Um espectáculo de alegria, ritmo e muita criatividade
Subordinando ao tema “Atreve-te a ser(vir)” decorreu em Arouca de 14 a 16 de outubro o XVII FESCUT16 – Festival Nacional da Canção Escutista que é uma atividade anual para Caminheiros e que decorre sempre numa região diferente, todos os anos. Trata-se de um concurso de músicas originais, escritas e compostas para o Festival, a partir de um tema sugerido pela organização de cada edição.
Tendo a última edição deste festival, realizada em Esgueira, sido ganha pelo Clã Rainha Santa Mafalda, com sede em Rossas, coube aos escuteiros de Arouca a organização do FESCUT16.
À descoberta de Arouca
Decorrendo em Arouca, a organização deste festival não podia ter escolhido melhor local para a abertura do mesmo. Na verdade, foi no magnífico cadeiral do Convento de Arouca que, na noite de 6ª feira, se deu a abertura do Festival, com um pequeno concerto de órgão pelo organista titular, Nicolas Roger. Após o concerto, os caminheiros tiveram ocasião de subir ao coro alto para apreciarem, de perto, esta magnífica peça organeira, datada de 1743, e receberem uma breve explicação da sua história e do seu funcionamento.
Mas não se ficou por aqui o contato dos caminheiros com o património arouquense. Efetivamente, no dia seguinte, foi-lhes dada a possibilidade de conhecerem algum do rico património natural de Arouca, através de um passeio pela Serra da Freita que incluiu uma visita à casa das pedras parideiras e uma subida à torre meteorológica. O resto do tempo, até à apresentação das canções, foi ocupado por diversos ateliers.
FESCUT16
Participaram na edição deste ano 9 Clãs vindos de diversas partes do País, desde Odivelas (Famões), Leiria (Memória),Viseu (Bodiosa),Porto (Bonfim e Areosa), Matosinhos, Guimarães (Ronfe),Mindelo e Braga (Bairro). Esteve ainda presente o clã da Madeira mas que não participou no Festival.
O Festival consistiu num espectáculo ao vivo que teve lugar no Terreiro de Santa Mafalda, no sábado à noite, e durante o qual foram apresentadas as 9 canções, perante um vasto público, maioritariamente juvenil, e perante um júri, composto por 5 elementos, que iria decidir quem seriam os vencedores desta edição arouquense.

A apresentação de cada uma das canções esteve a cargo dos caminheiros Mariana e Ricardo e foi precedida da projecção de um pequeno vídeo realizado por cada um dos clãs concorrentes.
A escolha do melhor vídeo era da responsabilidade, não do júri, mas do clã organizador e este decidiu nomear como melhor vídeo, apresentado nesta edição, o vídeo realizado pelo clã 72 de Matosinhos.
Antes de se proceder à apresentação das canções a concurso, teve lugar um divertido momento humorístico alusivo ao festival e que trouxe muita alegria, ritmo e boa disposição a todo o vasto auditório. Seguiu-se a interpretação do Hino do Fescut16 que é sempre da responsabilidade do clã organizador e que foi entusiasticamente aplaudido por todos os presentes.
O Júri
Composto por 5 elementos e presidido pelo Pe. Luís Mário, pároco de Arouca, coube-lhes a difícil tarefa de escolherem, não só as 3 melhores canções apresentadas, como ainda nomearem a melhor letra, a melhor interpretação e o melhor instrumental.
Sendo assim, a melhor letra foi para o clã de Memória (Leiria) através do poema “Homem novo no olhar”. A melhor interpretação foi para o clã de Famões (Odivelas) e o melhor instrumental para o clã de Bairro (Braga).
Decidiu o júri, após demorada reflexão, atribuir ao clã 19 de Ronfe (Guimarães) o 3º lugar para a melhor canção e para o clã de Bonfim (Porto) o 2º lugar.
O júri considerou como melhor canção apresentada nesta edição do Fescut a canção “Na paz encontro o amor” composta pelo clã de Bairro (Braga), cabendo-lhe, portanto a ele a organização da próxima edição.
