AROUCA ACOLHE FESTIVAL NACIONAL DA CANÇÃO ESCUTISTA

por jcerca em 17 de Outubro de 2016

 Um espectáculo de alegria, ritmo e muita criatividade

Subordinando ao tema “Atreve-te a ser(vir)” decorreu em Arouca de 14 a 16 de outubro o XVII FESCUT16 – Festival Nacional da Canção Escutista que é uma atividade anual para Caminheiros e  que decorre sempre numa região diferente, todos os anos. Trata-se de um concurso de músicas originais, escritas e compostas para o Festival, a partir de um tema sugerido pela organização de cada edição.

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Tendo a última edição deste festival, realizada em Esgueira, sido ganha pelo Clã Rainha Santa Mafalda, com sede em Rossas,  coube aos escuteiros de Arouca a organização do FESCUT16.

À descoberta de Arouca

Decorrendo em Arouca, a organização deste festival não podia ter escolhido melhor local para a abertura do mesmo. Na verdade, foi no magnífico cadeiral do Convento de Arouca que, na noite de 6ª feira, se deu a abertura do Festival, com um pequeno concerto de órgão pelo organista titular, Nicolas Roger. Após o concerto, os caminheiros tiveram ocasião de subir ao coro alto para apreciarem, de perto, esta magnífica peça organeira, datada de 1743, e receberem uma breve explicação da sua história e do seu funcionamento.

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Mas não se ficou por aqui o contato dos caminheiros com o património arouquense. Efetivamente, no dia seguinte, foi-lhes dada a possibilidade de conhecerem algum do rico património natural de Arouca, através de um passeio pela Serra da Freita que incluiu uma visita à casa das pedras parideiras e uma subida à torre meteorológica. O resto do tempo, até à apresentação das canções, foi ocupado por diversos ateliers.

FESCUT16

Participaram na edição deste ano 9 Clãs vindos de diversas partes do País, desde Odivelas (Famões), Leiria (Memória),Viseu (Bodiosa),Porto (Bonfim e Areosa), Matosinhos, Guimarães (Ronfe),Mindelo e Braga (Bairro). Esteve ainda presente o clã da Madeira mas que não participou no Festival.

O Festival consistiu num espectáculo ao vivo que teve lugar no Terreiro de Santa Mafalda, no sábado à noite, e durante o qual foram apresentadas as 9 canções, perante um vasto público, maioritariamente juvenil, e perante um júri, composto por 5 elementos, que iria decidir quem seriam os vencedores desta edição arouquense.

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A apresentação de cada uma das canções esteve a cargo dos caminheiros Mariana e Ricardo e foi precedida da projecção de um pequeno vídeo realizado por cada um dos clãs concorrentes.

A escolha do melhor vídeo era da responsabilidade, não do júri, mas do clã organizador e este decidiu nomear como melhor vídeo, apresentado nesta edição, o vídeo realizado pelo clã 72 de Matosinhos.

Antes de se proceder à apresentação das canções a concurso, teve lugar um divertido momento humorístico alusivo ao festival e que trouxe muita alegria, ritmo e boa disposição a todo o vasto auditório. Seguiu-se a interpretação do Hino do Fescut16 que é sempre da responsabilidade do clã organizador e que foi entusiasticamente aplaudido por todos os presentes.

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O Júri

Composto por 5 elementos e presidido pelo Pe. Luís Mário, pároco de Arouca, coube-lhes a difícil tarefa de escolherem, não só as 3 melhores canções apresentadas, como ainda nomearem a melhor letra, a melhor interpretação e o melhor instrumental.

Sendo assim, a melhor letra foi para o clã de Memória (Leiria) através do poema “Homem novo no olhar”. A melhor interpretação foi para o clã de Famões (Odivelas) e o melhor instrumental para o clã de Bairro (Braga).

Decidiu o júri, após demorada reflexão, atribuir ao clã 19 de Ronfe (Guimarães) o 3º lugar para a melhor canção e para o clã de Bonfim (Porto) o 2º lugar.

O júri considerou como melhor canção apresentada nesta edição do Fescut a canção “Na paz encontro o amor” composta pelo clã de Bairro (Braga), cabendo-lhe, portanto a ele a organização da próxima edição.

