MUSEU DE ARTE SACRA FEZ 84 ANOS

por jcerca em 27 de Novembro de 2017

Inaugurado a 27 de novembro de 1933, e instalado em antigas celas do Mosteiro de Arouca com um rico espólio  à guarda da Real Irmandade da Rainha Santa Mafalda, este Museu é considerado, depois do Museu da Gulbenkian, um dos mais importantes Museus particulares de Arte Sacra do País. O seu rico e muito variado recheio é constituído por obras de arte que pertenceram à comunidade cisterciense do Mosteiro de Arouca, além de muitas outras peças artísticas oriundas de diversas proveniências.

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Numerosas peças de pintura, escultura, ourivesaria, paramentaria e mobiliário preenchem diversas celas e compridos corredores do Mosteiro de Arouca. Entre elas destaca-se um belo díptico-relicário do sec.XIII e que, segundo a tradição, parece ter pertencido à Rainha Santa Mafalda.

Embora não exposta ao público, refira-se ainda a existência de uma rica coleção de Antifonários, ilustrados com magníficas iluminuras, algumas das quais do sec. XIII.

Este Museu, de entre muitas outras peças de grande valor histórico e artístico, alberga ainda um dos originais do Foral de Arouca doado por D.Manuel I há mais 500 anos, precisamente no dia 20 de dezembro de 1513.

Parados no tempo

Motivo de atração turística, tal como o Mosteiro que o acolhe, este Museu de Arte Sacra, apesar do seu valiosíssimo espólio tem estado parado no tempo, quer na forma como estão expostos, iluminados e tratados os objetos da sua exposição permanente, quer na maneira como se tem vindo a fazer a sua dinamização, não só junto do público escolar e dos próprios arouquenses, como também junto da avalanche de turistas que, arrastados pelo fenómeno “passadiços do Paiva”, têm procurado Arouca como destino turístico.

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Incompreensivelmente a Real Irmandade, instituição criada em 1886 para a guarda e preservação do valioso recheio do Museu de Arte Sacra, bem como para perpetuar a celebração da festa à padroeira de Arouca, tem estado, nos últimos anos, estagnada, fechada, ignorando completamente a grande transformação turística que se tem operado em todo o imenso, diversificado e rico Geoparque de Arouca.

Esperamos que o novo Juiz da Real Irmandade, Dr. Carlos Brito e da sua nova mesa administrativa eleita no passado dia 25 de novembro, assuma, com visão estratégica e com espírito de abertura à comunidade, os destinos desta instituição, extremamente importante para a dinamização do Mosteiro de Arouca e do seu valioso Museu de Arte Sacra que, brevemente, irão ser beneficiados com importantes obras de modernização, anunciadas publicamente pelo Ministro  da Cultura no passado dia 25 de novembro e que ficarão completas até 2019.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº456 de  1 de dezembro de 2017

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