Eleito pelo círculo de Coimbra, o deputado José Manuel Pureza é o novo líder do grupo parlamentar do Bloco de Esquerda (BE), sucedendo a Luís Fazenda, que foi agora promovido a vice-presidente da Assembleia da República.
Até aí tudo bem. Mas o que me chamou a atenção e motivou este meu apontamento, foi o facto de ter constatado, em vários órgãos de comunicação social, e no mesmo dia, a referência à religião deste deputado, descrevendo-o como “católico praticante”, quando, na verdade tal referência religiosa não aconteceu com nenhum outro deputado.
Nada temos contra ao facto de se saber o perfil religioso de figuras públicas, se são católicas ou muçulmanas, protestantes ou budistas. É certamente um dado importante para muitas pessoas, mas certamente com mais peso na América do que na Europa.
O que me surpreendeu e, de certo modo me revoltou, foi ver a intenção que está por detrás desta referência religiosa a este deputado, a qual estará certamente ligada aos temas fracturantes, tão do agrado do Bloco de esquerda, como é o caso dos “casamentos” entre pessoas do mesmo sexo, mais conhecido por “casamentos gay”.
E o facto é que, logo na primeiras sessão esse tão “urgente” tema nacional saltou logo para as prioridades da luta dos bloquistas.
E para essa luta, precisarão, certamente, do apoio dentro da área dos católicos.
Parece-me, pois intencional e intelectualmente desonesta, esta referência ao “catolicismo praticante” deste deputado bloquista, como que a induzir os mais incautos que também os católicos apoiam os “casamentos gay”.
Já estamos, infelizmente, demasiado habituados a estas manipulações da opinião pública, tão do agrado de certas forças políticas e tão habilmente conseguidas por determinados órgãos de comunicação social.
É que, para a defesa e promoção dos temas fracturantes da sociedade de hoje, os média são o palco apetível e poderoso tão bem utilizado pelos seus promotores.
José Cerca
Publicado no Quinzenário “Jornal de Arouca” nº751 de 30 de Outubro de 2009
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Caro Amigo
“Parece-me, pois intencional e intelectualmente desonesta, esta referência ao “catolicismo praticante” deste deputado bloquista, como que a induzir os mais incautos que também os católicos apoiam os “casamentos gay”.
Transcrevo esta frase do teu comentário, pois foi exactamente esta que mais me indignou.
Por que motivo não queremos ver razões tão ou mais intelectualmente desonestas em comportamentos e posicionamentos distos exclusivamente religiosos, de todo o tipo de “funcionários” da Igreja e da religião, ao ponto de se identificar descaradamente o PSD com o “partido da igreja”?
Duas extraordinárias interrogações me vêm à memória, variadíssimas vezes colocadas, pelo saudoso Cónego Urbano Duarte, da Igreja de Coimbra, em grupos de cristãos nos quais tive a sorte de participar:
1ª Porque razão, sendo a grande maioria dos padres, de origem pobre e humilde, uma vez investidos do seu múnus, regra geral tomam posição pelos mais fortes, pelo poder instituido e silenciam as injustiças que estão aos olhos de toda a gente?
2ª Se a direita pode ser católica, que razão existe para que a esquerda o não possa ser?
Apenas mais algumas indicações sobre o José Manuel Pureza: não só é católico praticante, como ele próprio anima uma comunidade de crentes (católicos), comunidade João XXIII, que semanalmente se reune em Coimbra; é comentador habitual da Rádio Renascença e da TSF; foi membro da Comissão Nacional Justiça e Paz, etc, etc.
Em todo o artigo não há uma única palavra contra a crença religiosa, nem sequer contra a pessoa do referido deputado.
Há, sim, crítica a um pretenso aproveitamento político, a partir da sua convicção ou prática religiosa. Aproveitamento esse veículado por certos orgãos de comunicação social, possivelmente em conivência, com essa mesma força partidária, dada que a mesma referência ao “catolicismo praticante” do deputado foi simultânea em alguns media.
Eu percebi que o problema não era contra o José Manuel Pureza, nem eu sou advogado dele. Tanto assim que citei a tua opinião contra a “desonestidade intelectual do aproveitamento…”
Mas, vamos lá com calma. Será que agora os bloquistas também estão em grande parte dos órgãos de informação? Este é um discurso que me faz lembrar os idos anos de 75/80 vividos em conjunto em Coimbra e pelas nossas paragens.
Esta e outras quastões são notícia, não porque vivamos numa sociedade de complots, mas porque é tão raro acontecer, logo são notícia. O facto de A ou B ser católico e do Bloco ou do PC e disso dar testemunho público e aceitar por à prova a sua coerência, é notícia, não pelo facto em si, mas porque sai fora da norma, é “anormal”, sai fora do comum e do que é comumente aceite e que é: católico é do PSD ou do CDS. Há alguns do PS que já vão sendo mais tolerados…
Está instituido nas representações sociais que ser católico e de direita não necessita de provar a sua coerência. Logo, não há notícia aqui.
Pelo contrário, ser católico e de esquerda está permanentemente sob os holofotes do escrutínio dos jornais e ao que parece não só.
“…Parece-me, pois intencional e intelectualmente desonesta, esta referência ao “catolicismo praticante” deste deputado bloquista, como que a induzir os mais incautos que também os católicos apoiam os “casamentos gay”)”.
Como sabemos todos, há uma ordem natural das coisas (e já o afirmava Einstein que, por graça?, dizia –Deus existe e não joga aos dados.)!
O ser humano não foi criado para o sofrimento, mas para a felicidade ( JC mesmo na agonia disse – Pai se possível afasta de mim esse cálice).
E em situações de excepção? Cabe-nos descobrir, aceitar, acarinhar; doutra forma não seria possível a tolerância, que acaba quando nos querem impor ( e para tal já temos códigos que chegam e sobram)… bolas para a selva legislativa e ideológica de que nos cercamos…
A desonestidade intelectual é, cada vez mais, não sei se por muito mais tempo, um dos motores que fazem mexer a humanidade. Sentimos todos, ou quase todos, que os fins eliminam os princípios de referência e que, a bem de todos, teremos que ressuscitar imperativos categóricos que façam de nós melhores pessoas, e do mundo, Um Mundo Melhor, sem essas crispações e imposições (que ironicamente rimam com inquisições)
Católico, deriva do Grego Kathólikos e significa mensagem de conteúdo UNIVERSAL.
Praticante??? É quem é, mas nem sempre, no seu dia a dia…
A Hipocrisia Pu-lhítica no seu melhor!
Sao atitudes dizeres desempenhos do BE que traduzem, como “o erva-daninha” (=saramago), pûs-turas de : Oportunismo, Insultador religioso, Psicopata e ainda de Arrogancia.
Fazem parte da nova corrente da INQUISIÇAO XUXA-LISTA!
Mas tal como a outra, esta nova inquisiçao passara mas Portugal não!