Modernidade, sentido histórico e funcional
Durante cerca de 3 horas decorreu no dia 5 de Janeiro, no Salão Nobre da Câmara Municipal de Arouca, a apresentação e a discussão pública do projecto de requalificação do centro urbano da Vila de Arouca, cujas obras de intervenção serão elaboradas com fundos do mini-Programa Polis da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional do Norte (CCDR-N).
A apresentação do projecto foi feita pelo arquitecto José Soares e pelo eng.Pedro Silva, tendo o Presidente da Câmara, eng. Artur Neves, fornecido também alguns esclarecimentos complementares no decorrer da sessão.
Não se tratando ainda de um projecto definitivo, mas sim de estudo, no final da apresentação do mesmo, foram levantadas algumas questões sobre alguns aspectos da intervenção e apresentadas também algumas sugestões, por parte do público presente.
A área de intervenção
Segundo o estudo apresentado, serão 5 as principais áreas que irão sofrer intervenção neste projecto de requalificação: a avenida 25 de Abril, desde a rotunda até ao edifício da Câmara, a praça Brandão de Vasconcelos, a Alameda D.Domingos de Pinho Brandão, o terreiro entre o Mosteiro e o edifício da Biblioteca Municipal e o Jardim Municipal e áreas adjacentes. No âmbito deste projecto serão também efectuadas algumas obras no interior do Mosteiro.

Além de procurar uniformizar o perfil de toda a avenida 25 de Abril, uma das grandes novidades deste projecto será a retirada de todo o estacionamento no terreiro de Santa Mafalda, restituindo-lhe assim a dignidade de outrora e repondo parte da sua antiga configuração,
nomeadamente com a recolocação do seu antigo portão. Na sequência lógica da filosofia subjacente a este estudo e que recebeu vários contributos da arquitecta Ângela Melo, será igualmente retirado desse espaço o monumento aos Combatentes da Grande Guerra, aí erguido, frente à entrada nobre do Mosteiro e que se encontra histórica e esteticamente desenquadrado no espaço que tem vindo a ocupar desde 1940.
Embora o Presidente da Câmara entenda que Arouca ainda possui muito espaço para estacionamento, nomeadamente no recinto da Feira, este estudo prevê, no entanto, a criação de uma nova zona para estacionamento de veículos, no fundo do parque municipal, na zona do campo de jogos de S.João Bosco, para, de algum modo, recuperar a área de estacionamento perdida no terreiro.
A Praça Brandão de Vasconcelos
Sendo este o verdadeiro centro histórico da Vila de Arouca e uma das zonas mais sensíveis, quer pelo seu passado histórico, quer pela sua localização, mesmo frente a fachada principal do Mosteiro, pensamos que será a zona cuja intervenção levantará, eventualmente, mais polémica.
As alterações previstas, embora mantendo as árvores e o piso em calçada, contemplam, não só a deslocação do fontanário do centro da praça para uma das extremidades, como também um abaixamento geral do seu nível, de modo a favorecer a vista, quer da capela da Misericórdia, quer da antiga prisão.
É óbvio que as casas de banho subterrâneas desaparecerão, sendo construídas novos sanitários na traseira do edifício da antiga prisão, onde outrora já funcionou uma peixaria.

Pelas imagens que foram projectadas durante a apresentação do estudo, parece-nos que houve uma grande preocupação em não agredir todo este conjunto da praça, conferindo-lhe uma certa uniformidade bastante estética e funcional.
A filosofia subjacente a este estudo
Tratando-se de uma zona histórica, quase toda ela dentro da área envolvente do Mosteiro, fazer-se uma requalificação nestas áreas, é extremamente delicado e sempre sujeito a controvérsias.
Efectivamente, reorganizar todo um vasto conjunto de elementos, desde árvores existentes, ruas, passeios, bancos, iluminação e o próprio funcionamento do trânsito, é algo que exige muita ponderação e um grande sentido estético, sem esquecer a funcionalidade dos espaços a intervir. Por outro lado, respeitar a memória histórica destes espaços e conjugá-las com perspectivas de modernidade e de futuro são parâmetros que deverão estar sempre presentes num estudo como este.
Pela apresentação geral do projecto, pareceu-nos que a filosofia subjacente a este estudo teve em conta estes princípios e revelou uma boa capacidade de compreensão das vivências históricas destes espaços, imprimindo-lhes, ao mesmo tempo, uma equilibrada estética moderna e funcional.
