UMA VISITA PELO PORTO ROMÂNTICO

por jcerca em 26 de Maio de 2018

Teve lugar no dia 23 de maio a visita de um grupo de alunos e associados da Academia Sénior de Arouca ao “Porto romântico”, promovida pela disciplina “Cultura e Sociabilidade” da Asarc.

A digressão iniciou-se no Jardim da Cordoaria, criado em 1865 no antigo campo do Olival onde funcionava, então, a Cordoaria do Bispo, daí o seu nome actual. À volta, ou nas proximidades desse jardim, tiveram os visitantes ocasião de admirarem a emblemática Torre dos Clérigos, bem como a antiga cadeia da relação do Porto, historicamente ligada à vida de Camilo Castelo Branco por aí ter estado preso em 1860, durante cerca de um ano, por adultério com Ana Plácido. Bem perto dessa célebre prisão, puderam admirar ainda a fachada da casa onde nasceu Almeida Garrett em 1799, evento esse assinalado com uma inscrição mandada gravar pela Câmara em 1864, em memória desse grande escritor português, iniciador do Romantismo em Portugal.

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Na sua digressão pela zona envolvente do Jardim da Cordoaria, os visitantes seniores tiveram ainda a ocasião de presenciarem a fila de turistas à espera de entrarem na famosa livraria Lello, cuja origem remonta a 1869 e que é considerada uma das mais belas livrarias do mundo.

Depois de atravessarem a Praça dos Leões, diante da Reitoria da Universidade do Porto, tiveram ainda a oportunidade de descobrirem a casa com a fachada mais pequena do mundo e que fica entre a igreja do Carmo e a igreja dos Carmelitas, a poucos metros do Hospital de Santo António.

Ainda no jardim da Cordoaria e voltadas para o Palácio da Justiça tiveram os alunos da Academia Sénior ocasião de observarem um conjunto de quatro bancadas contendo treze figuras humanas denominadas “Treze a rir uns dos outros”, e que aí residem desde 2001  quando o Porto foi Capital Europeia da Cultura.

O Palácio da Bolsa

Iniciada a sua construção em 1842,depois de D.Maria II ter concedido à Associação Comercial do Porto a propriedade do antigo Mosteiro de S.Francisco, para aí construir a sua sede, a visita ao Palácio da Bolsa foi, certamente, o ponto mais alto desta digressão pelo “Porto romântico”.

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A visita guiada a este magnífico espaço, classificado como monumento nacional, iniciou-se pelo Pátio das nações, construído sobre os antigos claustros do Mosteiro de Francisco. Daí os visitantes puderam percorrer as principais salas deste palácio e admirar o seu mobiliário, os seus estuques decorativos; o detalhe dos soalhos marchetados e embutidos; os brasões e representações heráldicas; as esculturas e telas de óleos e frescos dos grandes mestres portugueses, nomeadamente, os retratos dos últimos seis reis portugueses, expostos no Salão dos retratos.

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A visita terminou no deslumbrante Salão Árabe com o seu interior completamente ornamentado de formas decorativas em estuque e madeira revestidas a folha de ouro e com numerosas inscrições árabes em louvor de Alá. Inspirado no palácio de Alambra e inaugurado em 1860, este Salão Árabe  é, mui justamente, considerado a jóia da coroa do Palácio da Bolsa.

O Museu Romântico

Terminada a vista ao Palácio da Bolsa, ainda houve tempo para uma descida à zona ribeirinha, enquanto outros preferiram conhecer a famosa igreja de S.Francisco que resta do antigo Convento e que é notável pela sua talha dourada barroca do sec.XVIII.

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Depois do almoço, uma nova paragem na Quinta da Macieirinha para uma visita ao Museu Romântico instalado num edifício da burguesia portuense do sec.XIX, onde passou os últimos anos de sua vida o exilado rei do Piemonte Carlos Alberto. Em memória a este monarca que aí faleceu em 1849 algumas das salas deste Museu Romântico foram ocupadas com algum mobiliário usado pelo rei no seu exílio.

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Esta visita ao “Porto Romântico” terminou com um agradável passeio pelos jardins românticos e pela mata do Palácio de Cristal de onde se pode admirar uma linda vista sobre o rio Douro. Nessa digressão através destes jardins os alunos da Academia Sénior tiveram ainda ocasião de passarem diante da capela do rei Carlos Alberto da Sardenha, mandada construir pela sua irmã, a princesaAugusta de Montléart e onde estão os restos mortais daquele que foi avô da nossa rainhaD. Maria Pia.

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E deste modo, a Academia Sénior de Arouca, aliando a cultura, ao convívio e à sociabilidade, proporcionou aos seus associados uma bela jornada com esta visita pelo “Porto Romântico”.

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José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº468 de  1 de junho de 2018

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