Descontos na Gasolina

por jcerca em 27 de Abril de 2010

22 Cêntimos para o PS

Esta notícia despoletou em todo o ciberespaço, e por tudo quanto é redes sociais e blogosfera, uma avalanche de comentários, protestos e indignação todos eles dirigidos, obviamente, para o Governo e muitos deles directamente para o Primeiro Ministro.

Se se elaborasse uma compilação de tudo quanto foi escrito sobre este assunto far-se-ia uma volumosa colectânea digna mesmo de uma cuidadosa análise sociológica e cívica.

Afinal, veio a saber-se, pouco tempo depois, que essa notícia não passou de uma brincadeira de 1º de Abril da revista semanal “Autohoje”.

Isto só comprova, uma vez mais, a falta de educação para os Média da maior parte dos cidadãos que, sem qualquer espírito crítico, aceitam como verdade irrefutável tudo o que lhes chega através da comunicação social, seja ela escrita, digital ou áudio visual.

Só porque foi publicada já é verdadeira qualquer que seja a notícia. Esta posição acrítica da maior parte dos leitores que consomem informação acarreta graves problemas, tanto mais graves quanto se sabe da facilidade com que hoje em dia qualquer pessoa, sem escrúpulos, pode difundir as mais torpes e caluniosas mentiras que não deixarão de ser verdades absolutas para uma grande parte dos leitores que frequentam o ciberespaço.

Da gasolina ao Papa

Se analisássemos agora a infinidade de comentários que têm surgido, de há uns tempos para cá, sobre as frequentes notícias que insistentemente têm saído a publico em muitos meios de comunicação social sobre  a Igreja Católica e, de uma maneira especial, sobre o Papa, então aí encontraríamos uma avalanche incontornável dos mais diversos comentários, a maior parte deles, além de traduzirem uma chocante falta de nível, são também eivados de um impressionante laicismo e de um violento anticlericalismo que julgávamos jamais existir, a este nível, na sociedade portuguesa.

E a maior parte desses torpes comentários partem sempre do princípio de que tudo aquilo que foi publicado é verdade irrefutável.

E então, quando essas notícias abordam temas relacionados com a religião, nomeadamente com a religião católica é impressionante ver, não só a ignorância que muitos desses comentários revelam, mas sobretudo a violência verbal, insultuosa mesmo, que muitos deles exprimem, através de um anticlericalismo primário e de um laicismo deveras fundamentalista.

Ao pretenderem formatar uma religião à sua medida e que vá de encontro aos “valores” que apregoam, nomeadamente os que se referem ao aborto, eutanásia, homossexualidade e anarquia sexual, esquecem-se estes pseudo intelectuais, defensores de um laicismo obscurantista, de que a religião cristã, embora conduzida por homens, tem na sua origem e na sua condução ao longo da história a força divina contra a qual nem “as portas do inferno prevalecerão”.

José Cerca

Publicado no Quinzenário "Jornal de Arouca" nº763 de 30 Abril 2010

{ 2 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 joaquim toscano 27 de Abril de 2010 às 17:02

E Tudo não passa de uma questão de formato ou formatação:
A violenta falta de …a chocante falta de nível….o violento
anticlecarismo…. Tudo ética (ou falta de) , a coisa certa no lugar certo!!!
Tendo a ética esta dupla filiação etimológica, e significando o sentido de carácter e o sentido de hábito ou costume e por extensão o lugar certo de todas as coisas, a ética implica uma reflexão crítica sobre os comportamentos e começou com Aristóteles que, sendo um dos grandes mestres da filosofia grega, curiosamente não deixou escrito nenhum grande tratado orgânico ou obra específica; “as obras que chegaram até nós compreendem sómente escritos que Aristóteles compôs para as necessidades do seu ensino”, escritos chamados acroamáticos ou esotéricos …provávelmente não queria cristalizar na escrita o seu pensamento, antes queria pôr os seus alunos a pensar…
“Ética Cristã”
Embora o espírito nos seja disso revelador, não é fácil apresentar de modo adequado o contributo do cristianismo para a história da ética; será pacífico dizer que o cristianismo é de uma ordem diferente da moral: ele não é própriamente uma lei embora contenha na sua doutrina muitas leis orientadoras da conduta humana, e, por outro lado, preocupa-se com a moral: não depende dela, enquadra-a, integra-a e transforma-a.
Dentro dos racionalistas cristãos merecem destaque os doutores da igreja Sto Agostinho e S. Tomás de Aquino pelo mérito do seu esforço de integração das éticas gregas no cristianismo( mas S Paulo também tem culpa no cartório).
Devido à continuidade que tem com a ética grega, a ética cristã continua a ser uma ética da felicidade e beatitude, uma ética de excelência e das virtudes, de harmonia com a natureza, e…mostrada a continuidade é necessário mostrar as transformações que o cristianismo introduziu nessas mesmas éticas.
Isto posto e em prática…nem as portas do inferno pervalecerão1
A primeira foi em relação à lei: no Sermão da Montanha (Bem-Aventuranças) Cristo retoma os mandamentos da lei moral judaica; outra foi a radicalização do universalismo ético e a exigência igualitária muito para além dos elementos universalistas e igualitários já existentes nas éticas grega e judaica pois que em Aristóteles há uma desigualdade entre escravos e homens-livres, entre homens e mulheres e uma diferença civilizacional entre gregos e não gregos (bárbaros) e no judaísmo há uma desigualdade entre os receptores privilegiados da mensagem (os membros do Povo Eleito) e os outros. O cristianismo, que se pretende religião de uma mensagem de conteúdo universal (daí o sentido etimológico de kathólikós) suprime todas essas diferenças, facto que terá importantes consequências éticas. Há também uma revisão/revolução face ao espírito da ética grega na tabela das virtudes: enquanto que na tabela aristotélica nos lugares cimeiros pontuavam a sabedoria, a coragem ou a grandeza da alma, no cristianismo passam a figurar virtudes que Aristóteles acharia estranhas: o amor ao próximo, sem limites, inclusivé aos nossos inimigos, a humildade e a caridade. Finalmente a transformação das éticas da vida boa; enquanto na ética grega o bem e a vida boa eram em função de um cosmos sem além, de uma finitude, no cristianismo é inserida a noção de além e de salvação e a problemática do mal e do pecado inerentes á carne Esta perspectiva salvífica ligada á questão do pecado introduz um novo problema: poderá o indivíduo, na procura da salvação a sós, querer desinserir-se da comunidade humana? ; ora essa atitude que leva a privilegiar a relação pessoal e directa do indivíduo com Deus está na origem de experiências místicas e pode explicar filosofias que se resumem sob o conceito de irracionalismo cristão; no entanto o cristianismo também desenvolveu éticas que privilegiam o elemento comunitarista numa atitude que aliás se adequa naturalmente com o supremo mandamento do amor ao próximo; estas éticas de que S.Tomás é um bom exemplo com o seu imperativo “faz o bem, evita o mal” ou Sto Agostinho com o seu “ama e faz o que quiseres” são pela sua natureza de um carácter prudencial e racionalista.
JToscano

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2 Carlos Pinho 7 de Maio de 2010 às 23:24

Pela primeira vez que o grande Toscano se aprofunda em um assunto, gostei pois o assunto é super importante.E geralmente seus comentários são curtos e ironicos,meus parabens

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