Uma palavra de Esperança em tempo de crise e de incerteza

por jcerca em 16 de Maio de 2010

A mais longa visita de um Papa a Portugal

Foi sem dúvida alguma uma data histórica para Portugal e para a Igreja Católica esta visita de Sua Santidade o Papa Bento XVI ao nosso País, a mais longa de todas elas.

Durante 4 dias, bem cheios de actividades e de contacto com os milhares de pessoas que acorreram para o ouvirem nos mais diversos locais, quer de Lisboa, de Fátima ou do Porto, o Papa teve ocasião de dirigir, não só aos católicos, mas a todos os homens, “independentemente da sua fé ou religião”, palavras de Esperança e de estímulo para que a mensagem de Cristo impregne, com os valores cristãos, todas as actividades sociais, económicas e culturais de uma sociedade cada vez mais descristianizada.

A recepção ao Papa

A recepção ao Chefe de Estado do Vaticano e, simultaneamente, Chefe da Igreja Católica, congregou à sua volta as principais personalidades da vida política, militar, cultural e religiosa do País, numa inequívoca prova de unidade na hospitalidade e no entusiasmo com que o povo português quis manifestar ao Papa Bento XVI, durante o tempo que passou no nosso País.

Foi no Aeroporto de Figo Maduro que as autoridades civis e religiosas deram oficialmente as Boas vindas ao Papa, enquanto que os sinos das igrejas do Patriarcado de Lisboa e, mais tarde, uma centena de barcos alinhados no Tejo, assinalavam a sua chegada a Portugal.

Foi igualmente no Aeroporto, mas agora no de Sá Carneiro, no Porto que o Papa se despediu dos Portugueses com palavras de gratidão e ao mesmo tempo de estímulo para todos os que acataram a sua mensagem de Esperança através de palavras oportunas que revelam não só o seu pensamento claro como a sua profunda visão do mundo actual.

Família:uma preocupação constante na mensagem de Bento XVI

Iniciada sob o signo da Esperança e pretendendo ser uma proposta de sabedoria e de missão, esta visita terminaria sob esse mesmo signo quando ao despedir-se da sua mais longa visita de um Papa a Portugal, Bento XVI assim se despediu: “Continuemos a caminhar na Esperança! Adeus!”

 O contacto com multidões

Dirigindo-se a todos “independentemente da sua fé ou religião”, o Papa conseguiu reunir multidões à sua volta, raramente vistas em Portugal. E foi sobretudo nos momentos celebrativos, quer no Terreiro do Paço, em Lisboa, quer na Avenida dos Aliados no Porto, mas sobretudo em Fátima, nos dias 12 e 13, que essa multidão de fiéis foi verdadeiramente expressiva, como todo o País pôde comprovar através da transmissão em directo das televisões.

Missa papal nos Aliados, Porto

Ainda é cedo para se fazer um balanço de mais esta visita de um Papa ao nosso País e de digerir toda a rica e profunda mensagem que ele dirigiu não só a Portugal mas ao mundo.

Mas uma coisa é certa: Bento XVI com a sua dimensão verdadeiramente humana e com a sua profunda visão intelectual dos problemas que afectam o mundo de hoje nas suas mais variadas vertentes da economia à  cultura, da política à religião, da ciência ao ecumenismo, conseguiu mobilizar a sociedade portuguesa e internacional como poucas personalidades o conseguirão fazer.

Só esta capacidade já seria um suficiente motivo de orgulho pela honrosa visita que nos fez durante estes históricos  dias papais.

Avenida dos Aliados:a recepção do Porto a BentoXVI.

José Cerca

Publicado no Quinzenário "Jornal de Arouca" nº764 de 14 Maio 2010

{ 6 comentários… lê abaixo ouadiciona }

1 Cristina Ribas 16 de Maio de 2010 às 18:35

Bento XVI é o Papa do nosso tempo e traz uma mensagem de esperança ao mundo, sim. E não foi por acaso que toda esta mobilização aconteceu!

