Perante a crise económica que se vive no nosso País, tem aumentado o número de pedidos de ajuda, nomeadamente alimentar, junto das instituições de solidariedade social, com destaque para a Caritas, para o Banco Alimentar contra a fome e para dezenas de instituições paroquiais, criadas sob a inspiração da Igreja Católica.
Indiferentes a esta situação, por vezes dramática e que afecta muitas famílias portuguesas, os nossos políticos lá vão aumentando os impostos, uns directa e muitos outros indirectamente, mas que acabam todos eles por agravar a situação económico-social de toda uma classe média.
Por mais contraproducente que isto pareça, a verdade é que existe ainda neste país uma lei que obriga a que todos os dias milhares de refeições em perfeitas condições de serem consumidas, sejam deitadas ao lixo. E isto acontece não só em supermercados, ou nas grandes superfícies, mas sobretudo em refeitórios de grandes empresas, quer sejam hospitais, escolas, ou mesmo empresas de catering.
Sendo o ano 2010 designado como o Ano Europeu do Combate à Pobreza e à Exclusão Social, não se consegue compreender como ainda é possível, hoje em dia, continuar a deitar-se tantas toneladas de alimentos para o lixo.
Além de um escândalo social, face a tanta gente a passar dificuldades alimentares, este desperdício alimentar tem que ser urgentemente transformado num benefício social que possa minimizar as dificuldades de muitos cidadãos portugueses que passam fome.
Leis que obrigam a lançar ao lixo alimentos que poderão matar a fome a muita gente, são leis iníquas e feitas por legisladores sem qualquer sensibilidade social e humana.
Perante esta escandalosa situação, mantida a coberto de uma norma comunitária de 2002, supostamente criada à margem do mundo real, António Costa Pereira iniciou há dois anos, diligências, não só no campo da politica, mas também da comunicação social, com o intuito de inverter esta situação escandalosa.
Nesse sentido, além de enviar cartas ao Presidente da República, ao Governo e aos deputados das diversas forças políticas, criou também na rede social do FaceBook uma página para “Acabar com o Desperdício Alimentar”.
Embora as respostas politicas tenham sido morosas e pouco concretas, este cidadão, no exercício do seu direito de cidadania, não desistiu e avançou mesmo com uma petição na Internet, dirigida à Assembleia da República.
Esta petição já conta com mais de 6 mil subscritores e pretendem os seus promotores entregá-la, até ao Natal, na Assembleia da República, no sentido da lei vir a ser alterada, de forma a que as refeições das cantinas das empresas, escolas, universidades e restaurantes sejam socialmente aproveitadas a favor de quem precisa, em vez de atiradas para o lixo.
Publicado no “Jornal de Arouca” nº774 de 15.11.2010
José Cerca
