Potencial Turístico do Património das Minas de volfrâmio de Rio de Frades

por jcerca em 14 de Dezembro de 2012

Vista atual de Rio de Frades (Arouca)

Tal como Regoufe, a localidade de Rio de Frades faz parte da história, não só de Arouca, como de Portugal e até mesmo da Europa, por estar ligada à exploração do volfrâmio na Segunda Guerra Mundial e que, no concelho de Arouca, foi pacificamente partilhado entre ingleses e alemães.

Enquanto que em Regoufe a exploração do volfrâmio era feita para os Ingleses, em Rio de Frades o “volfro” destinava-se aos Alemães.

Em ambas as localidades os complexos mineiros são hoje, apenas e infelizmente, ruínas fantasmas de um passado mineiro onde chegaram a trabalhar, só em Rio de Frades, mais de 3.000 pessoas na exploração do volfrâmio que era exportado para o palco da guerra, através de uma mesma via de escoação dentro do Concelho.

Um dos aspetos das ruinas das minas em Rio de Frades

Embora em ruínas, este complexo mineiro poderá vir a ser futuramente um motivo de atração turística para esta localidade que, além da sua ligação à 2ª Guerra Mundial, através da extração do minério, possui belezas naturais com quedas de água cristalina, num afluente do rio Paiva, e oferece potencialidades para um contato com a natureza, através de percursos pedestres ou da prática de desportos radicais (canyonning).

Tese de mestrado

Foi sobre o “Potencial Turístico do Património das minas de volfrâmio de Rio de Frades” que no passado dia 3 de dezembro, a arouquense Cláudia Margarida de Oliveira Vaz Ferreira defendeu a sua tese de Mestrado em Turismo e Desenvolvimento de Negócios do ISCET no Porto.

Trata-se de um trabalho que pretende contribuir para uma reflexão sobre a valorização e promoção turística do património histórico-cultural legado pelas minas de volfrâmio em Rio de Frades e que marcou um importante período da história de Arouca.

Efetivamente, durante a 2ª Guerra Mundial, a crescente procura de volfrâmio, usado para o fabrico de armamento, pelos beligerantes, Alemanha e Inglaterra, fomentou o aumento desenfreado de explorações mineiras em zonas rurais do norte e centro de Portugal.

Entrada de mina em Rio de Frades

 A exploração de volfrâmio representou, então, a oferta de novas oportunidades de trabalho, atraindo ao concelho de Arouca, milhares de pessoas de todo o país, quer para trabalharem como mineiros, quer para serem “pilhas” que, então, se tornaram famosas devido ao contrabando deste tão procurado minério.

A “febre do volfrâmio”, a riqueza súbita e o consumo exagerado causaram impacto nos hábitos e costumes da região, tendo deixado marcas profundas, não só na memória das pessoas, como também na paisagem local.

A natureza: umas das atrações de Rio de Frades

Com o fim da exploração, as minas foram encerradas e abandonadas, ficando para trás o património mineiro construído. Esses espaços expostos a décadas de abandono e incúria, constituem um valioso legado cultural que poderá proporcionar uma oportunidade para o incentivo e a criação de atividades turísticas de promoção do desenvolvimento social e económico e do turismo cultural  local.

Este trabalho da Dr.ª Cláudia Ferreira que se reveste de grande importância para Arouca, pretende ainda salientar a importância de propostas de musealização e de dinâmicas turísticas, articuladas com o projeto “Rotas de Volfrâmio na Europa – Memória dos Homens e Património Industrial”, de modo  a contribuir para a  proteção e valorização deste tipo de património cultural que, seguramente, contribuirá para  valorizar mais estes geossítios do Arouca Geoparque.

José Cerca

Publicado no semanário “Discurso Directo” nº236 de 14 de dezembro de 2012

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