José Cerca
Publicado no Quinzenário “Jornal de Arouca” nº756 de 15 de Janeiro de 2010
{ 17 comentários… lê abaixo ouadiciona }
Parece-me algo desenquadrada a localização proposta para o chafariz, em favor de uma nova configuração que favorece a realização de espectáculos, atribuindo à praça um perfil de “mini-anfiteatro”.
Porém, o chafariz perde protagonismo. Porque não colocá-lo num dos topos da praça, junto à avenida à cota mais elevada, com as escadas ao seu redor?
Antes de mais, agradecer ao Prof. José Cerca o apontamento/resumo que aqui nos disponibiliza sobre a apresentação do ante-projecto da pretendida Regeneração Urbana do Centro Histórico da vila de Arouca.
De uma maneira geral agradam-me as propostas contidas neste ante-projecto que, de resto, vão ao encontro daquilo que defendo.
Cumps,
Viva
Esta manhã quando li o blog pensei quase no mesmo que o Brito referiu. De facto, o protagonismo do chafariz vai-se perder. Se até hoje as bandas sempre puderam tocar no largo… Resta saber quais as actividades culturais que vão animar aquele centro ou se passará a ser um espaço permanentemente vazio e com lixo/folhas acumuladas. Esperemos que não.
Mas sem duvida que se querem retirar o chafariz do centro, que deveria ser dada uma maior dignidade ao dito. Na ausencia de actividades no centro, a praça parecerá mais morta, as noites serão mais frias e perde-se uma dinâmica que quer se queira quer não, a água em movimento e o seu ruido transferem. Não é à toa que as inumeras rotundas e praças do mundo inteiro e Portugal também, integram chafarizes e outros tipos de fontes.
Nem que fosse (mas fica caríssimo) integrar no pavimento da praça central, jactos verticais com “jogos” de água, passíveis de serem desligados em dias de actividades. Contudo… mais uma vez se perderia o protagonismo do actual chafariz…
São sempre duvidas que vão assaltar as pessoas e nunca haverá concensos… mas não se deveria desbaratar recursos sem pelo menos uma maioria aprovar…
As primeiras questões que se devem levantar, independentemente da comparticipação financeira que este projecto terá no âmbito do programa Polis XXI, é a seguinte: a zona a ser intervencionada carece ou não de melhoramentos? os investimentos a fazer são úteis e necessários? Há ou não um acréscimo substancial na qualidade de vida dos Arouquenses e dos seus visitantes com esta intervenção?
Em boa verdade entendo que a intervenção a fazer no Terreiro de Santa Mafalda e no Parque central se justifica pela necessidade de ordenamento, funcionalidade e razões de ordem estética.
Quanto à Avenida 25 de Abril, Praça Brandão de Vasconcelos e Alameda D. Domingos de Pinho Brandão ( quiça no futuro Alameda dos Combatentes!) já tenho sérias duvidas quanto à urgência do investimento até porque estes espaços sofreram intervenções relativamente recentes e que estão ainda na memória de muitos de nós.
A unica justificação para a amplitude deste projecto residirá tão somente na interpenetração dos espaços e da sua inter-relação. Radicará, quando muito, em razões de planeamento urbanístico e de ordenamento de espaços. Razões essas que não sendo despiciendas não são, na minha modesta opinião, tão soberanas ao ponto de se aí investir os montantes elevados que estão previstos só porque…estão ao dispor!
Mas adiante. Passada que está a fase da justificação da intervenção, até porque neste momento não me parece haver lugar a recuos, vamos então apreciar o que nos foi apresentado.
Tive a oportunidade na sessão publica promovida para o efeito de ouvir com atenção a explanação do projecto e ainda a oportunidade de colocar algumas questões que me ocorreram no momento.
Como aí referi a minha primeira reacção foi de “atordoamento”. Na verdade senti-me atordoado com a profundidade e o alcance das transformações a operar. Não é que discorde tout court das propostas feitas mas, por radicais, tiveram em mim esse efeito.
Dizia o Arquitecto responsável pelo projecto que ” uma obra é bem feita e útil quando passados três meses sobre a sua feitura já não nos lembramos do que ali existia antes”.
Ora, não sei se quererá dizer alguma coisa,mas o facto é que já não me lembro, apesar de terem passado mais do que três meses, como era a Alameda e a Avenida 25 Abril antes das obras!
Só espero, e espero mesmo muito, que caso as obras projectadas se vierem a transformar em realidade, e eu tenha a oportunidade de as ver, no dia seguinte já não me lembre do que lá estava antes.
