AO CARNAVAL NEM A CRISE LHE FAZ MAL!

por jcerca em 23 de Fevereiro de 2012

Bem diz o povo que tristezas não pagam dívidas e o Carnaval 2012 veio, mais uma vez, comprovar isso. De facto, nem a tão falada crise impediu que, por todo o lado, a imaginação, a criatividade e a irreverência dessem lugar a inúmeras manifestações carnavalescas.

Tal como aconteceu um pouco por todo o País, apesar da tão polémica (in)tolerância de ponto, também Arouca saiu à rua para viver mais um Carnaval.

E se na sexta-feira as ruas da Vila foram percorridas pelos pequenos mascarados das nossas escolas, que decidiram participar no desfile infantil de Carnaval,  já na 3ª feira de Carnaval, sob o conforto de um sol primaveril, uma multidão acorreu à Vila de Arouca para assistir ao corso do Carnaval 2012.

Várzea tem mesmo pernas para o Carnaval

Apesar das obras na principal artéria da Vila e não obstante a crise que se faz sentir, a verdade é que isso não impediu que o Carnaval deste ano atingisse o brilho, o colorido e a alegria de anos anteriores. E se um ou outro grupo habitual em anos anteriores não marcou presença este ano, a verdade é que foi a Freguesia de Várzea que acabou por se salientar neste desfile, quer pela quantidade de carros e de pessoas envolvidas no corso, quer pela criatividade neles manifestada.

Curiosos neste tipo de desfiles são sempre os cartazes ou as situações representadas, quase sempre críticas e irreverentes, tendo, na maior parte dos casos, como alvo figuras ou situações da política portuguesa, ou até mesmo da realidade local. E o Cavaco, a crise e a Troica não escaparam com divertidos e irreverentes cartazes.

Jogar ao Entrudo

De entre os festejos carnavalescos deste ano há que referir ainda o Concurso do melhor mascarado tradicional organizado pela Câmara Municipal de Arouca e que teve lugar no Jardim do Milénio na 2ª feira à noite.

Apesar do frio que se fazia sentir, muita gente cercou o Monumento ao Milénio, quer para jogar ao entrudo, quer para assistir ao desfile de mascarados.

Depois de um período para inscrição dos mascarados que pretendessem participar no Concurso, desfilando numa passarela montada à frente das portas do Milénio, teve lugar a atuação do TEA – grupo de teatro experimental de Arouca, que através de uma interessante coreografia cénico-musical pretendeu exprimir a libertação de uma Arouca acorrentada.

Teatro Experimental de Arouca libertando uma Arouca acorrentada.

Após esta atuação seguiu-se o desfile dos 30 mascarados inscritos.

Enquanto o júri constituído por 3 elementos da Câmara Municipal de Arouca e por um professor de EVT, se reuniu para atribuir um prémio aos 3 melhores mascarados, o Centro Cultural de Moldes apresentou a queima do compadre e da comadre que foi acompanhada da leitura de numerosas quadras populares todas elas marcadas pela crítica irreverente e pela ironia a diversos aspetos da realidade política nacional e local.

Os mascarados distinguidos neste concurso foram:

O homem dos couratos e o seu cão

1º  Prémio: participante nº14 “Homem  dos couratos e o seu cão” a quem foi entregue pelo Presidente da Câmara um Cabaz  de Entrudo grande, no valor de 40,00€ , acompanhado de um prémio monetário de 50,00€;

2º  Prémio: participante nº4 “Casal franciscano” . Recebeu um Cabaz de Entrudo médio no valor de 35,00€

3º  Prémio: participante nº19 “1º  Ministro e sua Dama”. Foi contemplado com um Cabaz de Entrudo pequeno no valor de 25,00€.

Foi ainda atribuído o Prémio Criatividade e Inovação ao participante nº6 “O Centauro” que recebeu um prémio monetário no valor de 50,00€.

Prémio Criatividade e Inovação

Ainda dentro deste tema carnavalesco refira-se também a mostra de máscaras de Carnaval construídas pelas comunidades escolares e que está patente ao público no Museu Municipal até dia 4 de Março.

José Cerca

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PRAÇA BRANDÃO DE VASCONCELOS

por jcerca em 19 de Fevereiro de 2012

Uma praça esventrada à espera de novo rosto

Completamente vedada aos olhares curiosos do público as obras de regeneração já chegaram ao ponto mais polémico e que provocou alguma contestação: a praça Brandão de Vasconcelos.

O chafariz já foi desmontado e as casas de banho destruídas tal como se pode ver nesta foto.

É curioso notar que apesar do buraco já aberto no meio da praça um dos cartazes contestatários lá continua no seu posto o que revela, certamente, uma atitude de respeito por quem entendeu não concordar com esta intervenção. É assim a democracia quando vivida com maturidade e com respeito pelas opiniões divergentes.

Desde o princípio que defendemos estas obras de regeneração na zona histórica de Arouca, desde que fossem devidamente enquadradas no respeito que o nosso melhor ex-libris nos merece. E tudo leva a crer que tal irá ser conseguido.

