Concerto de órgão

por jcerca em 29 de Agosto de 2009

Um regalo para os ouvidos, um espectáculo para os olhos.

Organizado pela Câmara Municipal de Arouca e pela Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda teve lugar no dia 29 de Agosto, o 1º concerto de órgão, após o seu último restauro, ocorrido no passado mês de Maio.

Nessa altura escrevemos que “Com o cuidadoso e dispendioso restauro desta rara peça de organaria, Arouca possui agora condições excepcionais para promover eventos culturais dedicados a este tipo de instrumentos.
Efectivamente, seria contraproducente e de consequências maléficas para esta peça, agora restaurada, se ela fosse abandonada ao esquecimento.”

Na verdade, este concerto e outros que se seguirão, integram-se, precisamente, dentro de uma política cultural que visa rentabilizar este magnífico instrumento, proporcionando ao público momentos de rara beleza musical.

 O órgão como vedeta

Em qualquer espectáculo musical é habitual que os artistas, cantores ou músicos, se apresentem perante o público, enquanto actuam.

Nos concertos de órgão que se realizam no Cadeiral do Mosteiro de Arouca acontece precisamente o contrário.

Na verdade, o que o público contempla e aprecia, não só musicalmente, mas também visualmente, é o imponente órgão de tubos, enquadrado numa rica talha dourada que envolve numerosas pinturas, muitas delas alusivas a cenas da vida da rainha Santa Mafalda e que revestem as paredes do coro das freiras.

Ocultos dos olhares do público, pela posição elevada em que se encontra o órgão, são, no entanto, os organistas que dão vida a este raro instrumento musical, arrancando dele sonoridades magníficas que enchem aquele espaço conventual, penetrando, ao mesmo tempo, no espírito das pessoas que religiosamente o escutam.

Aliás, foi com um gesto bonito e expressivo que os organistas, no final do concerto, ao receberem os aplausos do público, quiseram homenagear este raro instrumento, datado de 1743, estendendo o braço em direcção ao órgão, como sendo ele a vedeta central deste concerto.

 Os organistas

Os organistas Ricardo Toste e Vasco Soeiro

Os organistas Ricardo Toste e Vasco Soeiro

Mas se o órgão é vedeta pelo seu imponente aspecto e pelas sonoridades que produz, é no entanto, a arte dos organistas, que, numa cumplicidade mútua, lhe dão vida, construindo assim um espectáculo de som e imagem que se traduz num regalo simultâneo para o olhar e para o ouvido.

Como arouquense que é e sendo um dos melhores conhecedores deste órgão ibérico, Ivo Brandão constava no Programa do Concerto, mas motivos imprevistos à organização deste evento, impediram a sua participação.

Pelo que  conseguimos apurar, a ausência de Ivo Brandão ficou a dever-se ao facto de, à mesma hora, ter de participar num Concerto de órgão em Fátima, da responsabilidade do Cónego Ferreira dos Santos que não quis prescindir do organista arouquense, perdendo assim Arouca a favor de Fátima.

Esta ausência obrigou a que os restantes organistas, Vasco Soeiro, organista da igreja da Lapa no Porto e Ricardo Toste, organista da Sé Catedral de Angra do Heroísmo (Açores) tivessem que reforçar o seu reportório musical, de modo a preencher o espaço deixado em aberto por Ivo Brandão.

José Cerca

Publicado no Semanário “Discurso Directo” nº70  de 04 de Setembro de 2009

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