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2 A. Neves 17 de Maio de 2010 às 11:32

Amigo J.Cerca
O seu artigo só merece a contestação dos fanáticos da religião e por isso me abstenho de comentar,pois não mereçem mais que desprezo.
Uma correção:Também João Paulo II esteve em Portugal 4 dias de 12 a 15 de Maio de 1982,quando ofereceu a bala á Virgem,e visitando os Santuarios Marianos de Vila Viçosa dia 14 e Sameiro terminando com uma missa no Porto e também nos Aliados dia 15.

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3 Ricky 17 de Maio de 2010 às 16:33

Por um lado concordo com o comentário anterior, no sentido de que não se trata de uma competição dos papas. Cada um tem o seu modo de ser, que acreditamos ser inspirado pelo Espírito de Deus para dar respostas ao seu tempo. Conheço Bento XVI pelo seu pensamento teológico que me fascina; tive vontade de melhor o conhecer desde o dia 19 de Abril de 2005, quando o tímido Cardeal J. Ratzinger deu lugar ao Papa Bento XVI.
O comentário anterior tem uma imprecisão quando diz: “terminando com uma missa no Porto e também nos Aliados”. João Paulo II não celebrou missa nos Aliados; fez uma saudação à cidade, um belo discurso que vale a pena lembrar ainda hoje, em que, entre outros temas, abordava os temas do trabalho.
Gostei e emocionei-me com a presença do Santo Padre em Portugal, mesmo se apenas pude acompanhar pela TV por me encontrar presentemente no estrangeiro. Ratzinger falou ao nosso tempo, deixou-nos esperança e ajudar-nos-á, por certo, a enfrentar as crises – antes de mais de valores – sociais e económicas que se avizinham.
Deixo uma sua frase do final do seu encontro com a cultura: “Fazei coisas belas, mas sobretudo tornai as vossas vidas lugares de beleza”. Tentemos fazer isto, e com certeza poremos o Evangelho em prática. Viva o Papa Bento XVI!

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4 Darius 21 de Maio de 2010 às 9:48

Caro JCerca

Depois da leitura destes últimos “posts” fico com a impressão de que toda essa indignação é o resultado, na melhor das hipóteses, da influência das teorias da conspiração.

Vejamos então se conseguimos esclarecer as dúvidas sobre ser laico:

[“Na Arábia Saudita, as minorias cristãs [e todas as outras] não têm o direito de praticar livremente a sua religião podendo fazê-lo, apenas “na privacidade das suas casas”. Qualquer não muçulmano que tente divulgar a sua religião junto de muçulmanos incorre em pena de prisão ou pena de morte”.]

Poderemos considerar isto como um atentado á liberdade e aos direitos humanos por parte de um Estado que adoptou o “islamismo” como religião oficial e ignora a liberdade religiosa.
Na Arábia Saudita a liberdade religiosa não existe porque o Estado não é laico. A laicidade significa simplesmente que há separação entre o Estado e a Igreja, isto é, o Estado é completamente neutro em matéria de religião e as igrejas não detêm qualquer poder político.
Só sendo laico o Estado consegue ser isento e garantir simultaneamente a liberdade de todos e a liberdade de cada um porque a sociedade tem pessoas de várias religiões e sensibilidades.

Parece no entanto que Igreja Católica e alguns dos seus seguidores continuam a confundir laicidade com catolicismo. Confundem uma sociedade laica, uma sociedade de todos e para todos, com uma sociedade católica imposta a todos.
E é aqui que surgem os protestos porque o Estado ao conceder privilégios aos católicos deixa de garantir a igualdade para com as outras religiões e sensibilidades.

Será este o destino da luta do laicismo contra o Cristianismo, por maiores lavagens ao cérebro que os seus “apóstolos” tentem fazer, sobretudo através dos média.

Por este tipo de atitude se percebe que o respeito pelas outras religiões ou pela opinião dos “não crentes”, não é uma atitude defendida por Deus.
Critica-se um suposto fundamentalismo e depois “atiram-se” este tipo de pérolas. Enfim.

Caro JCerca, se dúvidas houvesse quanto á omnipotência e benevolência de “um ser superior”, o holocausto tê-las-á esclarecido.

