua vez, comandam o ritmo dos trabalhos agrícolas.

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº587 de 12 de  maio de 2023

José Cerca

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