NECRÓPOLE MEDIEVAL NA PRAÇA

por jcerca em 13 de Abril de 2012

            Enquanto as obras no Terreiro de Santa Mafalda estão já quase a chegar ao fim para disponibilizar aquele magnífico espaço para as festas da padroeira de Arouca no próximo dia 2 de maio; enquanto o jardim municipal vai adquirindo a versão final da sua nova configuração; enquanto as obras na avenida 25 de abril vão avançando a bom ritmo, na vedada e polémica praça as escavações continuam a revelar descobertas interessantes que contribuirão, certamente, para desvendar um passado da história de Arouca adormecido há séculos sob este importante espaço da zona histórica da Vila.

            Depois de desvendados o que restava das fundações da antiga igreja matriz de Arouca, a igreja de S.Bartolomeu, mandada construir sob o mandato da abadessa D. Milícia de Melo, possivelmente em 1516, e desmontada por volta de 1892, foi agora descoberto mais um conjunto de sepulturas, que poderá constituir uma necrópole medieval, anterior, portanto, à construção da igreja de S,Bartolomeu. Totalizando já 19 sepulturas descobertas e cuidadosamente levantadas pelos arqueólogos da empresa “Arqueologia e Património” que vem acompanhando todos os trabalhos de escavações feitas no âmbito do projeto de regeneração, duas destas sepulturas encontradas esta semana contém as ossadas completas dos respetivos cadáveres, cuja morada final terá sido apenas violada pela invasão das raízes das árvores à sombra da qual jaziam adormecidas, tal como se pode ver na foto.

Esqueleto atravessado por raizes da tilia vizinha

Segundo informações do Dr. João Rebuge, as escavações têm-se mostrado algo complexas, dado que as sepulturas encontradas revelam fases de enterramento diferentes, encontrando-se algumas delas sobrepostas e em fase de conservação bastante delicada.

Perante as escavações já efetuadas, tudo indica que esta necrópole, ou mais propriamente, este cemitério, uma vez que se trata de um espaço destinado a local de enterramento de cristãos, terá estado situado entre a antiga  praça superior e a praça inferior, chegando mesmo a ocupar parte do espaço em que, posteriormente, viria a ser implantada a antiga igreja de S.Bartolomeu.

Segundo a antropóloga física, drª Zélia Rodrigues, que também acompanha o levantamento das ossadas destas sepulturas, os ossos encontrados serão objeto de análise nos laboratórios da empresa e depois enviadas para a reserva do IGESPAR,IP onde ficarão devidamente registadas quanto à sua proveniência, não deixando, contudo de pertencer à localidade onde foram encontradas. Certamente que, ao serem objeto de estudo, num diálogo profícuo entre a arqueologia e a antropologia física, nomeadamente no âmbito da paleoantropologia funerária, estes achados poderão fornecer interessantes dados para um melhor conhecimento da história de Arouca, nomeadamente, desta sua necrópole medieval. Esta é, sem dúvida, além de outros, um dos aspetos positivos que estão a surgir deste projeto de regeneração, que terá encontrado, inexplicavelmente, e “fora do prazo de validade”, um certo movimento de contestação, por parte de alguns cidadãos arouquenses, chegando-se mesmo a interpor uma providência cautelar para suspensão das obras.

As sepulturas recentemente descobertas encontram-se lado a lado, já fora da área da igreja de S.Bartolomeu, situando-se entre a fachada poente desta igreja quinhentista e aquilo que é hoje o edifício dos Correios.

Algumas das últimas sepulturas descobertas na praça

Refira-se, como nota final, que as escavações efetuadas na praça Brandão de Vasconcelos, obrigaram não só à polémica mudança do centenário fontanário, como à deslocação de 4 árvores (magnólias), que, ao que tudo indica, parecem não ter enveredado na contestação civil, tendo-se adaptado perfeitamente bem à sua nova localização.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº806 de 15 de abril 2012

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Acampamento em Ponte de Telhe

por jcerca em 4 de Abril de 2012

Local do acampamento com um obrigado aos proprietarios

Com o som do rio Paivô, como música de fundo, e com o cantar dos galos, como despertador matinal, escolheu o grupo dos ADS do Centro Juvenil Salesiano de Arouca um tranquilo e acolhedor recanto para acamparem, de 30 de março a 1 de abril, no lugar de Ponte de Telhe.