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Após a divulgação da decisão do júri, um representante de cada um dos grupos subiu ao palco para receber uma placa comemorativa deste Fescut arouquense.

Seguiu-se a apresentação da “mana Rute”, o vídeo escolhido pelo júri da edição anterior do Fescut e que foi realizado pelos escuteiros de Arouca, tendo como cenário diversos espaços do Convento de Arouca.

Os apoios

A organização deste FESCUT16 teve o apoio, não só da Camara Municipal de Arouca, como também da Escola Secundária de Arouca e do respectivo restaurante pedagógico e ainda das Juntas de freguesia de Arouca-Burgo, Rossas e Urrô, bem como de diversas empresas e instituições arouquenses.

Estando presente no Festival a Vice-presidente da Câmara Municipal de Arouca, Drª Margarida Belém, congratulou-se pelo facto de Arouca ter acolhido tantos caminheiros vindos de todo o País e salientou a qualidade extraordinária do espetáculo que este evento a todos proporcionou com a sua grande alegria, salutar convívio e enorme criatividade.

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Por sua vez, o Chefe nacional, Norberto Correia, exprimiu a sua convicção de que o escutismo continua a ocupar uma missão importante na sociedade que cada vez mais precisa de líderes que orientem as suas vidas e as suas acções por valores alicerçados na metodologia escutista.

Coube ao Chefe do clã local, António Almeida congratular-se pela organização deste FESCUT em Arouca e agradecer todos os apoios recebidos para a sua concretização.

O encerramento do FESCUT16 teve lugar, no dia seguinte, com a Eucaristia dominical realizada na Igreja conventual e animada musicalmente pelo coro do clã organizador.

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No final da Eucaristia foi entregue o “Prémio responsabilidade” pelo grupo de Arouca ao clã de Bairro (Braga) a quem competirá a organização da próxima edição do Fescut17.

A mensagem

Embora o ritmo, a música, a voz e o instrumental fossem objecto de avaliação, por parte do júri, a verdade é que a mensagem transmitida através dos poemas musicados foi também um elemento enriquecedor deste FESCUT e que lhe conferiu uma importante mais-valia.

Inspirados no tema “Atreve-te a ser(vir)” cada uma das canções procurou transmitir a sua própria mensagem que eram, na maior parte delas muito apelativas e desafiantes:

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“Larga tudo o que te prende o coração, salta p’ró mundo sem medo……atreve-te a ser e a servir” (Rossas – Hino).

“Atreve-te a ser homem novo. Vem e atreve-te a servir” foi o “desafio” do clã da Areosa.

Por sua vez, o clã de Bairro (Braga) no “desejo de ter novo rumo” acredita que “a paz não é um sonho, é apenas….uma forma de amar”.

Os caminheiros de Bodiosa (Viseu) sempre “prontos a servir” cantaram que, “neste mundo diferente serei um mensageiro de paz para toda a gente”.

Quanto ao clã do Bonfim (Porto) este “arrisca a ser feliz” e convida: “aceita ser e fazer o que diz o coração”.

De Famões (Odivelas) vem a certeza de que “ser Homem-Novo é a escolha certa”. Por isso, “vem, atreve-te a servir!”.

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De Matosinhos vem a convicção de que  tu “és capaz de levar um pouco mais de paz e amor”, por isso “tu tens o poder de ser feliz”.

Do clã de Memória (Leiria) vem o apelo: ”não deixes de servir e amar, não deixes de viver”. E para que isso seja possível, o clã de Mindelo convida: “vive com atitude e um sorriso….escolhe o teu destino, não lhe vires as costas”.

Finalmente, de Ronfe (Guimarães) vem o apelo final: “atreve-te a servir! Atreve-te a ser Homem-Novo!” E para essa caminhada ao encontro do homem novo, “leva o essencial dentro do teu coração: pão, água e palavra, amor e emoção”.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº426 de 21 de outubro de 2016

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ENCONTRO DIOCESANO DE VICENTINOS

por jcerca em 3 de Outubro de 2016

Decorreu no passado domingo 2 de outubro,  em Arouca, a assembleia diocesana  de vicentinos da Sociedade de S.Vicente de Paulo.

