As obras na praça, além de terem levantado alguma polémica quanto à sua realização, também têm contribuído para pôr a descoberto interessantes vestígios que assinalam marcas de um passado nascido e vivido à sombra do seu Mosteiro.
Além da tão falada igreja paroquial de S. Bartolomeu, cujos vestígios das suas fundações acabaram por ver a luz do dia, depois de jazerem vários séculos sob a praça Brandão de Vasconcelos, foram descobertas duas sepulturas contendo ossadas já em adiantado estado de degradação, devido certamente à grande humidade da zona em que jaziam. Além de duas caveiras, foram encontrados também tíbias que, depois de levantadas, foram encaminhadas para os laboratórios da empresa “Arqueologia e Património”, responsável pelas escavações arqueológicas que acompanham as obras do projeto de regeneração da zona histórica da Vila de Arouca, de modo a serem limpas para serem sujeitas a estudos posteriores.
A localização destas duas sepulturas, pelo facto de terem sido cortadas pelos muros da antiga igreja paroquial de S.Bartolomeu, uma, pelo muro do fundo da igreja, mesmo ao lado da porta de entrada, e outra, pelo muro lateral esquerdo, indiciam, claramente, tratar-se de sepulturas anteriores à construção da própria igreja quinhentista.
Embora parte das pedras das fundações desta igreja tenham já desaparecido, não só para a construção da torre sineira da capela da Misericórdia, como também para os muros do cemitério municipal e para as fundações em que assentou o fontanário da Praça, na sua primeira localização, sabe-se que as dimensões desta igreja teriam cerca de 19 metros de comprimento, por 8 metros de largura.
Relativamente ao enquadramento destas descobertas arqueológicas com o desenrolar das obras de regeneração histórica sabe-se apenas que essa ponderação está a ser equacionada por responsáveis do antigo Igespar, estando nas mãos da arqueóloga Belém Paiva, a decisão relativamente a este assunto, decisão essa que passará, obviamente, também pela Câmara Municipal de Arouca, como proprietária da obra.
José Cerca
Fotos: Ivo Brandão
Publicado no “Jornal de Arouca” nº805 de 31 de marçode 2012


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arouca e sem duvida uma terra cheia de descobertas com muito valor e cheia de patrimonio nao so o que ja esta descoberto ocmo o que vai aparecendo, e uma terra linda em todos os sentidos