Encontra-se afixado em números postes de iluminação pública, desde a Feira das Colheitas, na Vila de Arouca. Escrito à mão, com letra razoavelmente legível, embora com alguns erros de ortografia e colado com cola de sapateiro, este apelo chamou-nos a atenção pela expressão do drama que, eventualmente, estará por detrás dele.
Trata-se do apelo de um pai a favor do seu filho, que, segundo afirma, “corre risco de vida” por estar em condições desumanas no Centro Prisional de Santa Cruz do Bispo.
E em forma de denúncia, dá algumas informações sobre a situação do seu filho, dizendo que “está junto com fumadores, drogados e marginais” numa prisão com cerca de 600 pessoas.
Considerando que as pessoas nessa prisão estão como “numa lata de sardinhas” e são tratadas ”como se fossem bichos”, compara essa prisão a um “campo de concentração de nazis”, onde as pessoas estão amontoadas em pequenas repartições e nas quais “fazem as suas necessidades, como se fossem bichos”.
Tanto o nome do pai como do seu filho constam nesta folha afixada em diversos postes espalhados pela Vila de Arouca.
Numa segunda edição, afixada posteriormente, aparece já a foto do filho a cores, antes de ser preso e a foto depois de estar sujeito ao regime prisional. O objetivo destas fotos é para assinalar as transformações que o filho sofreu na prisão e que até são visíveis no seu rosto.
É por isso mesmo que este segundo cartaz se refere à “justiça assassina” que está a destruir a vida do seu filho e revela mais alguns pormenores relativamente aos tratos a que tem sido sujeito na prisão, a ponto de apelidar de “carrascos” os guardas responsáveis por esses tratamentos desumanos.
Refere ainda que já fez queixa às entidades e que pediu para levar o seu filho a um médico particular, mas “nada fazem”. “Estão à espera que o meu filho morra!”- desabafa assim este pai.
Embora tenha sido lido por numerosas pessoas, não quisemos deixar de lhe dar eco, aqui neste jornal, de modo a que, sendo verdade, esta notícia possa, de qualquer modo, alertar as autoridades responsáveis por graves situações como a descrita neste apelo-denúncia.
José Cerca
Publicado no semanário “Discurso Directo” nº226 de 12 de outubro de 2012

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É pena que percam tempo com um pedido tresloucado de um senhor que sofre de perturbações mentais graves, tal como o filho e que infelizmente mancha o nome de um dos melhores Estabelecimentos Prisionais do País. Se não tivesse cometido o crime que cometeu e o paizinho do senhor Inácio não o tivesse levado para África na ultima vez que esteve em liberdade condicional com toda a certeza não estaria no Estabelecimentos Prisional de Santa Cruz do Bispo. E o Senhor Inácio tem à disposição comida, cama e roupa lavada, médicos de clínica geral, de psiquiatria, psicólogos, técnicos de educação, enfermeiros. Que mais quer? Estar cá fora!!! Não tivesse cometido nenhum crime. Tão simples quanto isso.