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O tema do encontro centrou-se na Encíclica “Laudato Si” do Papa Francisco cuja introdução foi feita por Fátima Coelho que  falou da “criação como um dom que é preciso defender” e para  a qual é preciso criar uma “mentalidade de cuidadores e não apenas de fruidores”, ajudando assim a construir uma nova forma de vivermos a nossa relação com a criação.
Coube ao eng. Manuel Carvas , Presidente do Conselho Central do Porto, abordar directamente o documento papal, a partir do qual enumerou 8 formas diferentes de vivermos em harmonia com a “casa comum”.

Depois desta reflexão seguiu-se um almoço partilhado entre todos os vicentinos presentes e que ocorreu  no refeitório da Escola Secundária.

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Após o almoço teve lugar no auditório da mesma escola um momento musical com a participação do grupo coral e do grupo de cavaquinhos da Academia Sénior de Arouca.

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Terminada a atuação todos os vicentinos se dirigiram para a igreja conventual e jubilar do Mosteiro de Arouca para a celebração da Eucaristia que foi animada musicalmente pelo grupo coral da Paróquia de Escariz (Arouca).

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No final foram entregues a todos os participantes no encontro lembranças e um pequeno desdobrável contendo as 16 obras de misericórdia, bem como as 8 formas de viver em harmonia com a “casa comum”.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº424 de 7 de outubro de 2016

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PARÓQUIA DE S. BARTOLOMEU DE AROUCA

por jcerca em 19 de Setembro de 2016

Tomada de posse do novo Pároco, 11 anos depois

No dia em que fazia precisamente 11 anos que o Pe. João Pedro Bizarro tomara posse como novo pároco da Paróquia de S.Bartolomeu de Arouca, deu entrada, no passado  Domingo, 18 de Setembro, o seu substituto, o Pe. Luís Mário Araújo Ribeiro.

Não podendo o pároco cessante estar presente, por se encontrar em Roma, desde o princípio de Setembro, a frequentar Direito Canónico na Universidade Gregoriana, o novo pároco foi acompanhado, nesta eucaristia de tomada de posse, por 8 sacerdotes e dois diáconos permanentes, além de numerosos fiéis que encheram a igreja do Mosteiro de Arouca, encontrando-se entre eles um significativo grupo das diversas comunidades paroquiais de Baião, dirigidas na última década pelo Pe. Luís Mário.

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Depois de uma breve saudação em nome da comunidade que o acolhia, foi lida pelo Vigário vicarial, Pe. José Araújo, a carta de nomeação do Bispo que lhe confere a responsabilidade pastoral desta comunidade paroquial.

A carta de nomeação

A carta de nomeação é o documento oficial da Bispo que atribui a qualquer presbítero a paroquialidade de uma ou mais comunidades cristãs da diocese.

Datada de 25 de julho, esta carta emitida em duplicado, ficando um exemplar arquivado na Cúria Diocesana, nomeia o Pe. Luís Mário como Pároco da paróquia de S.Bartolomeu de Arouca em acumulação com a paroquialidade de Nossa Senhora da Assunção de Albergaria da Serra, São Salvador do Burgo, São Mamede de Cabreiros, São Miguel de Canelas, São Martinho de Espiunca e Nossa Senhora da Conceição de Rossas.

Nesse documento, que é sempre lido às comunidades na tomada de posse, o Bispo não só dá alguns conselhos pastorais ao novo pároco, como lhe garante também a sua confiança e auxílio indispensáveis ao bom desempenho da sua missão, solicitando, ao mesmo tempo, aos paroquianos que auxiliem o novo pároco no desempenho da sua missão e contribuam para o seu sustento, de modo a que ele possa dedicar-se, inteiramente, ao serviço evangélico da comunidade paroquial.

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Após a leitura desta carta foi lida também a carta de nomeação do diácono permanente João Domingos Ramos Ribeiro da Fonseca para colaborar com o novo Pároco no serviço pastoral das comunidades de Arouca, Canelas e Espiunca, em acumulação com a de S.Salvador do Burgo, comunidades essas que acolheram também o seu novo pároco neste mesmo dia 18 de Setembro.

