ENCERRAMENTO DO MÊS DE MAIO EM AROUCA

por jcerca em 3 de Junho de 2020

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Tudo tem sido atípico na nossa sociedade, desde que foi decretado o confinamento obrigatório devido à pandemia que, oriunda da cidade de Whuan, na China, tem vindo a alastrar por todo o mundo.

Devido a isso, a vida normal a que todos estávamos habituados sofreu uma enorme alteração, nunca vista, nem sentida e que acabou por afetar todos os sectores de qualquer sociedade.

E nem o sector religioso escapou a esta alteração o que obrigou mesmo ao encerramento dos locais de culto para evitar a propagação do Covid-19.

O mês de maio, tipicamente dedicado a Nossa Senhora, foi também ele afectado, não só no dia 13, tradicionalmente dedicado à maior peregrinação nacional e internacional a Fátima, como também nos restantes dias, onde era tradição a reza do terço em numerosas capelas espalhadas pelo país. E em Arouca aconteceu o mesmo.

 Peregrinação itinerante

 Face a todas essas contingências muitas comunidades cristãs, não só de Arouca, como também de todo o País, organizaram, no fim do mês de Maio, peregrinações com o andor de Nossa Senhora transportado em veículo motorizado.

Tais peregrinações aconteceram também em quase todas as paróquias de Arouca, sobretudo nos dias 30 e 31 de maio, data em que os espaços de culto voltaram a ser reabertos, para a celebração de uma das principais festas católicas, a festa do Pentecostes, considerada a festa do aniversário da Igreja, pois foi nesse dia que ela, após a descida do Espírito santo sobre os primeiros cristãos, começou a expandir-se por todo o mundo.

Andor de NSenhora_RossasApesar dos espaços de culto terem sido reabertos no último fim de semana de maio, com várias exigências de higienização, as procissões não estavam permitidas e por isso, em alternativa, em quase todas as paróquias de Arouca a imagem de Nossa Senhora de Fátima percorreu as principais ruas de cada paróquia, umas no sábado, outras no domingo, umas durante o dia, outras durante a noite.

Esta procissão inédita foi bem acolhida pelas pessoas que a ela se associaram das mais diversas maneiras.Muitas casas iluminaram as suas fachadas,nalgumas janelas acenderam-se velas, de algumas varandas penduram-se colchas e, nalgumas ruas, à passagem de Nossa Senhora de Fátima, eram lançadas pétalas sobre o seu andor.

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Registe-se que a GNR não manifestou qualquer obstáculo a esta expressão de religiosidade popular e que a Junta de Freguesia de Arouca-Burgo colaborou com o transporte do andor de Nossa Senhora pelas ruas da respetiva Freguesia.

O Terço da Esperança

Uma outra iniciativa que, pela sua originalidade, teve bastante eco em muitos média de âmbito nacional e até mesmo internacional, surgiu na Freguesia de Mansores que mobilizou toda a sua comunidade para a construção de um “Terço da Esperança” no seu verdejante vale agrícola e que, pela sua enorme dimensão, era visível do céu.

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No dizer do presidente da Junta de Freguesia de Mansores , Jorge Oliveira a ideia deste Terço gigante surgiu “para homenagearmos a Nossa Senhora, Maria Imaculada, neste mês de maio, e rezarmos pelas vítimas da COVID-19″,utilizando como pano de fundo o belíssimo vale agrícola de Mansores”.

O desenho deste terço giganteera constituído por fardos de palha plastificados em branco e demorou mais de sete horas a ser executado, com o apoio de alguns tratores. A completar tal terço a imagem de Nossa Senhora, pintada numa tela também branca e que vista de cima, através do recurso a drones, apresentava uma imagem muito bela e artística deste original “Terço da Esperança”.

Em pouco tempo tais fotografias aéreas do vale de Mansores, com o seu gigante Terço, captado do céu, espalharam-se pelas redes sociais e captaram depressa a atenção de muitos médias que fizeram eco desta iniciativa, não só a nível nacional, como também internacional.

José Cerca

Publicado no jornal “Discurso Directo” nº517 de  12 de junho de 2020

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