Entendo que as sugestões muito pertinentes ali deixadas por vários cidadãos arouquenses sejam tomadas em consideração no projecto final. Há no entanto uma, que à primeira vista parece de pormenor mas que poderá complicar a vida aos automobilistas, e que não referi por esquecimento que é a seguinte: está projectado o estacionamento na Alameda e que segundo o Arquitecto seria em espinha (diagonal). Ora, vendo o projecto com mais atenção o que ali está desenhado é um estacionamento na perpendicular o que vai dificultar bastante, designadamente para os carros de maior envergadura e comprimento, o estacionamento levando, eventualmente, a ter que se efectuar manobras para estacionar entre dois carros com o normal prejuízo par o bom fluir do trânsito.
Deixada que foi esta nota impõe-se referir que todos nós interessados na coisa publica temos a responsabilidade de acompanhar, participar e intervir. Não devemos ser avessos ás mudanças mas não as devemos aceitar de uma forma acritica.
Devo dizer, por ultimo, que de um modo geral fiquei agradado com a intervenção projectada e que o “atordoamento” inicial não me turbou as ideias nem a visão. Também eu quero espaços que proporcionem mais qualidade de vida, mais aproveitamento para o cidadão e que deixem a marca de um tempo com o respeito pelo edificado com significado histórico.
Espero ainda que a Câmara se disponha, dado o alcance e o valor histórico e sentimental das zonas a intervencionar, a promover uma ou mais sessões publicas antes da aprovação do projecto final.
Se é verdade que esta Câmara foi eleita por larga maioria, o que lhe dá legitimidade acrescida para tomar decisões, não é menos verdade que os espaços a intervencionar são do maior significado para os Arouquenses e toda a discussão publica que se faça em volta do tema não será nunca demais.
É óbvio que a intervenção no principal espaço urbano da Vila de Arouca irá suscitar grandes debates, não se tratasse do espaço mais sensível e, quiçá, nobre da nossa Vila. Daí que partilho também da ideia da Cãmara dever proporcionar mais debates públicos à maneira que os estudos se vão desenvolvendo.
Quando à deslocação do chafariz do centro da praça para uma das extremidades da mesma não me choca assim tanto, até porque tal medida irá proporcionar um melhor aproveitamento global desse espaço, eliminando qualquer interferência visual entre o Mosteiro e a Capela da Misericórdia. Além disso, esse espaç0 poderá também desempenhar uma papel cultural, funcionando mesmo como um pequeno anfiteatro.
Sobre a intervenção na Alameda D. Domingos de Pinho Brandão, que nunca equacionei, discordo da alteração da sua actual fisionomia assim como da forma como o trânsito automóvel nela se processa actualmente. O local escolhido para reimplantar o Monumento aos Heróis da Fundação e Restauração da Nacionalidade (que tem um traço que se enquadra melhor num espaço mais característico dos finais da primeira metade do século passado), também não me parece o melhor e, não me passa sequer pela cabeça, esteja em vista alterar o nome da Alameda, como aventa Luís Ferreira da Silva. Oferece-se, de resto, questionar para onde se pensa remover o busto de D. Domingos de Pinho Brandão que actualmente está implantado num dos extremos da placa central desta ainda jovem Alameda?
Para melhor esclarecimento do meu António Jorge devo dizer que quando “sugeri” a mudança do nome da Alameda fi-lo, e se calhar erradamente não foi isso que transpareceu, em tom de brincadeira.
Também eu me interroguei sobre o destino da estátua do D. Domingos de Pinho Brandão porque o espaço físico onde ela está implantada vai desaparecer, porque vai ser implantada um novo monumento na “nova Alameda” (o tal aos Heróis da Fundação e Restauração da Nacionalidade) e ainda porque nada sobre ele foi referido na sessão de apresentação.
Mais uma vez em tom de brincadeira confidenciei ao Presidente da Junta de Rossas, no decurso da dita sessão de apresentação publica do projecto , que esta era a oportunidade de levar o D. Domingos para Rossas que era o seu local de origem.
Brincadeiras à parte acho que é bom ficar esclarecido para que local se pensa reimplantar a estátua do D. Domingos porque terá que, “óbviamente”, ficar na Alameda que tem o seu nome . Todavia,com a implantação na Alameda do tal monumento que se encontra actualmente no terreiro não estou a ver outro sitio que sirva para o efeito.
Aguardemos desenvolvimentos.