Refira-se que o novo pároco terá ainda a colaboração pastoral do Pe. José Manel Alves nas comunidades de Rossas, Cabreiros e Albergaria da Serra.

 Entrega simbólica da chave

No decorrer da celebração eucarística, e na ausência do pároco cessante, foi entregue pelo Pe. Peres, capelão da Santa Casa da Misericórdia de Arouca, uma simbólica chave ao novo pároco, exprimindo assim a abertura das portas desta comunidade ao seu novo pastor. Refira-se que idêntica chave foi entregue, também pelo Pe. Peres, quando, precisamente há 11 anos, ele foi substituído pelo Pe. João Pedro Bizarro, como pároco desta comunidade.

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No momento da acção de graças foi lida por uma representante das comunidades de Baião (Frende) uma mensagem dirigida ao “amado, querido e amigo Pe. Luís Mário”. Nessa carta, além de manifestarem a sua “profunda tristeza” pela partida do pároco que durante 10 anos os acompanhara na sua caminhada de fé, pediam que  “o povo de Arouca o acolha com amor e carinho que o senhor bem merece”, desejando ao mesmo tempo que “o senhor continue sendo luz e sal da terra, por onde andar”.

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Seguidamente foram entregues, quer pela comunidade de Frende (Baião), quer pela comunidade de Arouca, algumas lembranças ao Pe. Luís Mário, como expressão da gratidão, e da amizade dos paroquianos cessantes, bem como testemunho da alegria e do acolhimento com que o seu novo pároco foi recebido, sentimentos esses traduzidos numa vibrante salva de palmas no final da celebração.

 José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº422 de 23 de setembro de 2016

Publicado no semanário “Voz Portucalense ” nº33 de 21 de setembro de 2016

 

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HOMENAGEM AO DR. SIMÕES JÚNIOR

por jcerca em 9 de Agosto de 2016

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Um homem plurifacetado da cultura arouquense

“O médico que apenas sabe medicina, nem medicina sabe”.

Este aforismo, atribuído a Abel Salazar, foi referido, por mais do que uma vez, na homenagem que Arouca fez ao Dr. Simões Júnior, no passado dia 6 de agosto, na Biblioteca memorial D.Domingos de Pinho Brandão e no refeitório conventual.

Na verdade, o Dr. Manuel Rodrigues Simões Júnior, tal como muitos outros médicos portugueses, desde Abel Salazar, Fernando Namora, Miguel Torga, Daniel Serrão, Levy Guerra, entre muitos outros, foi um arouquense cuja actividade profissional e cívica não se circunscreveu ao âmbito da Medicina, mas se alargou a outros múltiplos saberes que fizeram dele um autêntico homem renascentista, evidenciando uma enorme curiosidade sobre os mais diversos ramos do saber, desde a etnografia, à arqueologia, à  fotografia, à numismática, ao coleccionismo, à agricultura e à história local que fizeram dele uma das personalidades mais plurifacetadas da cultura arouquense. Por isso mesmo se justifica esta homenagem ao médico e ao homem arouquense que foi o Dr. Simões Júnior.

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Organizada conjuntamente pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda e pela Câmara Municipal de Arouca, esta homenagem contou, na mesa de honra, com a presença do Bispo do Porto, D.António Francisco dos Santos, Dr. Manuel  Sobrinho Simões, médico investigador e neto do homenageado, Drª Margarida Belém, vereadora da Câmara Municipal, Dr. Arnaldo Pinho, juiz da Real Irmandade, Pe. Alberto Brito, jesuíta e amigo da família e Dr. Afonso Veiga, do Comissariado da sessão de homenagem.

A sessão de homenagem iniciou-se com a 1ª balada de Chopin interpretada  ao piano pelo Dr. Angelo Martingo.

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Coube ao juiz da Real Irmandade justificar a justiça desta homenagem, até porque o Dr. Simões Júnior foi um dos obreiros da organização do Museu de Arte Sacra de Arouca, além de ter contribuído, com inúmeros escritos, para o conhecimento da história de Arouca e do seu rico património histórico e artístico.

