Inverno demográfico

por jcerca em 10 de Maio de 2008

A expressão “Inverno demográfico” surgiu num relatório apresentado há dias no Parlamento europeu pelo Instituto de Política Familiar e revela a grande preocupação pela situação que se está a viver na Europa, no que se refere ao crescimento demográfico.

De facto, segundo esse estudo, mais de 54 milhões de europeus vivem sozinhos e dois em cada três lares não têm nenhuma criança, daí que seja fácil concluir-se que os europeus estão a ficar cada vez mais velhos, sozinhos e sem filhos.
Segundo o mesmo relatório europeu, relativamente a 1980, nascem cerca de menos um milhão de crianças por ano. Por sua vez e nos últimos 27 anos, a Europa perdeu mais de vinte milhões de jovens, enquanto a população com mais de 65 anos aumentou em 23 milhões, superando assim os 80 milhões em 2007, o que representa 17 por cento da população europeia.

Esta preocupação demográfica, sendo real, traduz, de certo modo uma certa contradição e uma escondida hipocrisia, no sentido em que, em muitos casos, são as mesmas forças política que lutaram afincadamente pela legalização do aborto, que vêm agora defender políticas de apoio à família e de incentivo à natalidade, como medida para descongelar este “inverno demográfico” em que a Europa está a mergulhar, desde há algumas décadas.

Mas a este “Inverno demográfico” não será, certamente, alheia a situação que se vive nos 27 países da União Europeia, relativamente à prática do aborto.

Segundo o mesmo estudo sobre a evolução da família na Europa em 2008, são praticados por ano, na Europa, mais de um milhão e 200 mil abortos “o que equivale a um aborto em cada 27 segundos”.

“O aborto, juntamente com o cancro, é a primeira causa de mortalidade na Europa“, refere o documento, acrescentando que cada dia deixam de nascer na Europa 3.199 crianças.

No dia da Europa que ontem se celebrou e que ficou assinalado em Portugal com a assinatura do decreto-lei que ratifica o Tratado de Lisboa, firmado pelos 27 Estados-membros da EU, a 13 de Dezembro de 2007, esta preocupação sobre o decréscimo da natalidade na Europa, deverá fazer reflectir os responsáveis políticos sobre as urgentes medidas a serem tomadas em defesa da família e da natalidade, de modo a que este “Inverno demográfico” se venha a transformar numa urgente Primavera demográfica.

José Cerca

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