SALESIANOS COOPERADORES DE AROUCA EVOCAM MÃE MARGARIDA

por jcerca em 25 de Novembro de 2023

Formação sobre mãe Margarida_mesa

Ocorrendo a 25 de novembro o 167º aniversário da morte da mãe de D.Bosco, Margarida Occhiena, o núcleo local dos Salesianos Cooperadores de Arouca quis evocar a memória desta extraordinária mulher, declarada Venerável por Bento XVI em 2006.

O primeiro momento teve lugar no espaço de formação mensal em que foi projetado e comentado um vídeo sobre Mãe Margarida, ela que foi a primeira cooperadora de Bosco. No sonho que o seu filho Joãozinho Bosco teve aos 9 anos, ela mostrou já a sua sábia intuição maternal, ao interpretar o significado desse sonho como uma possível indicação de que o seu filho poderia vir a ser padre: “Quem sabe se não serás padre?”

Formação de novembro

O segundo momento teve lugar, após a formação, na igreja do Mosteiro de Arouca, onde foi rezado o terço com meditação sobre a venerável Mãe Margarida, em frente ao altar da outra mãe de D.Bosco, Maria Auxiliadora, justamente designada por “Virgem de D.Bosco”.

Reza do terço

Refira-se que a imagem que aí se encontra, ao lado de um pequeno busto de D.Bosco, é a mesma imagem que durante muitos anos esteve na capela dos Salesianos, no tempo em que a obra salesiana esteve presente em Arouca. Depois de devidamente restaurada essa imagem foi aí colocada à veneração dos seus devotos, em setembro de 2022, durante a evocação do 40º aniversário da saída dos Salesianos de Arouca.

IMG_20221208_122632

{ 0 comentários }

ASARC VISTA CASA DE CAMILO

por jcerca em 3 de Novembro de 2023

No dia 31 de outubro a Academia Sénior de Arouca realizou uma visita de estudo à casa onde Camilo Castelo Branco passou os últimos 26 anos da sua vida e onde escreveu grande parte das suas obras, em S.Miguel de Seide, no concelho de Famalicão.

Numa altura em que a figura de Camilo trouxe para a comunicação social uma desnecessária e inoportuna polémica, relacionada com o pedido para a retirada do espaço público de uma estátua deste escritor, frente a Cadeia da relação do Porto, proposta à Câmara do Porto, por um grupo de personalidades, a escolha deste 1º itinerário literário da Asarc não poderia ter sido mais adequada e oportuna.

 20231031_114105

A casa de Camilo

Recentemente remodelada, a 16 de março de 2022, essa casa habitada por Camilo e Ana Plácido desde 1863 a 1890, abriu ao público em 1922 como Museu camiliano e conserva algum mobiliário, utensílios pessoais do escritor, centenas de cartas, bem como uma grande parte da sua biblioteca particular.

Toda pintada exteriormente com um amarelo vivo para exprimir o poder económico de quem a mandou construir em 1830, Manuel Pinheiro Alves, um português que ganhou avultada fortuna no Brasil e que foi casado com Ana Plácido que viria a apaixonar-se por Camilo, com quem acabaria por casar e aí viver, após a morte do seu primeiro marido.

 A casa-museu: do espólio às vivências

Atendendo ao numeroso grupo arouquense, a visita foi desdobrada em dois grupos simultâneos, acompanhado cada um pelo respetivo guia.

E mais do que o recheio e o ambiente camiliano que esta casa encerra, foram importantes e marcantes as vivências que os guias conseguiram despertar nos visitante seniores, através, não só de uma grande interação com os mesmos, como também mediante a declamação de alguns sonetos de Camilo e através da interpretação de excertos de algumas das suas obras, como, por exemplo, a “Maria Moisés” das Novelas do Minho. Isso permitiu mesmo aos curiosos e atentos visitantes saborear também um pouco da riqueza vocabular da prosa camiliana.

