Cultura on line versus cultura in loco

por jcerca em 12 de Maio de 2012

A secretaria de Estado da Cultura encerrou a plataforma “culturaonline.pt”, um espaço criada pelo Ministério da Cultura, no Governo anterior. Lançado em Setembro de 2009, este projecto contou com um investimento inicial de 700 mil euros e foi contratado à Portugal Telecom, acarretando um custo mensal superior a quatro mil euros.

Argumentando que esta plataforma estava muito desactualizada e considerando também a relação custo/benefício a Secretaria de Estado da Cultura decidiu encerrá-la. FELIZMENTE!

Este é um dos muitos projetos, ao lado de dezenas de institutos, para tudo a para nada, que continuam a absorver dinheiros públicos sem que se veja a sua utilidade prática, a não ser a de dar emprego a pessoas da cor política de quem os criou ou mantém.

Quanta cultura in loco se poderia apoiar e promover por este País fora com estas verbas tão mal aplicadas. Só que o ângulo de visão da maior parte dos nossos dirigentes políticos continua a não ir além da capital e a utilidade de tantos projetos e institutos circunscreve-se ao universo partidário. INFELIZMENTE!

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº808 de 15 de maio 2012

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A RÁDIO É A MINHA NAMORADA

por jcerca em 8 de Maio de 2012

Rádio Regional de Arouca recebe medalha de mérito municipal

Com o Salão Nobre da Câmara Municipal de Arouca completamente cheio, e no qual, marcou presença o Bispo Auxiliar do Porto, D.João Lavrador, decorreu no dia 2 de Maio, a cerimónia de entrega da Medalha de Mérito Municipal, grau Ouro,  à Rádio Regional de Arouca, na pessoa do seu fundador e proprietário, Adelino Pinho.

Esta cerimónia, integrada nas festas da padroeira de Arouca e em cujo feriado municipal é habitual a Câmara distinguir pessoas ou entidades concelhias, ocorreu quando são passados 25 anos da criação da Rádio Regional de Arouca.

Iniciando as suas emissões numa altura em que as rádios piratas proliferavam um pouco por todo o País, a Rádio Regional de Arouca teve que passar por muitas vicissitudes e enfrentar grandes dificuldades até atingir a capacidade técnica e o grande nível de audiências que hoje mantém, sendo mesmo considerada, atualmente, uma das emissoras mais ouvidas no norte e centro do país, emitindo também para todo o mundo, através da internet.

Histórias da Rádio

Ao usar da palavra na sessão pública, Adelino Pinho, com o papel do discurso preso nas mãos, demorou tempo a começar a lê-lo, pois a emoção do momento, fizeram-no esquecer, por largos minutos, o discurso que tinha preparado, preferindo, num estilo bastante informal e coloquial, contar algumas das muitas peripécias que lhe foram acontecendo ao longo destes 25 anos de dedicação plena à rádio a que ele chamou a sua “namorada”.  E as histórias vinham-lhe à memória, tal como uma cereja puxa outra cereja, que por várias vezes, teve que deixar o discurso do papel para regressar as suas histórias da rádio. E elas serão tantas e tão interessantes que até talvez merecessem uma coletânea para memória futura.

Manter um órgão de comunicação social 24 sobre 24 horas, como é o caso da Rádio Regional de Arouca, e para mais numa altura em que a comunicação oferece os mais diversos canais informativos, não será tarefa fácil, mas Adelino Pinho, com a sua grande capacidade lutadora, conseguiu manter Arouca no ar e lavar as notícias desta terra, através das ondas hertzianas e dos bits digitais para todo o mundo.

Por tudo isso e pelas barreiras vencidas Adelino Pinho, com aquele estilo que bem o carateriza, e sem falsas modéstias, considerou-se merecedor deste trofeu e confessou que foi com muita alegria e orgulho que o recebeu.

A valorizar esta luta, Adelino Pinho confessou que nunca foi um subsídio-dependente, pois nunca quis viver de subsídios mas sim do seu trabalho. O que ele pretende é que lhe deem trabalho e que esse trabalho seja justamente remunerado. Mesmo assim, muito tem sido o trabalho de reportagem exterior que a Rádio Regional de Arouca tem feito completamente de graça.

Orgulhosa por esta justa distinção estará também, não só a vasta audiência, quer dentro, quer fora do País, como também a sua família que, durante tantos anos, se viu privada da sua presença, devido à paixão que Adelino Pinho sempre teve por esta sua ”namorada”.