Após a divulgação da decisão do júri, um representante de cada um dos grupos subiu ao palco para receber uma placa comemorativa deste Fescut arouquense.
Seguiu-se a apresentação da “mana Rute”, o vídeo escolhido pelo júri da edição anterior do Fescut e que foi realizado pelos escuteiros de Arouca, tendo como cenário diversos espaços do Convento de Arouca.
Os apoios
A organização deste FESCUT16 teve o apoio, não só da Camara Municipal de Arouca, como também da Escola Secundária de Arouca e do respectivo restaurante pedagógico e ainda das Juntas de freguesia de Arouca-Burgo, Rossas e Urrô, bem como de diversas empresas e instituições arouquenses.
Estando presente no Festival a Vice-presidente da Câmara Municipal de Arouca, Drª Margarida Belém, congratulou-se pelo facto de Arouca ter acolhido tantos caminheiros vindos de todo o País e salientou a qualidade extraordinária do espetáculo que este evento a todos proporcionou com a sua grande alegria, salutar convívio e enorme criatividade.
Por sua vez, o Chefe nacional, Norberto Correia, exprimiu a sua convicção de que o escutismo continua a ocupar uma missão importante na sociedade que cada vez mais precisa de líderes que orientem as suas vidas e as suas acções por valores alicerçados na metodologia escutista.
Coube ao Chefe do clã local, António Almeida congratular-se pela organização deste FESCUT em Arouca e agradecer todos os apoios recebidos para a sua concretização.
O encerramento do FESCUT16 teve lugar, no dia seguinte, com a Eucaristia dominical realizada na Igreja conventual e animada musicalmente pelo coro do clã organizador.
No final da Eucaristia foi entregue o “Prémio responsabilidade” pelo grupo de Arouca ao clã de Bairro (Braga) a quem competirá a organização da próxima edição do Fescut17.
A mensagem
Embora o ritmo, a música, a voz e o instrumental fossem objecto de avaliação, por parte do júri, a verdade é que a mensagem transmitida através dos poemas musicados foi também um elemento enriquecedor deste FESCUT e que lhe conferiu uma importante mais-valia.
Inspirados no tema “Atreve-te a ser(vir)” cada uma das canções procurou transmitir a sua própria mensagem que eram, na maior parte delas muito apelativas e desafiantes:

“Larga tudo o que te prende o coração, salta p’ró mundo sem medo……atreve-te a ser e a servir” (Rossas – Hino).
“Atreve-te a ser homem novo. Vem e atreve-te a servir” foi o “desafio” do clã da Areosa.
Por sua vez, o clã de Bairro (Braga) no “desejo de ter novo rumo” acredita que “a paz não é um sonho, é apenas….uma forma de amar”.
Os caminheiros de Bodiosa (Viseu) sempre “prontos a servir” cantaram que, “neste mundo diferente serei um mensageiro de paz para toda a gente”.
Quanto ao clã do Bonfim (Porto) este “arrisca a ser feliz” e convida: “aceita ser e fazer o que diz o coração”.
De Famões (Odivelas) vem a certeza de que “ser Homem-Novo é a escolha certa”. Por isso, “vem, atreve-te a servir!”.
De Matosinhos vem a convicção de que tu “és capaz de levar um pouco mais de paz e amor”, por isso “tu tens o poder de ser feliz”.
Do clã de Memória (Leiria) vem o apelo: ”não deixes de servir e amar, não deixes de viver”. E para que isso seja possível, o clã de Mindelo convida: “vive com atitude e um sorriso….escolhe o teu destino, não lhe vires as costas”.
Finalmente, de Ronfe (Guimarães) vem o apelo final: “atreve-te a servir! Atreve-te a ser Homem-Novo!” E para essa caminhada ao encontro do homem novo, “leva o essencial dentro do teu coração: pão, água e palavra, amor e emoção”.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº426 de 21 de outubro de 2016
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