Acreditamos que estas obras irão oferecer aos arouquenses uma praça, mais airosa, moderna e funcional que muito contribuirá para a modernização do centro histórico de Arouca e até mesmo para a valorização visual da capela da Misericórdia e do edifício da antiga Câmara.

Seria certamente um tremendo erro avançar-se com as obras no parque, na avenida ou no terreiro de Santa Mafalda em que a reimplantação do imponente portal trouxe mais dignidade a um espaço histórico completamente devassado na sua privacidade pelo estacionamento de carros; seria, dizia, um erro imperdoável deixar intocável a praça, só porque não se quis deslocar um fontanário datado de 1901.

Os argumentos mesmo que “fora do prazo de validade” apresentados pelos opositores a estas obras talvez não tenham tido em conta a anacronia estética e urbanística que a praça representaria, no conjunto das obras envolventes, caso se lhe fosse atribuído o estatuto de intocável por este ou aquele motivo, mais emotivo do que racional, ou até mesmo histórico.

Como em tudo na vida, haverá sempre opiniões divergentes, mas a verdade é que essa divergência não pode de modo algum impedir a modernização que a evolução dos tempos a tudo imprime.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº196 de 24 de fevereiro de 2012
Publicado no “Jornal de Arouca” nº803 de 2 de março de 2012

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Centro Juvenil Salesiano – 50 anos de vida

por jcerca em 16 de Fevereiro de 2012

Programa das comemorações

A Associação do Centro Juvenil Salesiano prepara-se para comemorar os seus 50 anos de vida junto da comunidade arouquense.

Criada em 1962 sob a orientação do então Colégio Salesiano e designada inicialmente por “Oratório Festivo”, passou a designar-se, mais tarde, Centro Juvenil Salesiano, constituindo-se, em 1981, como Associação Cultural e Recreativa.

As comemorações terão lugar no dia 25 e 26 de fevereiro com um programa cujos momentos mais importantes serão:

Dia 25 de fevereiro: Sábado

14.30 -  Exposição  documental sobre o Centro Juvenil Salesiano de Arouca no hall do Auditório Municipal (Globo d’Ouro)

15.00 - Sessão comemorativa do Cinquentenário no Auditório Municipal com desfile de atividades e homenagem aos Benfeitores e antigos presidentes do CJSA.

17.00 - Missa com evocação de S.João Bosco e imposição dos lenços aos jovens ADS do Movimento Juvenil Salesiano. Presença do Provincial dos Salesianos, Pe. Artur Pereira.

19.00 - Jantar-convívio na Escola Secundária de Arouca. (inscrições até dia 20 de fevereiro)

21.00 - Variedades no auditório da ESA, com mostra das atividades do Centro Juvenil Salesiano.

 Dia 26 de fevereiro: Domingo

11.15- Missa na Igreja do Convento animado pelo antigo grupo coral do Centro Juvenil. Evocação do 50º aniversário do Centro Juvenil Salesiano de Arouca.

15.30 - Projeção do filme realizado pela RAI sobre  a vida de D.Bosco (Globo d’Ouro).

A Sessão de cinema é aberta à comunidade local e integra-se também nas comemorações do bicentenário do nascimento de S.João Bosco, fundador dos Salesianos. 

 

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“Histórias contadas, memórias preservadas”

por jcerca em 15 de Fevereiro de 2012

Exposição sobre a febre do “ouro negro” em Arouca

A exploração do volfrâmio entrou na história de Arouca de uma maneira singular, pois permitiu que, no mesmo território, convivessem, pacificamente, duas forças antagónicas que no teatro bélico da Europa se degladiavam: os ingleses e os alemães.

E esta convivência pacífica de forças beligerantes no interior das montanhas arouquenses, só foi possível graças à posição de neutralidade que Portugal assumiu nesse conflito mundial.

Foi para reviver esse marcante período da história de Arouca e para preservar ainda alguma memória desse importante época para a identidade de Arouca que, no Museu Municipal, abriu, no dia 11 de fevereiro, uma exposição sobre o volfrâmio subordinada ao tema “Histórias contadas, memórias preservadas”.

A exposição abriu com o Grupo de cantares de Cabreiros a interpretar canções populares do nosso património musical, algumas das quais com referências mesmo ao “minério”.

Artur Neves, na qualidade de Presidente da Câmara Municipal de Arouca, salientou a importância desta exposição levada a cabo pelo projeto AroucaInclui, em parceria com a Adrimag, a AGA e a própria Câmara que tutela estas entidades.

Referindo-se às ruinas em que estão transformados os complexos mineiros,  quer de Rio de Frades, quer de Regoufe, Artur Neves considera-os como motivo de reflexão sobre as marcas do passado que  tais ruinas traduzem, mas afirmou que esta exposição nos prova também que a defesa do património de Arouca não se pode circunscrever à recuperação destas construções. “Temos, acima de tudo, de cuidar das pessoas, dos que viram e viveram estes tempos e sabem, melhor do que ninguém, as transformações que foram ocorrendo, antes, durante e depois dessa “febre do ouro negro”. E acrescentou:

“Esta exposição, mais do que um eventual contributo histórico, ou científico, serve para fixarmos esses testemunhos, olharmos para essas histórias de vida como parte integrante daquilo que hoje somos, e que, em sociedade, temos o dever de partilhar e preservar para que não esqueçamos o que fomos e de onde viemos.”