20231031_102804

Foi graças à maneira viva e entusiasmante com que os guias foram percorrendo os diversos espaços desta casa-museu que os visitantes puderam sentir e vivenciar que, dentro daquela casa, coexistiu a luz artística de um génio literário com a escuridão da loucura e do desespero que viria a ter o seu desenlace dramático no dia 1 de junho de 1890, com o suicido do escritor, certamente desencadeado pela sua irrecuperável cegueira.

E se lá dentro, ao lado da secretária de dupla face onde Camilo escrevia, em companhia de Ana Plácido, continua presente a cadeira balouçante que acolheu o desfecho trágico daquele que foi o 1º profissional a viver da escrita, lá fora, diante da casa, permanece a imponente “Acácia do Jorge” a perpetuar outra das muitas vicissitudes da conturbada vida do escritor: a loucura de um dos seus filhos.

20231031_110220

E se o espólio desta casa-museu poderá, facilmente, ser guardado no telemóvel de cada visitante que o deseje, a verdade é que serão as vivências, despertadas pelos guias, a melhor e mais indelével recordação que cada visitante levará consigo na sua memória.

E se tal visita despertar ainda o desejo de conhecer ou revisitar algumas das obras camilianas, tanto melhor. Será oiro sobre azul.

Belezas do Minho

Esta visita à casa de Camilo foi completada com uma breve digressão pela região de Guimarães com uma paragem na Tasca da Carroça para o agradável momento gastronómico que faz sempre parte de qualquer visita de estudo organizada pela Asarc.

20231031_143746

Após almoço, seguiu-se um breve percurso pela zona histórica de Guimarães e uma visita guiada ao Palácio dos Duques de Bragança, com explicação sobre os hábitos e costumes aí vividos pela nobreza no sec. XV, nomeadamente pelo 1º Duque de Bragança, D.Afonso que foi filho (ilegítimo) do rei D.João I.

20231031_155530

E com este recuar no tempo, quer à época camiliana, quer ao período da nossa monarquia medieval, se completou mais uma visita de estudo turístico-cultural organizada pela Asarc e que enriqueceu todos os que nela tiveram o privilégio de participar.

20231031_152954

José Cerca

{ 0 comentários }

PEREGRINAÇÃO SALESIANA A BALASAR

por jcerca em 30 de Setembro de 2023

Realizou-se no dia 30 de setembro de 2023 uma peregrinação a Balasar para conhecer melhor a vida e os espaços onde viveu Alexandrina da Costa, Salesiana Cooperadora, beatificada a 25 de abril de 2004, pelo Papa S. João Paulo II.

20230930_171115

Esta peregrinação foi organizada pela Associação dos Salesianos Cooperadores de Arouca e nela participaram 64 pessoas, entre Salesianos Cooperadores e amigos da Obra Salesiana.

A peregrinação começou com o acolhimento no Centro Internacional Salesiano de Espiritualidade, dirigido pela Salesiana Cooperadora Maria Rita Scrimieri que dirigiu a todos palavras de boas-vindas e acompanhou os peregrinos pelos diversos espaços referentes à beata Alexandrina de Balasar.

20230930_102007

O primeiro espaço visitado foi a casa onde viveu e morreu Alexandrina, a 13 de outubro de 1955. Esta visita, em pequenos grupos, foi antecedida de uma explicação sobre vários aspetos da sua vida mística, conduzida por Maria Rita, nos espaços do jardim da casa, um espaço muito acolhedor e repleto de larga informação, com painéis muito bem esquematizados, sobre os principais aspetos da sua vida.

20230930_104828

A capela da Santa Cruz

Após o almoço, muito bem servido no refeitório do Centro Internacional Salesiano, os peregrinos continuaram a sua visita guiada a outros espaços relacionadas com a beata Alexandrina.

20230930_130926

Um desses espaços foi a capela da Santa Cruz, próxima do igreja paroquial, e onde em 1832, no dia do Corpo de Deus (21 de junho), terá aparecido uma grande cruz desenhada na terra. Mesmo após várias tentativas para a esbater, não conseguiram apagá-la do chão, tendo posteriormente sido edificada, sobre ela, a atual capela da Santa Cruz.

