O poder corrompe

por jcerca em 7 de Fevereiro de 2011

O que se  vai verificando, um pouco por todo o mundo, são as enormes fortunas que alguns dos principais dirigentes políticos, sejam da Europa, ou da África, da América ou da Ásia conseguem alcançar enquanto estão no poder, não para servir o povo e promover o seu desenvolvimento, mas para se servirem eles próprios  e aumentarem a fortuna pessoal,  da sua família e dos seus amigos.

São inúmeros os casos, mas o último que saltou para a comunicação social, e que se mantém na ordem do dia, devido à revolta do povo egípcio, é o caso do Presidente do Egipto Mubarak no poder há 30 anos.

Segundo publicou recentemente o Jornal “The Guardian”, o presidente do Egito, sua mulher e os seus dois filhos serão detentores de uma gigantesca fortuna calculada entre 30 a 50 milhões de euros. Grande parte dessa fortuna estaria depositada em bancos suíços e britânicos. Outra parte estará aplicada em fortunas imobiliárias, não só em Londres, Nova York, França, Suiça, Alemanha, Dubai, como ainda em complexos turísticos nas margens do Mar Vermelho.

A ocorrência frequente da acumulação deste tipo de fortunas é hábito dos ditadores que se mantêm no poder por demasiado tempo, não para promoverem o desenvolvimento dos cidadãos do seu País, mas para se aproveitarem, ilicitamente, dos recursos que deveriam estar ao serviço do desenvolvimento comunitário.

Se compararmos esta escandalosa fortuna do clã Moubarak com os 3 dólares por dia com que os 80 milhões de egípcios são obrigados a viver, talvez se compreenda e justifique a revolta que se está a viver naquele País e a exigência da demissão de mais este ditador que os longos anos de poder corromperam.

Estou convencido de que em Portugal, mais dia menos dia, idêntica revolta acontecerá, face aos escândalos financeiros, ao nepotismo e aos casos de enriquecimento súbito que mancham a transparência de muitos dos nossos políticos.

Não será por mero acaso que a lei do combate à corrupção no nosso País, encontrou sempre, obstáculos e continuará a encontrar enquanto não se mudar a mentalidade de que o poder político deveria ser um serviço para o desenvolvimento da “res publica” e não para o benefício daqueles que o exercem.

José Cerca

Publicado no “Jornal de Arouca” nº780 de  15 Fevereiro 2011

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