Composta por algumas peças, objetos, fotografias e documentos de contabilidade cedidos para a exposição por diversas pessoas, esta exposição contém também importantes depoimentos e testemunhos de pessoas que ainda têm viva na sua memória a “epopeia” daquele marcante período da história de Arouca.

Passagens desses testemunhos recolhidos em vídeo, junto de informantes de diversos lugares do concelho de Arouca, fazem também parte desta exposição, através da sua transcrição escrita em diversos painéis.

A vida em Rio de Frades – um filme de 1942

Um momento que despertou grande interesse e  curiosidade na abertura desta exposição foi a projeção de um filme com a duração de 16 minutos, sobre a vida no complexo mineiro de Rio de Frades, cujas imagens foram captadas há 70 anos por António de Pinho e Freitas, natural de Águeda e que era capitão do exército, destacado, nessa altura,  no comando da GNR de Aveiro.

Nesse filme foram registados alguns interessantes momentos da vida dos mineiros daquele complexo, tais como a entrega do correio aos mineiros, o controlo individual de cada trabalhador para eventual deteção de minério desviado, a escolha, a separação e a lavagem do volfrâmio, bem como o seu transporte à cabeça ou aos ombros e o respetivo carregamento para os camiões.

Este é, sem dúvida, um precioso subsídio para documentar a vida mineira durante este importante período da história de Arouca. E foi com satisfação que soubemos que a Câmara Municipal de Arouca vai adquirir uma cópia deste filme em posse de João Freitas, neto do seu realizador.

Regoufe: documentos de contabilidade

Embora diferentes, mas também de grande interesse para o estudo da vida no complexo mineiro de Regoufe é um conjunto de documentos contabilísticos e administrativos, desde faturas, ofícios,  folhas mensais de salários, folhas de férias, livro de ponto para o controlo da assiduidade, notas de fornecimento e mapas sobre a rolagem e extração do minério.

Datados dos anos 50 a 60  a maior parte destes  documentos são dirigidos à Companhia Portuguesa de Minas, situada em Sátão, Viseu. Nalguns desses preciosos documentos pode mesmo ver-se um aviso de despedimento por “agressão a um companheiro”.

Tais documentos foram recolhidos em 1978 por alguém que, ao vê-los espalhados pelo chão em Regoufe, teve o cuidado de os recolher, consciente do seu valor histórico para a preservação desse importante período da história de Arouca.

Esperemos que esta feliz exposição seja o início de um longo processo que tenha como objetivo transformar as ruínas dos complexos mineiros de Regoufe e de Rio de Frades, num memorial a uma importante época, não só da história de Arouca, mas também da História de Portugal e até mesmo da Europa.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº195 de 17 de fevereiro de 2012
Publicado no “Jornal de Arouca” nº802 de 15 de fevereiro de 2012

 

 

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S.Teotónio arrasta Santa Mafalda para Viseu

por jcerca em 14 de Fevereiro de 2012

São Teotónio, considerado o primeiro santo português, morreu há 850 anos e a sua festa litúrgica celebra-se a 18 de fevereiro.

Esta personagem assumiu especial protagonismo nos  inícios  da nacionalidade, como conselheiro de D. Afonso Henriques e como um dos fundadores e primeiro prior do Convento Medieval de Santa Cruz de Coimbra.

Sendo também Prior da igreja da sé de Viseu, foi constituído por D. João de Bragança como padroeiro da diocese, sendo-o também da cidade de Viseu e do seu hospital.

A diocese de Viseu está a preparar um vasto programa de iniciativas, para comemora os 850 anos da morte de São Teotónio (1082-1162).

Uma dessas iniciativas é a realização de uma exposição evocativa deste santo, com peças de arte relativas a São Teotónio ou à sua época, provenientes de várias dioceses e museu nacionais e mesmo de coleções particulares.

Uma dessas peças pertence ao Museu de Arte Sacra de Arouca. Trata-se da estátua jacente da Rainha Santa Mafalda, considerada a sua mais antiga representação artística e que a Real Irmandade cedeu, temporariamente, para estar presente nessa exposição. A estátua em madeira mede 1,45m de comprimento, por 50cm de largura. Crê-se ser do sec.XIII e terá sido colocada sobre o túmulo primitivo em pedra até à sua beatificação pelo Papa Pio VI que ocorreu a 27 de Junho de 1793.

Esta exposição estará patente, no Museu Grão Vasco daquela cidade, de 16 de fevereiro até julho.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº195 de 17 de fevereiro de 2012
Publicado no “Jornal de Arouca” nº802 de 15 de fevereiro de 2012

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