Tendo como apoio logístico as instalações da Escola do 1º ciclo e o espaço da capela em construção, esse acampamento proporcionou aos jovens e adolescentes do Movimento Juvenil Salesiano uma boa integração com a população local, através não só da entrega pessoal do programa do acampamento, bem como da participação comum em algumas das atividades, tais como uma Via Sacra e a participação na procissão e eucaristia do Domingo de Ramos.

Distribuindo o programa e vendendo livros pela aldeia

Pelas opiniões recolhidas junto de alguns campistas a satisfação geral e o enriquecimento pessoal foram nota comum.

Para Beatriz Azevedo este acampamento foi “uma atividade muito fixe com momentos de brincadeira, de convívio e também formativos”. Para João Almeida esta atividade “ensinou-nos a estar em grupo, a estar em contato com a natureza e em relação com Deus”. Para Inês Azevedo “estar com os amigos, conviver com os outros, fazer novas amizades e participar nos jogos, nas caminhadas e na oração da noite” foram os aspetos que mais destacou. Por sua vez, Miguel Sousa salientou o “ambiente de convívio, o aprofundamento da parte religiosa e a interação com a população local”. Para Matilde Soares, “a descoberta de um lugar que desconhecia,  partilhar o espírito da Páscoa com os amigos e estar em contato com a natureza” foram os aspetos mais relevantes deste acampamento.

Elemento importante nesta relação entre o grupo e a população foi o papel desempenhado pelo pároco, Pe. Paulo Teixeira que muito contribuiu para a boa empatia entre a população anfitriã e o grupo visitante.

Expressão desse bom acolhimento e dessa empatia foi o bilhetinho escrito por uma moradora dessa localidade que, através da sua singeleza  e da sua espontaneidade, exprimiu bem o sentir geral com que aquela comunidade cristã acolheu estes jovens.

“Ponte de Telhe é pequenina, mas tem graça

Tem o rio Paivô para dar banho a quem passa.

 As vossas palavras e a vossa passagem por aqui

Só nos vieram enriquecer;

Podem ter a certeza que nunca vos vamos esquecer.

Um beijo para todos”  – Maria Fernanda Duarte

O ramo entregue ao pároco durante a Eucaristia, as palavras de agradecimento e o “Obrigado, gente de Ponte de Telhe” proclamado em coro pelos ADS, constituiu um gesto simples mas bem sentido por ambas as partes.

Juri, constituido por crianças da aldeia avaliando atividades

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº204 de 20 de abril de 2012

Publicado no “Jornal de Arouca” nº806 de 15d e abril 2012

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A caminho da 2ª tonelada de papel

por jcerca em 2 de Abril de 2012

O Centro Juvenil Salesiano  de Arouca informa que já foi ultrapassada a recolha de uma tonelada de papel que será transformado em alimentos depois de entregue no Banco Alimentar de Aveiro.

A campanha prolongar-se-á até meados do mês de Abril. Aproveite esta campanha para se desfazer de papel, jornais, revistas e manuais escolares antigos a ocuparem espaço nas suas estantes. A organização agradece a sua colaboração. Queremos atingir a 2ª tonelada de papel recolhido, com o seu apoio e a sua sensibilidade social e ambiental.

Publicado no “Jornal de Arouca” nº805 de 31 de marçode 2012

 

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Luz verde para continuação das obras na praça

por jcerca em 29 de Março de 2012

Depois dos vestígios arqueológicos encontrados nas escavações da Praça Brandão de Vasconcelos, integradas nas obras de regeneração da zona histórica de Arouca e que estão relacionados com as fundações da antiga igreja matriz de S.Bartolomeu e com a existência de um primitivo cemitério nessa mesma zona e que, possivelmente, até será anterior à construção da própria igreja matriz, levantou-se o problema sobre o que fazer perante tais achados arqueológicos.