Sim, caro Luís, percebeu-se o tom de brincadeira. No entanto, a vingarem as propostas deste ante-projecto para a Alameda (que espero não vinguem), não é uma hipótese despicienda. Para já, pelo risco do arquitecto, nota-se a intenção de reimplantar o Monumento aos Heróis da Fundação e Restauração da Nacionalidade a presidir à renovada Alameda, o que para mim, desde logo, é um erro, até pela curiosidade de, na altura em que aquele se erguia no Terreiro (1940), se plantar milho aonde é hoje a Alameda e existir um bom choupal à beira rio (encanado já na segunda metade da década de 40), aonde agora se propõe reimplantar aquele Monumento.
Olhando a área a intervencionar, até me atreveria sugerir fosse aquele Monumento reimplantado no espaço verde previsto para o actual Campo S. João Bosco, entre o pequeno campo que se prevê e a Cerca do Convento.
Para já, não sou adepto de se mexer na Alameda.
Cumps,
Também não sou muito adepto, nem sequer imagino esse monumento colocado na Alameda. Parece-me que um espaço talvez, menos polémico para o receber, poderia ser no centro daquele espaço de estacionamento ao lado dos Estabelecimentos Cavadinha e em frente ao Museu Municipal.
Aqui fica a sugestão. Mesmo respeitando a opinião do A.J.Brandão de Pinho, parece-me que este local seria um pouco mais adequado por se tratar de um espaço mais neutro do que o referido pelo autor do post anterior.
Boa Noite !
Tenho pena que a discussão sobre a Praça Brandão Vazconcelos se limite a um anfiteatro, além disso não posso deixar de dizer que não concordo de todo com a afirmação abaixo, e explico porquê, existe um pequeno anfiteatro junto do edifício ” Museu Municipal” que pergunto: quantas vezes foi este usado para promover a cultura? será que o investimento em causa melhorou a qualidade de vida cultural dos Arouquenses?
Sem falar das questões do enquadramento e harmonia urbana existente estre os espaços da envolvente do Mosteiro ( Adro da Igreja) e a Praça Brandão Vazconcelos, que serão, na minha opinião, completamente descaracterizados, sem referências.
A solução apresentada, já vista noutros locais, não significa que resulte na Praça de Arouca, a meu ver, está fora da escala urbana existente no local e é totalmente forçada.
…..e porque não falar da promoção do comércio e das actividades aí existentes e porque não em novas actividades, que tragam uma mais valia para a dinâmica urbana diária da Praça!
Quando à deslocação do chafariz do centro da Praça, considero precisamente que este não é um elemento perturbador da zona onde se localiza, muito pelo contrário, é um elemento de interligação entre os dois espaços – frente do Mosteiro e Praça Brandão Vazconcelos …enfim…..
“Além disso, esse espaç0 poderá também desempenhar uma papel cultural, funcionando mesmo como um pequeno anfiteatro”
….isto é apenas um contributo para a reflexão!
EP
Penso que todas as sugestões, críticas e opiniões, por mais divergentes que elas sejam, são sempre bem vindas pois contribuem para a construção colectiva de um projecto.
Quanto ao anfiteatro, parece-me que terá sido uma, senão a única, das hipóteses para baixar o nível da praça, de modo a não cortar o horizonte visual entre o Mosteiro e a Capela da Misericórdia. E nesse sentido parece-me que será uma boa solução.
Quanto à sua função cultural, estou convencido de que esse espaço, pela sua excelente localização, será uma força aglutinadora, que em nada se poderá comparar ao espaço no recinto da feira.
Jcerca
Com o devido respeito por quem pensa diferente (e são já algumas pessoas), considero razoável a solução encontrada para a Praça Brandão de Vasconcelos (assim denominada desde 1894), que, antes de mais, terá tido justamente o objectivo referido acima pelo Prof. Cerca.
Quanto ao local escolhido para reimplantar o Chafariz que, como sabemos remonta ao ano de 1901 e foi concebido, para além da sua primeiria e importante função, para preencher a nova praça, resultante da remoção da antiga Matriz da Paróquia de São Bartolomeu na década anterior, não me parece o pior. Poderá mesmo proporcionar um enquadramento feliz com o edifício da antiga Cadeia e Capela da Misericórdia. Um bom cenário, nomeadamente para as actividades culturais que ali possam ter lugar. No entanto, sendo este um dos objectivos que notóriamente presidiram ao novo traço da praça, deve ficar acuatelado o acesso ocasional à “zona palco” de um veículo pesado, justamente pela zona em que pretende reimplantar o Chafariz.
Cumps,
De uma maneira geral sou contra as intervenções que modificam o que já existe. Não vejo nenhuma vantagem nisso muito pelo contrário. Até me admira que se tenha aceite um ante-projecto destes. Roça o ridiculo. Sou a favor das intervenções na criação de novos espaços onde ainda não existam. Os que estão no ante-projecto assim como a Zona H7 e zona envolvente da CMA que não foram sequer mencionados.