20230930_151837

Acredita-se que tal milagre da cruz terá sido um sinal de Deus a preparar esta comunidade  para a mensagem futura da beata Alexandrina, cuja vida mística foi um permanente apelo à conversão e ao arrependimento, tal como ficou registado nos seus numerosos escritos.

20230930_151849

O túmulo da beata Alexandrina.

Depois da explicação sobre a origem desta capelinha e da sua ligação à vida de Alexandrina, os peregrinos arouquenses visitaram o cemitério paroquial onde esteve sepultada Alexandrina e cujos restos mortais foram trasladados para a igreja matriz em 1977.

20230930_160921Foi perante este túmulo que o grupo arouquense terminou a sua digressão pelos diversos espaços relacionados com a beata Alexandrina, tendo aí sido rezada, coletivamente, a oração para a sua canonização e em cujo processo estiveram envolvidos dois sacerdotes salesianos, o Pe. Humberto Pasquale e o Pe. Heitor Calovi.

A peregrinação terminou com a celebração vespertina da Eucaristia dominical, presidida pelo pároco de Balasar, Pe. Manuel Neiva.

20230930_171134

Além de uma jornada de salutar convívio entre todos, esta peregrinação foi, sobretudo, um excelente momento de enriquecimento cultural e espiritual para todos os que nela tiveram o privilégio de participar.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº596 de 6 de  outubro de 2023

{ 0 comentários }

ACADEMIA SÉNIOR DE AROUCA

por jcerca em 20 de Setembro de 2023

“aula catedrática” abre ano académico

 20230919_160024

Foi na tarde do dia 19 de setembro que a Academia Sénior de Arouca abriu o seu novo ano académico com a presença do catedrático Professor Dr. Arnaldo Pinho que, perante uma sala completamente cheia, falou sobre o envelhecimento ativo e sobre a importância que instituições como a Asarc desempenham na sociedade e no apoio social, junto dos mais idosos, promovendo uma melhor qualidade de vida sénior.

20230919_160245

Na verdade, tal como foi referido por este catedrático, vivemos, cada vez mais, numa sociedade individualista e competitiva, “ uma sociedade de muita comunicação e pouca comunhão”.

Após esta breve “aula catedrática” seguiu-se a atuação do grupo de cavaquinhos da asarc que interpretou quatro peças do seu reportório e que aqueceram o ambiente para o momento de convívio que se seguiu e que foi preenchido por um lanche oferecido pela asarc a todos os presentes.

20230920_123132

E assim, com agradáveis momentos de reflexão, de música e de convívio se abriu o novo ano académico na Academia Sénior de Arouca.

20230919_170840

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº596 de 6 de  outubro de 2023

{ 0 comentários }

CICLO IBÉRICO DE ÓRGÃO RAINHA SANTA MAFALDA

por jcerca em 10 de Setembro de 2023

Ciclo ibérico de orgão

Promovido pela Real Irmandade Rainha Santa Mafalda, com a supervisão técnica do organista titular do órgão do Mosteiro de Arouca, Paulo Bernardino, teve lugar, no cadeiral do Mosteiro de Arouca o I Ciclo ibérico de Órgão Rainha Santa Mafalda que decorreu nas tardes dos dois últimos domingos de Agosto e dos dois primeiros domingos de setembro.

O programa deste ciclo constou da interpretação de peças de autores do sec.XVI-XVIII para órgão ibérico e a sua execução trouxe a Arouca prestigiados organistas especializados neste tipo de órgão.

 Os organistas

 Paulo Bernardino_1ºconcerto

Além de Paulo Bernardino que é também organista titular da Sé Catedral de Coimbra, bem como organista titular da Capela da Universidade de Coimbra, deram vida a este ciclo de órgão ibérico a organista espanhola Marisol Mendive que é também a presidente da Associação de amigos do órgão da Galiza e cujo reportório foi todo ele preenchido por autores espanhóis dos sec. XVII e XVIII.