Embora não tendo conhecido pessoalmente o homenageado, Afonso Veiga valeu-se da sua investigação e da leitura que fez de muitos dos escritos, deixados por Simões Júnior, para lhe traçar um breve perfil biográfico, tendo referido o papel que este médico arouquense teve, não só na instalação do Museu de Arte sacra, como na construção do Hospital de Arouca. Tendo tido um papel preponderante nas comemorações do 7º centenário da morte da beata Mafalda, foi também devido à sua iniciativa que se ficou a dever a mudança do feriado municipal de 4 de junho para o dia 2 de maio, mudança essa oficializada pelo decreto nº 40.558 de 19 de março de 1956, do então Ministério do Interior.

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Vizinho e amigo da família, o Pe. Alberto Brito (da casa da Lavandeira) evocou alguns episódios deste “médico de aldeia” e salientou o seu gosto como investigador e coleccionador de hábitos, usos e costumes que o levaram a desempenhar um importante papel na etnografia e na história de Arouca.

Sendo o neto mais velho e o único neto rapaz, Manuel Sobrinho Simões, médico de profissão e investigador por paixão, evoca com bastante saudade e ternura muitas das memórias que guarda não só do do seu avô, bem como da sua avó Luísa, descrevendo-o como um homem sério, trabalhador e muito reservado.

“O meu avô tinha um grande coração, embora se resguardasse num estilo seco e duro”.

Como historiador de Arouca que foi,  salienta não só o amor à verdade, o gosto pelo coleccionismo, como também  o gosto que o seu avô tinha pelas fontes primárias do conhecimento o que o levou a ler muitos documentos em latim e em português arcaico para desbravar a história sobre Arouca.

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Por sua vez, Margarida Belém, pelo conjunto diversificado de temas que o Dr. Simões Júnior abordou para desbravar a história do concelho de Arouca e do seu Mosteiro, considera-o “um dos maiores vultos da cultura arouquense”, definindo-o como um homem que tem “tanto de mérito, como de discreto”.

Coube ao Bispo do Porto encerrar esta sessão, depois de ter  manifestado a sua alegria por se poder associar a esta homenagem a um homem com quem Arouca se identifica  e se sente honrada por este médico que se dedicou, por inteiro, à sua terra. Considerando-o um humanista cujos interesses ultrapassaram o âmbito da medicina, D.António Francisco considera que esta homenagem é também uma homenagem à sua família, a Arouca e a todos os arouquenses que muito lhe ficam a dever por aquilo que o Dr.Simões Júnior foi e por aquilo que deixou escrito sobra a história e a cultura arouquenses.

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Terminada a sessão de homenagem seguiu-se a abertura da exposição Biobliográfica sobre o Dr.Manuel Rodrigues Simões Júnior. Esta exposição que foi acompanhada de um excelente catálogo,  estará patente no espaço do refeitório conventual até Setembro. A sua organização e montagem  esteve a cargo de técnicos da Câmara Municipal de Arouca sob a orientação do respectivo comissariado composto pelos professores Afonso Veiga, Adelaide Peres e Angelina Noites.

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Seguiu-se um porto de honra, na cozinha do Mosteiro, acompanhado de uma variada amostra da doçaria conventual.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº418

de 26 de agosto de 2016

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ENTREVISTA AO PE. JOÃO PEDRO BIZARRO

por jcerca em 3 de Agosto de 2016

Nomeado a 18 de julho de 2005 pároco de Arouca e de Santa Eulália, depois de já ter paroquiado as comunidades cristãs de Rossas, Canelas e Espiunca, desde 21 de Setembro de 2003, o Pe. João Pedro Bizarro deu entrada como pároco das paróquias de Arouca e de Santa Eulália no dia 18 de Setembro de 2005. No dia 23 e 24 de julho passado anuncia às 4 comunidades paroquias que dirigia, a sua saída de Arouca, em obediência às novas tarefas de que o Bispo do Porto o incumbira. Será substituído pelo Pe. Luís Mário Araújo Ribeiro, natural da freguesia de Árvore, em Vila do Conde e ordenado a 9 de julho de 2006.

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Antes de partir para Roma, onde irá aprofundar os seus estudos em Direito Canónico na Pontifícia Universidade Gregoriana, Discurso Directo, através do nosso colaborador José Cerca, fez uma breve entrevista ao Pe. João Pedro.