Saudações
Darius

PS.: Ser “ateu” é, apenas e só, não acreditar… porque toda a escolha baseada no
desconhecimento é na realidade uma mentira.

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5 jcerca 21 de Maio de 2010 às 17:21

Caro Darius

Claro que aqui não há nenhuma teoria da conspiração, nem muito menos qualquer confusão de “laicidade com catolicismo”, .
A conclusão é sua, respeito-a, mas, sinceramente, não estou a ver o que é que o terá levado a tal opinião e até sou levado a crer que confundirá, isso sim, laicismo com laicidade.
Fiquei surpreendido com a sua ideia, que me parece algo absurda e preconceituosa, ao afirmar que o “o Estado, ao conceder privilégios aos católicos, deixa de garantir a igualdade para com as outras religiões e sensibilidades”.
Ao fazer tal afirmação, Darius :
a) ignora que Bento XVI veio a Portugal também como Chefe de Estado a convite do Presidente da República e não apenas como Chefe da Igreja Católica. E ignorar isso é ser-se, à partida, tendencioso e preconceituoso.
b)ignora a matriz cultural da sociedade portuguesa e, podemos até afirmá-lo, da própria Europa, que tem como relevante e indesmentível substrato cultural o Cristianismo, ao longo dos séculos.
Poderia aqui enumerar um vasto conjunto de marcas bem visíveis ainda hoje, mas basta referir o imenso património histórico, monumental e artístico existente em tod0 o Mundo e que tem por base o Cristianismo.
Ignorar isto é revelar ignorância histórica e amnésia cultural.
c) para terminar, desculpe que lhe diga que a sua visão da história, incluindo mesmo esse trágico episódio do Holocausto que refere, parece sofrer de alguma confusão epistemológica e ser perturbada por um certo preconceito contra o fenómeno religioso presente em qualquer sociedade desde sempre e anterior mesmo ao cristianismo.
PS-Para certas pessoas parece estar na moda confessarem-se “ateus”. Tudo bem, é um direito que têm e que respeito. Tenho mesmo alguns amigos que se dizem não crentes ou agnósticos e não é isso que interferirá no meu relacionamento com eles.
Agora, não me parece que haja alguém que não acredite em nada. Mesmo aqueles que se dizem ateus ou agnósticos, se tiverem uma abertura sincera de espírito e uma honestidade intelectual, hão acabar por chegar à Verdade que todo o ser humano procura na sua busca existencial.

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6 Darius 29 de Maio de 2010 às 7:56

Caro JCerca

A disponibilidade não é muita mas não queria deixar de esclarecer alguns pontos do seu comentário.

No meu comentário, se reparar, não faço qualquer referência a Bento XVI, independentemente de concordar ou não, apenas porque apesar de tudo, tratou-se de uma visita de Estado. Aproveitada para algo mais mas, mesmo assim, uma cortesia diplomática.

Caro JCerca, não sou crente e não me incomoda que as pessoas acreditem em superstições, ideias abstractas, divindades, chamem-lhe o que quiserem. O que me incomoda é pretender-se justificar uma crença – que não passa de conhecimento injustificado aceite pela autoridade do testemunho alheio –, com demagogia e outras tretas.

Não se trata de qualquer preconceito ou qualquer confusão epistemológica, trata-se apenas de ser racional, coerente, isento e acreditar que a fé jamais se deve impor á razão. Trata-se de acreditar naquilo que conhecemos e compreendemos porque acreditar em algo com base na fé é acreditar em algo sem ter razões que estabeleçam a sua verdade.

“… se tiverem uma abertura sincera de espírito e uma honestidade intelectual, hão acabar por chegar à Verdade que todo o ser humano procura na sua busca existencial.”

Será mesmo assim? Acredita nisso? Não será apenas uma ideia ou uma “corrente” de pensamento?
Segundo Lucrécio: “ o medo criou os deuses”. Se pensarmos na ignorância dos nossos ancestrais e na impotência sentida perante os fenómenos da natureza, facilmente percebemos o génese da religião .

Cumprimentos
Darius

PS.: – Ser “ateu” não é uma moda, é uma opção pela liberdade.

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