Marisol Mendive_2º concerto

Os dois concertos de setembro estiveram a cargo dos organistas Rui Fernandes Soares e João Santos.

Natural de Fiães, Santa Maria da Feira, Rui Soares, além de organista é também cravista e desempenha a função de organista na igreja da Senhora da Conceição no Porto, tendo sido nomeado, desde 2014, organista titular da igreja dos Clérigos, onde é o responsável pelos concertos diários de órgão que aí se realizam.

Rui Soares_3º concerto

Por sua vez, João Santos tem-se destacado nas áreas de Órgão e de Composição, tanto a nível nacional como internacional, tendo participado em prestigiados concursos internacionais de órgão. Foi organista titular do Santuário de Fátima de 2010 a 2018 e é, atualmente, o organista titular da catedral de Leiria, desde 2007.

João Santos_4º concerto

Do coro alto para o coro baixo

Apesar dos organistas atuarem no coro alto, onde está o acesso ao teclado, o público presente pode acompanhar, mais de perto, através da projeção em plasma, ao nível do coro baixo, toda a sua atuação, quer no teclado, quer na mudança dos diversos registos.

Construído pelo organeiro Manuel Bento Gomes Ferreira, natural de Valladolid, entre 1739-1741, este órgão tem 1352 vozes, alimentadas por 24 registos. Trata-se de um órgão ibérico muito apreciado pelos especialistas, que o consideram um dos mais importantes exemplares da organaria deste tipo no mundo.

4ºconcerto_cadeiral

Este ciclo de concertos, que trouxe a Arouca conceituados organistas especializados neste tipo de órgão, permitiu ao público presente apreciar, não só as enormes potencialidades sonoras deste órgão ibérico, como admirar toda a beleza da arte barroca que o rodeia, quer em talha dourada, quer em pintura e estatuária.

De acordo com números recolhidos, junto dos serviços de entrada no Mosteiro, terão passado por este ciclo de 4 concertos mais de 400 pessoas.

Batalhas sonoras

De referir que todos os 4 concertos terminaram com a interpretação de “Batalhas” de autores diversos, sendo Pedro de Araújo (1640-1705) o compositor português e organista da Sé catedral de Braga (1662-1665) quem mais se destacou neste tipo de composição para órgão ibérico.

João Santos_Paulo Bernardino

Trata-se de um género musical surgido em Portugal e Espanha e que se tornou popular nos sécs. XVII e XVIII, procurando tirar partido das características próprias do órgão ibérico, cujos tubos horizontais, providos de palhetas, permitem emitir um som estridente e vibrante, como o de trombetas incitando os supostos guerreiros a combater numa imaginária batalha, que, ao fim e ao cabo, personifica a batalha sonora entre o Bem e o Mal.

Memória e reconhecimento ao Dr. Luís Aguiar Soares

Este primeiro ciclo de concertos de órgão de Arouca foi financiado pelos filhos do Dr. Luís Aguiar Soares, pelo que tal evento cultural e musical constituiu também uma homenagem de memória e de reconhecimento a este médico arouquense.

4º concerto_aplausos

Nascido em Arouca (Rossas), em 1940 e falecido em 2010 (30 de abril) Luís Aguiar Soares, tirou o curso de Medicina do Porto, onde foi um aluno “brilhante”. Concluída a licenciatura, foi para Angola, onde assumiu as funções de Assistente Universitário na Universidade de Luanda, tendo aí concluído a especialidade em patologia clínica.

Benemérito de diversas instituições, algumas delas arouquenses, é também ao Dr. Luís Aguiar Soares que se deve a instalação, em espaços do Mosteiro de Arouca, da Biblioteca Memorial D. Domingos de Pinho Brandão em 2015.

José Cerca

Publicado no jornal “Voz Portucalense” nº31 de 13 de  setembro de 2023

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº595 de 22 de  setembro de 2023

{ 0 comentários }