Estas três palavras podem muito bem resumir a curta mas rica vida da Leonor que partiu com 9 anos e cujo funeral, no dia 27 de Julho, veio como que acrescentar uma inesperada cena bem real à recriação histórica que nesse dia chegava ao fim na vila de Arouca.
Três palavras que resumem toda a essência de uma vida, por mais curta que ela tenha sido.
Amor, a origem e essência da vida e que dá valor e sentido a qualquer existência humana.
Flor, a expressão da beleza e da candura que a vida da Leonor representou neste jardim da existência humana de onde foi colhida tão abruptamente.
Dor, sentimento inerente à vida humana e que tão profunda e duramente foi vivido por seus pais com esta inesperada separação da Leonor do convívio dos seus entes queridos.
Apesar da sua curta idade a Leonor teve uma vida muito rica e intensa, através das diversas actividades em que estava inserida, o que revela uma cuidadosa preocupação e um atento acompanhamento dos pais com a formação integral de sua filha.
Desde a escola à catequese, desde os bombeiros ao Movimento Juvenil Salesiano, desde a Banda Musical ao Coro infantil, a Leonor deixou marcas em todos aqueles que com ela conviveram, como ficou bem evidente através dos diversos testemunhos transmitidos durante a Missa de corpo presente, na igreja do Mosteiro de Arouca.
De entre esses testemunhos destaque-se o de alguém que mais conviveu diariamente com a Leonor, a sua professora Fátima Rodrigues Fonseca:
“No percurso da nossa Leonor pelo 1º ciclo, fica o registo de uma excelente aluna, super empenhada e dedicada em todas as actividades escolares; fica o registo dos bons resultados, do bom comportamento…mas fica, sobretudo, a imagem de uma menina cheia de vida, de alegria, sempre com um sorriso no rosto e disposta a ajudar todos aqueles que precisavam.
Um dia chamou-me mamã, eu sorri, brinquei com ela e disse: “não me pareço nada com a drª Helena!”.
Então a Leonor levantou-se, veio até junto de mim, abraçou-me e disse:
- Sabes, professora, eu tenho 3 mães: a minha mãe Helena e tu aqui na Terra e a mãe Maria no Céu!”
Agora que eu e a Helena nada mais podemos fazer por ti, que seja a mãe Maria a fazê-lo por nós!”
Depois da Missa de corpo presente, cantada pelos Escuteiros e pelos jovens ADS, a pequena urna, coberta com a bandeira do Movimento Juvenil Salesiano, e o logótipo do coro dos Pequenos Cantores foi transportada para o cemitério de Santa Eulália, onde ficou em jazigo da família. A urna foi levada por membros do Movimento Juvenil Salesiano, sendo-lhe prestada homenagem fúnebre pelos Bombeiros Voluntários de Arouca.
Refira-se que a pedido dos pais a Leonor foi vestida com a camisola e o lenço do MJS. Dois sacerdotes salesianos estiveram presentes nas cerimónias fúnebres, tendo os pais recebido também apoio e conforto espiritual de um outro sacerdote salesiano, poucas horas antes das máquinas lhe serem desligadas no Hospital de S.João.
A alegria da Leonor, o seu sorriso, a sua bondade irão ficar para sempre, como recordação da sua curta mas intensa passagem por esta vida, onde soube ser Alegre, Dinâmica e Serviçal, de acordo com a pedagogia da santidade juvenil salesiana, vivida nos grupos ADS.
Apesar de destroçados pela dor profunda e imensurável que os atingiu, registe-se a grande serenidade que os pais da Leonor revelaram durante as cerimónias de despedida da sua filha, o que, humanamente, só poderá ser suportado por um grande sentimento de Fé e de Esperança perante os mistérios da vida humana.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº317 de 1 de agosto 2014
{ 5 comentários }