Certamente que o dia 2 de Maio, festa da padroeira de Arouca que, mais uma vez, a Rádio Regional de Arouca levou graciosamente para fora de Arouca, nas suas ondas hertzianas,  e para todo o mundo, nos seus bits digitais, ficará com uma memorável data para a história da Rádio Regional de Arouca.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº808 de 15 de maio 2012

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Festa da Padroeira de Arouca

por jcerca em 5 de Maio de 2012

Faltou o sol mas o brilho da festa permaneceu

Mesmo com condições meteorológicas adversas e completamente diferentes das do ano passado, a festa da Rainha Santa Mafalda, não deixou de ter o seu fulgor, que a igreja, conventual, completamente cheia de fiéis, quer de manhã, quer nas cerimónias da tarde, bem pôde comprovar.

O altar com o túmulo-relicário da rainha, sempre muito concorrido de fiéis, durante todo o dia, e que o encheram, não só de numerosos objetos em cera, mas também com algumas ofertas, como prova de agradecimento por graças obtidas por sua intercessão, testemunham, uma vez mais, o caráter eminentemente religioso desta festa.

Se algo terá conseguido roubar algum brilho à festa foi a chuva que não permitiu que a procissão percorresse as ruas da Vila de Arouca. Mesmo assim, foi numerosa a multidão de fiéis que se incorporou na procissão que se realizou no interior do Convento, através do coro das freiras e dos claustros.

A celebração litúrgica

Presidida pelo bispo auxiliar do Porto, D.João Lavrador, acompanhado de diversos sacerdotes de Arouca e musicalmente enriquecida pelo coro de Urrô, dirigido pelo seu maestro Mário Teixeira e acompanhado ao órgão pelo organista titular, sr. Nicolas Roger, esta Missa Solene foi, certamente, o ponto alto das festividades deste ano em honra da padroeira de Arouca.

Na homilia proferida e transmitida pela Rádio Regional de Arouca, o bispo auxiliar do Porto referiu que uma das notas caraterísticas de santa Mafalda foi “o encontro com os pobres e a partilha dos bens com eles.” E ao falar das grandes preocupações de Mafalda, D.João Lavrador referiu, como tais, a necessidade que ela teve de “encontrar espaço de silêncio, de oração e de partilha com as suas irmãs” o que a terá ajudado na reforma do estilo de vida conventual, de modo a que ele pudesse corresponder melhor aos ideais ascéticos da sua comunidade para fazer dela “testemunha de Jesus Cristo na sociedade envolvente.” E ao referir-se ao espaço físico que ainda alberga os restos mortais de Santa Mafalda, D.João Lavrador referiu que este mosteiro e santa Mafalda “interpelam-nos sobre a herança que nos deixaram e sobre a responsabilidade presente que nos incumbe na evangelização do mundo de hoje.”

A componente cultural

Vem sendo habitual, na festa da padroeira de Arouca, que religião e cultura se irmanem na mesma evocação da memória daquela que foi, não só a neta do primeiro rei de Portugal, mas também a grande reformadora da vida monacal da sua época.

Por isso, a festa deste ano, além da habitual atuação da centenária Banda Musical de Arouca, teve também uma forte componente cultural, através de um Concerto de órgão e voz, na tarde do Domingo 29 de Abril e de um concerto polifónico na tarde do dia 1 de maio, pelo Grupo Coral “Mille Vocci” que fez a apresentação do  CD áudio “Rainha Santa”, interpretando, no cadeiral do Mosteiro de Arouca, os 11 temas musicais do Cancioneiro de Arouca que compõem este CD.

E sendo o Mosteiro de Arouca um dos numerosos sítios cistercienses da Europa, refira-se ainda, como ato cultural, integrado nas festas da padroeira de Arouca a apresentação ao público do livro “Sítios Cistercienses da Europa”, um excelente guia bilingue sobre alguns dos numerosos  sítios legados pela Ordem de Cister por toda a Europa.
Todo o programa cultural que envolveu esta festa foi da responsabilidade da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda.

