Passeio anual da Asarc
Não se trata de nenhuma agência de viagens para seniores, mas a verdade é que o passeio anual da Academia Sénior de Arouca, com a duração de dois dias, é sempre cuidadosamente preparado, não só com o objectivo de proporcionar momentos de lazer e de convívio aos seus alunos/associados, mas também com uma pedagógica preocupação cultural, expressa na preparação de um folheto informativo sobre os diversos locais a visitar em cada ano.
O passeio deste ano, realizado nos dias 26 e 27 de junho, teve como destino a região de Mafra que preencheu, de uma maneira exaustiva e ricamente cultural, todo o segundo dia desta viagem.
Uma incursão pelo mundo oriental
Esta viagem pela história começou com uma curiosa e surpreendente digressão pela cultura oriental, proporcionada pela visita ao Bacalhoa Buddah Eden, o maior jardim oriental na Europa e que ocupa cerca de 40 hectares da quinta dos Loridos, situada na aldeia do Carvalhal do Concelho do Bombarral.
Durante cerca de duas horas puderam os visitantes seniores percorrer, por entre lagos e jardins e à sombra de centenas de palmeiras e de milhares de bambus, um autêntico “jardim zoológico” artístico, composto por largas centenas de enormes esculturas, representando diversas espécies de animais orientais e africanos.
Além das esculturas de animais, em diversos materiais, numerosas esculturas, com temáticas africanas e asiáticas, fazem deste Buddha Eden Garden um verdadeiro museu de arte contemporânea a céu aberto e onde não faltam também budas gigantes, divindades chinesas, pagodes e uma réplica do famoso exército de soldados em terracota descobertos, casualmente, na China em 1974.
Refira-se que a ideia da instalação deste parque oriental, ainda em curso, surgiu por parte do comendador José Berardo em reacção à destruição de budas gigantes com mais de 1500 anos, pelos fundamentalistas talibãs no Afeganistão em 2001.
Rumo à Ericeira
Mas se a visita a este jardim oriental foi a meta principal deste primeiro dia, ainda foi possível antes, uma breve paragem em Peniche para ver, por fora, o seu famoso forte, encerrado para obras e para “saborear” com os olhos as variadíssimas ementas de peixe afixadas nos restaurantes locais.
A Caminho da Ericeira, onde se pernoitou, uma paragem na localidade do Sobreiro para visitar a aldeia de José Franco, também designada por Aldeia Saloia, e que foi moldada pelas mãos do oleiro José Franco tendo-se transformado num museu a céu aberto. Conta com réplicas de moinhos de vento, oficinas evocando as diversas profissões, loja de venda de peças em barro, uma adega e padaria, onde foi possível degustar o vinho da região e comer o tradicional pão com chouriço.
Uma viagem pela história e pela natureza
O segundo dia deste passeio foi todo ele passado em Mafra para uma visita ao Palácio Nacional, da parte da manhã e à Tapada de Mafra, da parte de tarde.
Divididos em dois grupos simultâneos e durante cerca de duas horas, os alunos da Academia Sénior, percorreram os enormes corredores e as numerosas salas deste imponente monumento nacional, sempre acompanhados pelas explicações da respectiva guia que muito enriqueceram esta visita.
Mas se a digressão pelo interior deste enorme Palácio, da sua rica biblioteca, da sua imponente Basílica e por alguns espaços do antigo Convento, mandados construir pelo rei D.João V, em 1717, constituíram uma verdadeira viagem pela nossa História, a verdade é que a visita à Tapada de Mafra foi também uma viagem através da natureza, que proporcionou aos visitantes admirar um património natural de características únicas e observar algumas das espécies animais que aí habitam.
Além de uma viagem de comboio, através da Tapada, ao longo de 12 quilómetros, os alunos da Academia Sénior tiveram ainda ocasião de participarem noutras duas actividades, uma sobre o mel e a importância das abelhas no equilibro ecológico do nosso Planeta e outra sobre a demonstração de voo livre com aves de rapina, nomeadamente o falcão peregrino e o bufo.
Orientadas por um apicultor e por um falcoeiro, estas duas actividades contribuíram para o enriquecimento cultural dos participantes ao mesmo tempo que lhes proporcionaram curiosos momentos de lazer e boa disposição, indo assim ao encontro dos objectivos que orientam sempre a organização destes passeios da Asarc.
José Cerca
Publicado no jornal “Discurso Directo” nº471 de 13 de julho de 2018