Caro Frank,
Mas, o Pólis XXI é um programa que se destina justamente a “modificar”, numa acepção forçada de regenerar, o que já existe. De resto, à semelhança daquilo que vimos acontecer com o Programa Pólis em grandes centros urbanos como, por exemplo, o do Porto.
Depois, e à excepção da Alameda D. Domingos de Pinho Brandão, julgo que este ante-projecto não comporta grandes modificações, antes requalificações do que já existe, com vista à regeneração e revitalização dos espaços, recuperando ainda elementos da história (como é o caso do belíssimo Portão do Terreiro) e devolvendo a dignidade que os espaços tiveram e mereçem (como é o caso do Largo de Santa Mafalda).
Mas, achas que, nomeadamente, a Placa central da Praça Brandão de Vasconcelos, o Largo de Santa Mafalda e o Campo Municipal S. João Bosco, não reclamavam já uma intervenção?
Mas, podemos mesmo começar por classificar este ante-projecto de ridículo, se isso for um ponto de partida para sugestões responsáveis que façam com que o projecto final não o seja. Na minha opinião é um bom começo!
Cumps,
Caro A.J.,
A resposta à tua questão é sim, claro, mas não esta.
Um fosso no meio da praça tipo praça de toiros não me parece uma ideia feliz. Façam degraus largos em todo o comprimento da praça como está entre os correios e o antigo supermercado. Coloquem o chafariz no primeiro degrau mais junto à avenida, ao centro. Pelo menos assim as mudanças não são tão agressivas.
No Largo de Santa Mafalda, sim ao muro fora com as árvores e os carros. Até sugiro uma nova rotunda frente à entrada e um nova rua entre o supermercado e o talho que vá dar à zona H7. (AreaCaffé) Se é para ser à maluca também sei. (a não ser que aquilo não tenha os tais 6 metros ou lá o que é)
No Campo Municipal S. João Bosco/novo estacionamento, não tenho muito a dizer. Apenas, não se esqueçam dos balneários desta vez. E que o acesso para veículos de grandes dimensões ao Largo Santa Mafalda se faça por aí.
A Alameda não mexam, por favor. O tal monumento podem colocar do lado contrário ao Dom Domingos de Pinho Brandão (perto da gráfica) virado para este.
E mais se verá…
Caro Frank,
Ok. Quanto à Praça aí está uma opinião respeitável e a considerar. No entanto, em minha opinião, essa configuração pode “anular” o conceito de Praça, nomeadamente na ideia que temos desta nossa, e “obstaculizar” o desiderato das acções imateriais para dinamização do espaço. Aceito que o risco do arquitecto possa não ter seguido a melhor forma e talvez a imagem impressione negativamente. Porém, estando de acordo quanto ao rebaixamento da placa central e tendo por principio que aquele espaço deve continuar a possibilitar o encontro de pessoas e realização de espectáculos e/ou actividades culturais, talvez seja possível o meio termo, sugerindo a dissipação desta configuração circular.
Quanto ao antigo Terreiro (hoje denominado Largo de Santa Mafalda), julgo não ter visto no ante-projecto a intenção de reconstruir todo o muro que ladeava o antigo Portão, nem sou adepto de que a reimplantação do Portão se faça dessa forma. Na minha opinião, o Portão deve ser reimplantado como se apenas tivessem removido o muro lateral e nunca o Portão. Ou seja, com muro lateral, apenas e na medida, que seja necessário para escorar o Portão, à semelhança daquilo que se verifica naquele outro que se encontra junto ao busto de S. João Bosco.
Deve continuar a poder avistar-se da Avenida 25 de Abril todo o Largo, com á belíssima escadaria em fundo.
Quanto ao Largo de Santa Mafalda, entendo que devem manter-se apenas os dez primeiros pares de árvores, mais ou menos até à porta do Museu, deixando o restante espaço, até à escadaria, desimpedido e arejado, por forma a que aí se continuem a realizar espectáculos e/ou actividades culturais com aquele belo fundo.
Apenas mais algumas opiniões e sugestões.
Cumps,
Ah! Quanto à Alameda estamos de acordo. Quanto ao local que sugeres para reimplantação do Monumento aos Heróis da Fundação e Restauração da Nacionalidade, é já uma solução mais atendível e a considerar, embora continue a preferir o que sugeri acima, para preenchimento e enriquecimento de um espaço que vai aparecer de novo, a beneficio daqueles que defendem não se dever mexer no que existe, desenhando antes novos espaços…
Cumps,