E se a meteorologia não foi, desta vez, muito favorável a eventos festivos, contudo a componente religiosa e cultural da festa deste ano acabaria por ultrapassar as adversidades do tempo que, vistas por outro lado, até acabaram por ser consideradas como uma bênção de Santa Mafalda para os agricultores preocupados, não só com a crise, como também com a grande seca que se vinha fazendo sentir por todo o País.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº808 de 15 de maio 2012
Publicado na “Voz Portucalense” nº19 de 16 de maio 2012

 

 

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REPRODUÇÕES DO MUSEU DE ARTE SACRA DE AROUCA

por jcerca em 4 de Maio de 2012

Depois de ter sido solicitada à Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda o empréstimo de uma das mais antigas esculturas de Santa Mafalda, a sua estátua jacente, existente no Museu de Arte Sacra de Arouca e que neste momento ainda se encontra numa exposição a decorrer no Museu Grão Vasco em Viseu, até final de julho, integrada  nas comemorações  dos 850 anos da morte de São Teotónio (1082-1162), apareceu recentemente reproduzida uma das muitas obras de pintura quinhentista existente neste Museu.

Trata-se de “A Palava e a Imagem”  de Paulo Mendes Pinto, uma excelente publicação composta por 50 episódios bíblicos evocados  através de obras-primas da Arte Portuguesa.

A obra do Museu de Arte Sacra solicitada para figurar neste livro é a “Incredulidade de S.Tomé”, pertencente a Diogo Teixeira (1540-1612). Esta é uma das 6 obras de Diogo Teixeira existentes no Museu de Arte sacra e que foram identificadas em 1995 pelo historiador de arte, Adriano de Gusmão. Trata-se de uma pintura a óleo sobre madeira com as dimensões de 1640mm de altura por 1065mm de largura.A edição desta obra, com 175 páginas e uma excelente apresentação, é da Direção de Filatelia dos CTT.

Uma outra publicação recente com referências ao Museu de Arte sacra de Arouca, intitula-se “Os nossos Santos e Beatos e outros que Portugal adotou” de Alberto Júlio Silva. Esta obra, com 265 páginas, além de um breve resumo da vida das beatas Teresa, Sancha e Mafalda, filhas de D.Sancho I, contém a reprodução do retrato da beata Mafalda, pintura existente no Museu de Arte Sacra de Arouca.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº207 de 11 de maiode 2012

Publicado no “Jornal de Arouca” nº808 de 15 de maio 2012

Publicado na “Voz Portucalense” nº19 de 16 de maio 2012

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QUADRAS SOLTAS

por jcerca em 2 de Maio de 2012

EM LOUVOR DA RAINHA SANTA MAFALDA

Hoje, dia 2 de Maio, festa da Rainha Santa Mafalda em Arouca, aqui ficam estas quadras do meu amigo Alberto Julio Silva em homenagem à Padroeira de Arouca:

Senhora Santa Mafalda,

sois rainha e padroeira,

orgulho da nossa terra,

mãe do povo verdadeira.

 

Rogai por nós, por Arouca,

que vos reza e que vos canta,

Rainha que a Portugal

grandeza dais tanta, tanta.

 

Vossa Irmandade real

e vosso povo devoto

levam a vossa memória

ao Portugal mais remoto.

 

Em glória vos celebramos,

coroa real vos impomos,

porque sois senhora nossa

vossos vassalos nós somos,

 

Senhora como princesa,

como rainha sois santa.

jubilosa, Arouca em festa,

gratos louvores vos levanta.

 

Vestistes hábito branco,

de Cister fizestes arca.

Rogai pela Santa Igreja,

por Pedro e por sua barca.

 

Vosso báculo é bastão

que guarda, rege e conduz.

Vossa cabeça coroada

só nos lembra a de Jesus.

 

Com vossas beatas irmãs,

santas convosco na glória,

pedi p’ra nós bênção, paz,

contra o maligno vitória.

 

Teresa amou Deus em Coimbra,

Sancha foi santa em Lorvão.

Mafalda escolheu Arouca

P’ra seu repouso e brasão.

 

São três Princesas tão santas,

tão diversas na unidade,

que lembram de muito longe

a altíssima Trindade.

 

Senhora Santa Mafalda,

prontinha pra entrar no Céu,

vestida de oiro e de prata,

touca de tule e seu véu.

 

Rainha Santa Mafalda

aí, de guarda ao mosteiro,

sois sentinela e sois madre

de Portugal todo, inteiro.

2 de maio 2012

Alberto Júlio Silva

 

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº206 de 04 de maiode 2012

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