Uma das sepulturas encontrada com ossadas dentro dos vestígios da igreja de S.Bartolomeu

As diversas entidades envolvidas nestas obras, depois de uma ponderação sobre esta situação deslocaram-se ao local e, no dia 29 de março, com a presença da Câmara Municipal, como proprietária da obra, da empresa construtora, “Construções Pimenta” e da empresa “Arqueologia e Património”, responsável pelas  escavações arqueológicas que acompanham o projeto de regeneração, deram luz verde para a prossecução das obras e remoção do que restava das fundações da igreja quinhentista de S.Bartolomeu, datada provavelmente de1515.

Além da Diretora Regional da Cultura do Norte, Arquiteta Paula Silva, estiveram no local das escavações, a Drª Cidália Delgado, do departamento de Antropologia da DRCN e a DrªGertrudes do Igespar de Viseu.

Dado não terem surgidos divergências de fundo entre as entidades responsáveis pelas escavações nesta zona histórica, uma vez que as pedras que restavam das fundações não eram pedras trabalhadas, mas simples pedras de alicerce, as mesmas foram mandadas remover e depositadas na cerca do mosteiro com identificação da sua origem.

Segundo informações colhidas junta dos arqueológos da empresa “Arqueologia e Património” que acompanham as escavações, a drª Helena Marçal e o Dr. João Rebuge, as únicas pedras trabalhadas que foram encontradas estavam na base que serviu de suporte à primeira instalação do fontanário e que teriam sido retiradas da antiga igreja quinhentista, tal como o foram para a construção da torre sineira da capela da Misericórdia e para o Cemitério municipal.

Vista aérea da praça em escavações, com o que resta da igreja de S.Bartolomeu

Tais pedras foram também guardadas no Mosteiro, podendo vir a serem integradas no Centro de Arqueologia de Arouca, para memória futura.

Refira-se ainda que na remoção das pedras e da terra continuam a aparecer ossadas dispersas no entulho e descontextualizadas de qualquer túmulo. Mesmo assim e segundo informações dos mesmos arqueólogos, os trabalhos de remoção estão a ser feitos com cuidado e sempre atentos ao aparecimento de quaisquer outros vestígios que revelem qualquer relevância histórica.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº805 de 31 de marçode 2012

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As obras na praça, além de terem levantado alguma polémica quanto à sua realização, também têm contribuído para pôr a descoberto interessantes vestígios que assinalam marcas de um passado nascido e vivido à sombra do seu Mosteiro.

Além da tão falada igreja paroquial de S. Bartolomeu, cujos vestígios das suas fundações acabaram por ver a luz do dia, depois de jazerem vários séculos sob a praça Brandão de Vasconcelos, foram descobertas duas sepulturas contendo ossadas já em adiantado estado de degradação, devido certamente à grande humidade da zona em que jaziam. Além de duas caveiras, foram encontrados também tíbias que, depois de levantadas, foram encaminhadas para os laboratórios da empresa “Arqueologia e Património”, responsável pelas escavações arqueológicas que acompanham as obras do projeto de regeneração da zona histórica da Vila de Arouca, de modo a serem limpas para serem sujeitas a estudos posteriores.

Arqueólogos anunciando as descobertas perante a comunicação social

A localização destas duas sepulturas, pelo facto de terem sido cortadas pelos muros da antiga igreja paroquial de S.Bartolomeu, uma, pelo muro do fundo da igreja, mesmo ao lado da porta de entrada, e outra, pelo muro lateral esquerdo, indiciam, claramente, tratar-se de sepulturas anteriores à construção da própria igreja quinhentista.

Embora parte das pedras das fundações desta igreja tenham já desaparecido, não só para a construção da torre sineira da capela da Misericórdia, como também para os muros do cemitério municipal e para as fundações em que assentou o fontanário da Praça, na sua primeira localização, sabe-se que as dimensões desta igreja teriam cerca de 19 metros de comprimento, por 8 metros de largura.

Uma das sepulturas em que foi encontrada uma caveira

Relativamente ao enquadramento destas descobertas arqueológicas com o desenrolar das obras de regeneração histórica sabe-se apenas que essa ponderação está a ser equacionada por responsáveis do antigo Igespar, estando nas mãos da arqueóloga Belém Paiva, a decisão relativamente a este assunto, decisão essa que passará, obviamente, também pela Câmara Municipal de Arouca, como proprietária da obra.

José Cerca
Fotos: Ivo Brandão

Publicado no “Jornal de Arouca” nº805 de 31 de marçode 2012

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