1. Um dia após ter completado 43 anos de vida, 13 dos quais passados em Arouca, à frente das comunidades paroquiais que tinha sob a sua responsabilidade, estas  foram  surpreendidas pela noticia da sua saída, em obediência ao Bispo do Porto. Esta decisão foi também surpresa para si, ou já estava à espera que tal mudança acontecesse?

A possibilidade de um dia sair de Arouca era real. Com o meu trabalho no Tribunal Eclesiástico do Porto seria de prever uma aproximação à cidade do Porto. A ida para Roma foi, de certa forma uma surpresa. Com a necessidade de tomar conta da Paróquia de Salvador, e tendo isto ocorrido há pouco tempo, não contava com mudanças este ano.

2. Numa altura de grande carência de presbíteros que orientem as comunidades cristãs da grande diocese do Porto, não lhe parece que a ida de alguns deles para Roma, como é o eu caso, não será um desperdício de recursos humanos e pastorais?

Em tempo de carestia a Igreja deve ser mais exigente, não só com os candidatos ao ministério sacerdotal mas também com a formação do seu presbitério. Não se prevê, num curto espaço de tempo, um aumento vocacional, pelo que, deste modo, não é um desperdício o Bispo do Porto apostar no futuro da Diocese pela formação do seu clero.

3. Responsável pela orientação pastoral de três grandes comunidades paroquiais, às quais viu, recentemente, acrescentada ainda a paróquia de S.Salvados do Burgo,  será possível fazer um breve balanço desta sua actividade pastoral em terras de Arouca?

O balanço será realizado pelas pessoas que servi. Dei o meu melhor, com as minhas virtudes e limitações, por isso dou graças a Deus pelo meu ministério e pelo povo de Deus a mim confiado.

4. Dos inúmeros acontecimentos que ocorreram, ao longo desta década, nas suas comunidades paroquiais,  quer destacar algum ou alguns deles?

Destaco aqueles acontecimentos que não fazem manchete de jornais. As alegrias, as realizações pessoais, as tristezas e lágrimas choradas pelo povo a mim confiado e que Deus me deu a graça de acompanhar nesta peregrinação da VIDA a caminho da casa do Pai.

5. De entre as inúmeras actividades em que esteve envolvido, o movimento dos escuteiros mereceu-lhe um especial carinho. Está confiante que os escuteiros não irão ficar “órfãos” e acredita que o movimento irá sobreviver após a sua saída?

Os escuteiros não me mereceram um carinho especial. Ao fim de 34 anos de escutismo é normal que me sinta mais à vontade com este movimento. E não, não vão ficar órfãos pois o pároco que vier terá como missão ser assistente do agrupamento, como eu fui até à data.

6. Conhecedor que é da realidade arouquense, após 13 anos de contacto com as diversas camadas sociais, que conselhos desejaria deixar ao seu substituto?

Não me atrevo a deixar conselhos. Eles, pois são 3, vão observar a realidade que os rodeia e saberão servir o povo a eles confiados com toda a generosidade das suas vidas.

7. Na hora da partida para novas responsabilidades que mensagem desejaria deixar às comunidades que teve sob a sua orientação pastoral e aos arouquenses em geral?

Um grande obrigado por me terem acolhido aqui, nesta terra onde sempre me senti em casa. Faço dois pedidos: continuem a rezar por mim (eu rezarei por vós) e acolhei os meus sucessores tão bem ou melhor do que me acolheram a mim (mas acho impossível esta segunda hipótese). Continuai com esse coração grande e acolhedor como até hoje e abri-o ao Amor de Deus.

Bem-haja a todos vós.

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 HOMENAGEM DE DESPEDIDA E AGRADECIMENTO

Tal como irá acontecer nas restantes comunidades paroquiais, a comunidade de S.Bartolomeu de Arouca irá prestar, na missa das 11.15, celebrada na igreja do Mosteiro de Arouca, no dia 15 de agosto, uma singela homenagem de despedida e de agradecimento ao Pe. João Pedro Bizarro que, durante uma década, presidiu à orientação pastoral desta comunidade.

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº417

de 7 de agosto de 2016

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